Mobilização Estudantil da UFF Impulsiona Reação Pós-Primeiro Turno no Rio

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 5 de outubro, um dia após um tenso primeiro turno eleitoral, a angústia com o resultado das urnas se transformou em ação nas ruas de Niterói. Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) deram voz ao seu espanto e preocupação, organizando um protesto que não apenas canalizou a insatisfação acadêmica, mas também se tornou um marco inicial para uma mobilização mais ampla em busca de uma virada eleitoral.

A Centelha da Preocupação: Eleições e o Futuro da Educação

O catalisador da manifestação foi o placar apertado do primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) havia conquistado 47% dos votos válidos no estado, superando Luiz Inácio Lula, que obteve 45%. Este resultado, segundo os estudantes, representava uma ameaça concreta à educação pública brasileira. A proposta de Flávio Bolsonaro de transferir as universidades do Ministério da Educação para o de Ciência e Tecnologia, uma pasta com orçamentos historicamente menores, acendeu o alerta.

Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito da UFF, articulou a preocupação generalizada: "A vitória de Flávio claramente significaria corte em todas as áreas das universidades, da infraestrutura ao auxílio permanência, um roteiro conhecido". Para ela, estava evidente a urgência de uma reação para proteger o ensino superior dos desinvestimentos que o país já havia testemunhado.

Ecos do Passado: A Resistência Contra o Desmonte Universitário

A reação dos estudantes estava profundamente enraizada na experiência recente. Simão Gabriel Adorno, membro da atlética de Direito, relembrou os ataques às universidades públicas durante o governo de Jair Bolsonaro. A UFF, inclusive, esteve entre as primeiras federais a sofrer cortes orçamentários, sob a acusação de promover "balbúrdia", nas palavras do então ministro da Educação. Tais contingenciamentos, que chegaram a 30% das verbas, impactaram diretamente o funcionamento das instituições e, crucialmente, as bolsas de pesquisa, essenciais para estudantes de baixa renda, muitos deles negros e periféricos.

- Anúncio -
Ad image

A comunidade acadêmica observava que "a educação pública estava em risco", sentindo que sua "casa" estava ameaçada. Além disso, os universitários de Direito rechaçavam veementemente a proposta de anistia defendida por apoiadores de Jair Bolsonaro, preso por liderar uma tentativa de golpe, que prometia a libertação do ex-presidente e sua ascensão à rampa de posse caso Flávio fosse eleito. Essa postura, somada às ideias contra direitos civis e a Constituição, evocava um passado sombrio que a comunidade do Direito conhecia bem, lembrando figuras como Fernando Santa Cruz, aluno da instituição desaparecido durante a ditadura militar.

Da Articulação Interna à Grande Manifestação Pública

A decisão de agir foi tomada na noite da apuração eleitoral. Rapidamente, os universitários se articularam para convocar o protesto na segunda-feira. O que se imaginava ser uma reunião interna entre alunos, professores e representantes de entidades como a OAB, logo ganhou proporções inesperadas. João Paulo Armando, outro diretor do Centro Acadêmico de Direito, testemunhou a adesão massiva: "Passaram-se as horas e éramos centenas".

A passeata, que partiu da Faculdade de Direito no Ingá e percorreu a reitoria da UFF no bairro de Icaraí, atraiu moradores e transeuntes, que se uniram à caminhada em uma chuvosa noite de segunda-feira em Niterói. Durante o ato, a bandeira do "Direito Antifascista", confeccionada em 2018, foi reerguida, simbolizando a defesa intransigente dos direitos civis e da Constituição. A convocação, inicialmente restrita, logo atraiu a adesão de outros cursos da universidade, ampliando o alcance e a força do movimento que via o país "ameaçado".

O protesto da UFF, nascido da urgência de um resultado eleitoral preocupante e da memória de lutas passadas, transcendeu o campus para se consolidar como um marco na mobilização por uma virada política. Ele demonstrou o poder da juventude e da academia em momentos críticos, reafirmando o compromisso com a democracia, a educação pública e a defesa intransigente dos valores constitucionais.

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *