O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, teve sua prisão preventiva mantida pela Justiça Federal nesta quarta-feira (8), um dia após ser detido pela Polícia Federal. Alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, Canella passou por audiência de custódia e, com a decisão judicial, foi imediatamente transferido para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. A detenção do político abala o cenário da Baixada Fluminense e levanta questões sobre o alcance de uma complexa rede criminosa.
O Esquema Bilionário de Lavagem de Dinheiro
A Operação Unha e Carne, que culminou na prisão de Canella, visa desarticular uma sofisticada organização criminosa suspeita de operar um esquema de lavagem de dinheiro de proporções alarmantes. Segundo as investigações, o grupo utilizava uma extensa rede de postos de combustíveis na região do Grande Rio como fachada para movimentar recursos ilícitos, contando com a participação de agentes públicos em suas atividades. Um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Polícia Federal revelou a magnitude do esquema, indicando uma movimentação financeira superior a <b>R$ 7,6 bilhões</b> nos últimos seis anos.
Prisão em Condomínio de Luxo e Arsenal Encontrado
Márcio Canella foi detido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. A ação da Polícia Federal revelou um arsenal em posse do ex-prefeito. No interior de seu veículo, os agentes encontraram um fuzil, classificado como arma de guerra de uso restrito. A busca na casa do político também resultou na apreensão de outras armas, diversas munições e uma coleção de relógios de luxo. Canella, que anteriormente ocupava o cargo de prefeito de Belford Roxo, havia deixado a gestão municipal para concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo partido União Brasil.
Outros Alvos e o Futuro das Investigações
Além de Márcio Canella, a operação mirou outro nome de peso no cenário fluminense: o ex-secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Marcus Amim. Contra Amim, foi expedido um mandado de busca e apreensão pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a amplitude das investigações e o nível das autoridades envolvidas no esquema criminoso. A Polícia Federal informou que, além de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, com a possibilidade de surgirem novas acusações à medida que o inquérito avança. A prisão de Canella e o aprofundamento das apurações prometem desvendar mais detalhes sobre essa intrincada rede de corrupção e desvio de verbas públicas.
A continuidade da Operação Unha e Carne sinaliza o compromisso das autoridades em desmantelar esquemas de lavagem de dinheiro que corroem as instituições e o erário público. Com Márcio Canella agora detido em Bangu 8 e outros alvos sob investigação, a Justiça Federal e a Polícia Federal prosseguem na coleta de evidências para esclarecer completamente as ramificações e os responsáveis por essa complexa trama criminosa, que movimentou bilhões e contou com a participação de agentes públicos.

