OMS Alerta: Dois em Cada Três Jovens Europeus Sofreram Abusos na Infância

Dinael Monteiro
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© REUTERS/Denis Balibouse

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou dados preocupantes sobre a realidade da juventude europeia. Segundo o estudo, uma esmagadora maioria — dois em cada três jovens — declara ter sido vítima de alguma forma de abuso, negligência, violência doméstica ou outras experiências adversas durante sua infância. Os resultados sublinham a dimensão do desafio e as profundas implicações para a saúde e o desenvolvimento social dos jovens no continente.

A Abrangência do Estudo e a Gravidade das Adversidades

A pesquisa, que serve de base para as conclusões da OMS, envolveu uma amostra significativa de 26 mil indivíduos, com idades entre 18 e 30 anos, abrangendo os países da União Europeia, Noruega e Islândia. Este levantamento detalhado permitiu mapear a prevalência e a natureza das adversidades sofridas. O panorama é ainda mais sombrio ao constatar que um em cada cinco entrevistados relatou ter vivenciado quatro ou mais tipos distintos de experiências traumáticas durante a infância, indicando um cenário de vulnerabilidade acumulada. É importante notar que, conforme o relatório, os dados foram recolhidos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Consequências Multifacetadas: Do Impacto Psicológico às Implicações Sociais

As ramificações dessas experiências na infância estendem-se por diversas áreas da vida dos jovens. No que tange à saúde mental, a pesquisa aponta que 76,3% daqueles que enfrentaram quatro ou mais tipos de adversidades manifestaram necessidade de apoio profissional. Além disso, o grupo impactado por essas vivências traumáticas exibe uma maior probabilidade tanto de ser alvo quanto de exercer violência, sendo frequentemente vítimas de 'ciberbullying' durante a infância.

As consequências extrapolam a esfera individual, influenciando trajetórias sociais e econômicas. A maior exposição a experiências adversas na infância está correlacionada com riscos aumentados de abandono escolar, desemprego e vida em agregados familiares de baixos rendimentos. Em um nível interpessoal, esses jovens tendem a demonstrar menor confiança nos outros e um enfraquecimento do sentimento de pertença à comunidade, evidenciando um ciclo de vulnerabilidade que se perpetua.

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Um Apelo Urgente à Intervenção Multissetorial

Natasha Azzopardi-Muscat, diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, enfatizou a amplitude do problema. Ela alertou que não se trata de uma questão isolada que afeta apenas uma minoria ou se restringe à saúde mental, mas sim de um desafio complexo com significativas dimensões sociais e econômicas. Segundo Azzopardi-Muscat, a persistência dessas experiências traumáticas na vida adulta, impactando o desempenho escolar, o mercado de trabalho e as relações pessoais, exige uma resposta coordenada que vá além dos serviços de saúde e envolva múltiplos setores.

Diante desses achados, a OMS lançou um apelo global por medidas eficazes para combater as condições subjacentes que fomentam essas situações adversas. A organização destaca a necessidade urgente de enfrentar a pobreza, a exclusão social e a violência nas comunidades. Adicionalmente, a OMS recomenda que os sistemas de saúde, apoio social, educação e justiça sejam fortalecidos para que possam identificar e responder de forma adequada às necessidades das pessoas afetadas por adversidades na infância, visando quebrar esse ciclo antes que ele seja transmitido às futuras gerações.

A urgência em agir é clara: as experiências da infância moldam o futuro, e investir na proteção e no apoio aos jovens é fundamental para construir sociedades mais resilientes e equitativas. A OMS reitera que uma abordagem integrada e colaborativa é a chave para mitigar o impacto duradouro dessas adversidades.

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