Cuba Alerta Para Risco Real de Invasão dos EUA e Reforça Prontidão Militar

Dinael Monteiro
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© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo cubano avalia como uma possibilidade concreta o risco de uma invasão militar por parte dos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump. A grave advertência foi feita pelo embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, que, em entrevista à Agência Brasil, ressaltou que a nação caribenha está integralmente preparada para responder a qualquer agressão.

A Prontidão de Cuba Frente à Ameaça Americana

O diplomata cubano enfatizou que o povo da ilha não pode simplesmente ignorar as reiteradas intenções de Washington e, por isso, a preparação para uma defesa militar é uma realidade inegável. Ele destacou a rica história de luta e a tradição de mobilização popular em defesa da soberania nacional como pilares dessa prontidão. Adicionalmente, o embaixador fez um veemente apelo à comunidade e à imprensa internacionais, instando-as a não normalizarem ou aceitarem uma eventual intervenção armada contra o país.

A Estratégia de Pressão Econômica e Política dos EUA

Desde janeiro de 2025, em um cenário de um possível retorno de Donald Trump à Casa Branca (ou referindo-se a um contexto de pressão continuada), a tensão e as sanções contra Havana têm escalado. As medidas de asfixia econômica incluem um bloqueio energético que, em determinado período, impediu Cuba de receber qualquer barril de petróleo por três meses. As repercussões se estendem à redução drástica de voos internacionais, à saída de empresas hoteleiras estrangeiras e até mesmo da operadora de cartões Visa, impactando severamente o setor do turismo, um dos pilares da economia cubana. Em declarações, Trump já manifestou publicamente a ideia de ter a “honra de tomar Cuba” e, em outro momento, prometeu “cuidar de Cuba” após lidar com o Irã, embora também tenha sugerido a possibilidade de um “acordo” sem necessidade de forças armadas.

Acusações de Washington e a Rebatida de Havana

A Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos, acusando o país de abrigar adversários e de tentar roubar informações sensíveis de segurança nacional. O secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, filho de uma família cubana, tem intensificado seu discurso, prometendo ações que “iniciem esse processo de mudança” na ilha. Em contrapartida, o embaixador Palomo rotulou as acusações como “ridículas”, argumentando que uma nação pequena, economicamente bloqueada e asfixiada não possui a capacidade de ameaçar a principal potência mundial. Ele alertou que qualquer agressão militar dos EUA contra Cuba seria um verdadeiro “genocídio”, dada a desproporção de forças entre uma potência nuclear e um pequeno país insular a poucas milhas de distância.

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Implicações Geopolíticas e Novas Medidas de Sanção

Palomo destacou a “posição geográfica complicada” de Cuba, alertando que uma invasão poderia desestabilizar toda a região e, paradoxalmente, levar os cubanos residentes nos EUA a se voltarem contra o governo Trump. O aperto do cerco econômico é visto como parte de uma ofensiva mais ampla de Washington para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que tem desafiado a hegemonia política dos EUA na América Latina há mais de seis décadas. O embaixador cubano reconheceu a existência de problemas internos na ilha, mas enfatizou que o bloqueio econômico imposto pelos EUA é o principal obstáculo ao desenvolvimento, reiterando o direito dos cubanos de resolver seus próprios desafios sem qualquer forma de agressão militar. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA adotou novas sanções contra empresas de “tecnologias sensíveis” com relações com a ilha, e a Justiça estadunidense chegou a decretar, no mês corrente, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.

A tensão entre Havana e Washington, portanto, persiste em um patamar elevado, marcada por sanções crescentes, declarações incisivas de ambos os lados e um risco avaliado como real por Cuba. Este cenário mantém em aberto o futuro de uma das mais duradouras e complexas rivalidades geopolíticas do Ocidente, com implicações regionais e globais significativas.

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