O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um pronunciamento contundente nesta segunda-feira (2), marcando o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas. Em seu alerta, Guterres ressaltou a gravidade da situação global, afirmando que profissionais da imprensa em todo o mundo continuam a pagar um preço exorbitante por sua dedicação em revelar a verdade. A data, de profundo significado, foi instituída em memória dos jornalistas franceses Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da Rádio França Internacional (RFI), brutalmente assassinados em 2 de novembro de 2013, no Mali, simbolizando a crescente vulnerabilidade enfrentada por esses profissionais.
Crescente Número de Vítimas e Zonas de Conflito
A preocupação da ONU se justifica diante de dados alarmantes. Conforme levantamentos das Nações Unidas, nos biênios de 2024 e 2025, um total de 189 jornalistas foram assassinados ao redor do globo. Este número representa o maior índice registrado desde o período de 2014/2015, evidenciando uma escalada preocupante na violência contra a categoria. A maior parte dessas fatalidades ocorreu em regiões conflagradas, onde o trabalho de reportagem se entrelaça com riscos extremos. A natureza desses perigos está em constante evolução, com a ONU indicando que, até 2026, pretende detalhar como novas tecnologias e armamentos, a exemplo dos ataques com drones, estão remodelando os desafios e ameaças enfrentados pelos jornalistas, especialmente nas perigosas zonas de guerra.
O Clamor por Justiça e a Luta Contra a Impunidade
A comunidade jornalística internacional e nacional reforça o apelo por medidas concretas para conter essa onda de violência. Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), enfatiza a urgência de exigir dos governos investigações rigorosas e o processamento dos responsáveis por crimes contra jornalistas. A impunidade, segundo ela, perpetua o ciclo de agressões e o assassinato de qualquer profissional de imprensa é classificado como inaceitável. A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), por sua vez, lançou uma campanha incisiva, formulando perguntas essenciais que demandam respostas: 'Quem ordenou o assassinato? Quem planejou? Quem é o responsável final?'. Essas indagações ressoam como um grito por justiça, sublinhando que a verdade não pode ser silenciada pela ausência de responsabilidade.
O Imperativo da Informação e a Responsabilidade Global
A proteção aos jornalistas e a garantia do acesso à informação são pilares fundamentais para a democracia e o Estado de Direito. A mensagem da ONU e das entidades representativas da imprensa transcende a defesa de uma profissão; ela se converte em um chamado à comunidade global para salvaguardar o direito de todos os cidadãos de serem informados, de forma livre e imparcial. O combate à impunidade não é apenas uma questão de justiça para as vítimas, mas uma medida essencial para preservar a liberdade de expressão e a transparência em um mundo cada vez mais complexo e polarizado. É um compromisso coletivo assegurar que aqueles que buscam a verdade não paguem o preço máximo por sua coragem e dedicação ao serviço público.

