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Minas Gerais Lidera em Urbanização de Risco: Estudo Alerta para Expansão em Encostas e Margens Fluviais

Dinael Monteiro
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© Tania Rego/ Agência Brasil

Um estudo recente do MapBiomas, intitulado 'Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil', revelou um cenário preocupante sobre a expansão das cidades brasileiras. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (4), apontam que Minas Gerais se destaca como o estado com a maior área urbana estabelecida em terrenos de alta declividade, ou seja, em encostas íngremes que representam perigo iminente para seus habitantes. Este achado ganha especial relevância no contexto das recentes e severas chuvas que assolaram o estado, resultando em 72 mortes e um desaparecido.

O Cenário de Risco em Minas Gerais e no País

Com quase 14,5 mil hectares de seu território urbanizado em locais de risco elevado, o montante em Minas Gerais equivale a uma área significativamente maior que múltiplos campos de futebol profissionais. Essa dimensão sublinha a vulnerabilidade da população mineira a eventos como deslizamentos de terra. Além de Minas Gerais, outros estados como Rio de Janeiro (com mais de 8,5 mil hectares), São Paulo (8,1 mil hectares) e Santa Catarina (3,7 mil hectares) também possuem extensas áreas urbanizadas em terrenos inclinados, evidenciando um desafio nacional.

Em um recorte municipal, Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira – cidade gravemente afetada pelas últimas tempestades, contabilizando 65 mortos – é a terceira urbe brasileira com a maior área construída em declives perigosos. Em 2024, a cidade registrava 1.256 hectares nessas condições. No topo dessa lista nacional, aparecem as capitais Rio de Janeiro, com 1,7 mil hectares, e São Paulo, com 1,5 mil hectares, refletindo a densidade e o crescimento desordenado em suas metrópoles.

Aceleração da Ocupação em Zonas Vulneráveis

O estudo do MapBiomas, que abrange dados dos últimos 40 anos, desvenda uma tendência alarmante: a ocupação de áreas de risco cresceu a um ritmo muito mais acelerado do que a urbanização geral no Brasil. Enquanto as áreas urbanas do país cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2024, passando de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares (um aumento anual equivalente ao tamanho de uma cidade de médio porte), a expansão em terrenos com declividade acentuada e maior perigo de erosão e deslizamento triplicou no mesmo período, saltando de 14 mil para 43,4 mil hectares.

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Mayumi Hirye, coordenadora da pesquisa, enfatiza a gravidade desse fenômeno, especialmente no contexto das mudanças climáticas. Segundo ela, os episódios extremos que se intensificam afetam a todos, mas incidem de forma mais dramática e desigual nas áreas mais sensíveis e vulneráveis, que têm sido ocupadas em um ritmo desproporcionalmente rápido em relação ao crescimento urbano total.

O Perigo Oculto das Margens Fluviais

Além das encostas, a proximidade de rios e córregos, essenciais para a drenagem natural das cidades, emerge como outro fator de exposição a enxurradas e inundações. Em 2024, os pesquisadores do MapBiomas identificaram que 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas em todo o Brasil apresentam um risco elevado de inundação devido a essa característica. Essa vulnerabilidade se acentua com as alterações climáticas, que intensificam o volume e a frequência das precipitações.

O Rio de Janeiro lidera entre os estados com o maior território urbano em risco por sua proximidade com áreas de drenagem natural, totalizando 108,2 mil hectares em 2024, um volume que quase dobrou nos últimos 40 anos. Rondônia também demonstra um crescimento expressivo, com a construção em áreas adjacentes à drenagem natural mais que duplicando, de 7,3 mil hectares em 1985 para 18,8 mil hectares em 2024.

Edmilson Rodrigues, engenheiro ambiental do MapBiomas, observa que, historicamente, as cidades se estabeleceram junto a corpos d’água por razões logísticas e econômicas. Contudo, as mudanças climáticas transformam essa proximidade em um risco cada vez maior. Ele ressalta a importância de monitorar a expansão das áreas urbanizadas nas margens fluviais, não apenas para conservar o ambiente, mas crucialmente para garantir a qualidade de vida e a segurança da população diante do crescente número de eventos extremos.

Conclusão: Desafios e Urgência na Gestão Urbana

Os levantamentos do MapBiomas traçam um panorama claro e desafiador para o planejamento urbano brasileiro. A rápida e desordenada ocupação de áreas de risco, seja em encostas íngremes ou nas planícies de inundação próximas a rios e córregos, expõe milhões de pessoas a desastres naturais que se agravam com as mudanças climáticas. A recorrência de tragédias, como as recentes em Minas Gerais, serve como um alerta contundente para a necessidade urgente de políticas públicas eficazes, planejamento territorial resiliente e investimentos em infraestrutura que priorizem a segurança e o bem-estar da população, em detrimento de uma expansão urbana insustentável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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