Um médico e três advogados da equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro chegaram à Superintendência da Polícia Federal na manhã deste domingo para se encontrar com ele antes da audiência de custódia virtual. Os profissionais não fizeram declarações à imprensa presente no local.
A prisão preventiva de Bolsonaro ocorreu no sábado, por volta das 6h30, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro justificou a medida alegando possível tentativa de fuga e violação da tornozeleira eletrônica.
Após a detenção, o ex-presidente foi levado à Superintendência da Polícia Federal, onde passou por exame de corpo de delito no Instituto Nacional de Criminalística. O exame, realizado na presença de um advogado, não revelou nenhuma queixa e indicou que Bolsonaro se encontrava em estado normal.
Na manhã de domingo, um grupo de cerca de vinte apoiadores do ex-presidente se reuniu em frente à Superintendência da PF para protestar contra a prisão e pedir sua soltura. Os manifestantes, enfrentando chuva, exibiam bandeiras do Brasil e uma faixa incentivando motoristas a buzinar contra a detenção. Uma caixa de som tocava a música “Que País é Este?” da banda Legião Urbana.
Um dos manifestantes, Marcos Moreno de Oliveira, filho de um militar da reserva, expressou sua opinião de que a prisão foi “arquitetada” e que não havia risco de fuga, uma vez que a residência de Bolsonaro estava sob monitoramento judicial. Outra apoiadora, Sandra Reis, compareceu acompanhada de uma amiga e seu animal de estimação. Ela acredita que Bolsonaro foi preso injustamente e justificou a violação da tornozeleira eletrônica como um desejo de liberdade.
Aproveitando a presença dos manifestantes, um vendedor ambulante, Luiz Silva, ofereceu água e refrigerantes gelados. Ele preferiu não se posicionar politicamente, afirmando que apenas viu uma oportunidade de negócio.
O mandado de prisão preventiva foi expedido após um relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap) enviado ao STF, que continha um vídeo onde Bolsonaro admitia ter usado um ferro de solda na tornozeleira eletrônica por “curiosidade”, danificando o equipamento.
A prisão preventiva não representa o cumprimento da pena de 27 anos e três meses a qual foi condenado por organização criminosa, dano qualificado ao patrimônio da União, deterioração de patrimônio tombado e tentativa de golpe de Estado. É uma medida cautelar em resposta ao risco de fuga.
Bolsonaro está detido em uma sala de 12 metros quadrados equipada com cama, ar condicionado, banheiro e televisão.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


