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A Busca pela Independência: O Crescente Movimento de Mulheres Viajando Sozinhas no Brasil e os Desafios da Segurança

Dinael Monteiro
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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A aventura de desbravar novos horizontes por conta própria tem ganhado cada vez mais adeptas no Brasil. Dados recentes revelam que quatro em cada dez brasileiras já se lançaram em viagens solo, um indicativo claro de uma crescente confiança e desejo de autonomia. No entanto, essa jornada, embora libertadora, ainda esbarra em uma barreira significativa: a segurança.

Uma pesquisa abrangente, realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entrevistou 2.712 mulheres e trouxe à luz as complexidades por trás do turismo solo feminino. O estudo, que serve de base para o recém-lançado “Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas”, detalha tanto o entusiasmo quanto os obstáculos estruturais que impactam a forma como as mulheres se deslocam, ocupam espaços e vivenciam o mundo desacompanhadas.

Insegurança: O Principal Obstáculo para Viajantes Solo

Ainda que o número de viajantes solo esteja em ascensão, a preocupação com a segurança permanece como um fator decisivo. O levantamento aponta que 62% das entrevistadas afirmaram ter desistido de viajar sozinhas em algum momento devido a questões de segurança. Além disso, 61% relataram ter vivenciado situações de insegurança durante suas experiências de viagem sem companhia.

Essa vulnerabilidade é ainda mais acentuada entre grupos específicos. Mulheres negras e indígenas, que já enfrentam múltiplas camadas de preconceito e discriminação na sociedade, relatam uma incidência maior de receios. Entre as que se autoidentificam como pretas, pardas ou indígenas, a taxa de desistência de viagens por insegurança sobe para 65,35%, evidenciando a necessidade de políticas e ações que considerem essas realidades distintas.

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Demandas por um Turismo Mais Seguro e Inclusivo

Diante desses desafios, as viajantes expressam claramente suas necessidades. Quase um terço (29,3%) das mulheres entrevistadas reivindica mais policiamento e câmeras de segurança nos destinos. A melhoria na infraestrutura de transportes e hospedagens é uma demanda crucial para 21% delas, buscando ambientes mais confiáveis e bem preparados para recebê-las.

A necessidade de informação específica para mulheres que viajam sozinhas foi destacada por 17% das participantes, enquanto 16% gostariam de ver mais funcionárias atuando no setor de turismo. Este último ponto ressalta como a presença feminina pode transmitir uma sensação de acolhimento e empatia, elementos essenciais para construir um ambiente mais confortável e seguro para as viajantes.

O Perfil e as Motivações das Mulheres que Viajam Sozinhas

Apesar dos receios, a experiência de viajar sozinha é considerada gratificante e libertadora por muitas. Entre as mulheres que já embarcaram nessa aventura, 31,4% o fazem frequentemente, a cada poucos meses, confirmando a satisfação com a independência adquirida. O perfil demográfico dessas viajantes aponta que quase 35% têm entre 35 e 44 anos, e 22% estão na faixa dos 45 aos 54 anos. Essa concentração sugere que fases da vida marcadas por maior estabilidade financeira e liberdade pessoal podem favorecer a autonomia para empreender viagens solo. Adicionalmente, 68% delas não têm filhos, o que pode influenciar a disponibilidade e flexibilidade para viajar.

As motivações para pegar a estrada desacompanhada são diversas: o lazer é o principal impulsionador para 73% das entrevistadas, seguido de perto pelo desejo de exercitar a independência e a liberdade (65%). O autoconhecimento motiva 41%, enquanto compromissos profissionais levam 38% das mulheres a viajar sozinhas. A pesquisa também revela o potencial de crescimento do segmento, com 59% das mulheres que nunca viajaram sozinhas manifestando o desejo de fazê-lo nos próximos dois anos.

Interesses Culturais e Destinos Nacionais Preferidos

No que tange às atividades e destinos, o interesse por experiências culturais, como visitas a museus e centros históricos, move 68% das mulheres. O ecoturismo também figura entre as preferências, atraindo 64%, enquanto atividades de bem-estar são desejadas por 44,9%. Compromissos de trabalho (38,5%), participação em eventos e festivais (36,6%), e interesse pela gastronomia (30,1%) completam o leque de motivações para escolher um destino.

No cenário doméstico, 36% das respondentes viajam exclusivamente pelo Brasil. As regiões Sudeste (73%) e Nordeste (66%) se destacam como as mais visitadas, seguidas pelo Sul (50%), Centro-Oeste (37%) e Norte (30%), indicando uma vasta gama de opções para quem busca explorar o próprio país.

O Guia 'Para Mulheres que Viajam Sozinhas': Um Compromisso com a Liberdade

Para responder a essas demandas e promover um ambiente mais acolhedor, o Ministério do Turismo lançou o “Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas”. A publicação, disponível online, compila os resultados da pesquisa e oferece orientações práticas para gestores públicos, operadores turísticos e empresas que atendem viajantes, visando um turismo mais seguro, inclusivo e responsável.

Durante a cerimônia de apresentação do guia em Brasília, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, enfatizou a importância da iniciativa, declarando que o documento “reconhece que a mulher tem o direito de circular com liberdade e viajar pelo Brasil e pelo mundo, sem que o medo seja o principal companheiro de viagem”. O Ministério do Turismo reforça que o guia faz parte de sua agenda de turismo responsável e está alinhado tanto ao Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio quanto à pauta internacional de igualdade de gênero. A iniciativa complementa um trabalho anterior, o “Guia com Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres”, focado no setor de serviços, demonstrando um esforço contínuo para aprimorar a experiência turística feminina em todas as suas facetas.

Conclusão

O cenário do turismo solo feminino no Brasil é marcado por um paradoxo: um forte desejo de independência e autodescoberta confrontado com persistentes desafios de segurança. A pesquisa do Ministério do Turismo e Unesco não apenas quantifica essa realidade, mas também oferece um roteiro claro para a construção de um ambiente mais seguro e acolhedor. Com o lançamento do “Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas”, o governo demonstra um compromisso fundamental em garantir que o direito à liberdade de ir e vir seja uma realidade plena para todas as mulheres, permitindo que a aventura e o autoconhecimento prevaleçam sobre o receio.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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