Libertadores Feminina: Cruzeiro Supera Desafio da Altitude e Estreia com Vitória Heroica

Dinael Monteiro
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© Gustavo Martins/Cruzeiro

A edição atual da Libertadores Feminina apresenta um adversário invisível, mas potente, para as equipes brasileiras: a altitude de 2.850 metros de Quito, capital equatoriana. O Cruzeiro, pioneiro entre os clubes do Brasil a enfrentar uma equipe anfitriã, demonstrou notável resistência ao conquistar uma vitória suada por 2 a 1 sobre a LDU, na noite de sexta-feira (16), no Estádio Casa Blanca. Este triunfo não apenas marcou a estreia das Cabulosas com o pé direito, mas também as posicionou na liderança isolada do Grupo C, em um confronto que exigiu mais do que apenas habilidade técnica.

O Início Promissor e o Duro Confronto com a Altitude

O embate começou com o Cruzeiro fazendo valer sua superioridade técnica. Logo aos nove minutos, a atacante Byanca Brasil cobrou uma falta com precisão, buscando o ângulo direito. Apesar do toque da goleira Liceth Suárez, a bola carimbou o travessão, e a lateral Gisseli, atenta ao rebote, não hesitou em mandar para o fundo das redes, abrindo o placar para a equipe mineira. Contudo, a intensidade inicial cobrou seu preço rapidamente. Antes mesmo do intervalo, a altitude começou a fazer efeito, e o cansaço era visível nos rostos das jogadoras cruzeirenses, que demonstravam dificuldade para respirar e manter o ritmo.

A LDU aproveitou a situação e cresceu no jogo, obrigando a goleira Camila Rodrigues a realizar importantes defesas. A pressão equatoriana resultou no gol de empate aos 34 minutos, quando Justine Cuadra pegou a sobra de um chute no travessão de Maylin Arreaga e finalizou no canto esquerdo. Momentos depois, a torcida da casa comemorou um segundo gol, de cabeça, marcado por Milagro Barahona. No entanto, a intervenção do VAR foi crucial para o Cruzeiro: a arbitragem de vídeo anulou o lance, identificando que a bola havia saído pela linha lateral antes do cruzamento que originou o gol, garantindo o empate antes do recesso.

Estratégia e Resiliência na Busca pela Vitória

A segunda etapa do jogo seguiu o mesmo roteiro da parte final do primeiro tempo: a LDU acelerava as jogadas, enquanto o Cruzeiro, visivelmente desgastado, buscava diminuir o ritmo, manter a posse de bola e apostar na velocidade de Vanessinha e na habilidade de Byanca Brasil para contra-ataques. A estratégia se provou eficaz. Aos 18 minutos do segundo tempo, Marília, artilheira do time na temporada, lançou Byanca Brasil. A camisa 10 disparou pela esquerda, invadiu a área e finalizou na saída de Suárez, recolocando as mineiras na dianteira do placar.

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Os minutos finais foram uma verdadeira prova de resistência física e mental para o Cruzeiro, que defendeu sua vantagem com bravura. A vitória por 2 a 1 garantiu os primeiros três pontos na competição, colocando o time na liderança do Grupo C. No outro confronto da chave, também no Casa Blanca, Bolívar (Bolívia) e Olimpia (Paraguai) empataram em 2 a 2, somando um ponto cada, enquanto a LDU permanece sem pontos.

Próximos Desafios: A Altitude como Constante

A jornada do Cruzeiro na Libertadores Feminina continuará sob o impacto da altitude. O próximo adversário das mineiras será o Bolívar, da Bolívia, na segunda-feira (19), às 17h (horário de Brasília), novamente no Estádio Casa Blanca. Apesar de o jogo ser em Quito, o time boliviano, sediado em La Paz, está habituado a jogar a 3.650 metros acima do nível do mar, um desafio ainda maior.

Outra equipe brasileira que enfrentará o desafio da altitude equatoriana é o Palmeiras. Na terceira e última rodada do Grupo B, as Palestrinas terão pela frente o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle, também acostumado ao ar rarefeito da capital. Este confronto está agendado para a próxima quarta-feira (21), às 21h, no Estádio Banco Guayaquil. Antes disso, o Verdão poderá garantir sua classificação antecipada para as quartas de final se vencer o Belgrano (Argentina) neste domingo (18), às 17h, no mesmo local, o que permitiria poupar atletas para o embate contra as equatorianas.

A Importância da Adaptação e Superação

A vitória do Cruzeiro na estreia da Libertadores Feminina vai além dos três pontos. Ela representa a capacidade de superação e adaptação diante de condições adversas impostas pela geografia local. A altitude de Quito se mostrou um fator determinante na dinâmica do jogo, exigindo das atletas não apenas preparo técnico, mas uma resiliência física e mental extraordinária. A performance das Cabulosas serve de termômetro para os demais clubes brasileiros, reforçando que a estratégia, o gerenciamento de energia e a força de vontade serão cruciais para avançar nesta edição do torneio, onde cada partida é uma verdadeira batalha.

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