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Peru Rumo às Urnas em Cenário de Crise Política Aprofundada e Disputa Geopolítica Intensa

Dinael Monteiro
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© REUTERS/Angela Ponce/Proibida repeodução

O Peru vivencia, neste domingo (12), mais um capítulo de sua permanente instabilidade política, com uma eleição geral que poderá eleger o décimo presidente em apenas uma década. Essa sucessão vertiginosa de líderes, marcada por renúncias e processos de impeachment, reflete a profunda crise institucional que assola o país andino. Com 35 candidatos presidenciais na disputa e projeções de resultados a partir da meia-noite, a nação se prepara para um pleito de desfecho imprevisível e de grande impacto para seu futuro.

O Voto em Meio à Instabilidade Histórica

Milhões de eleitores peruanos são convocados às urnas para escolher não apenas o presidente e o vice, mas também renovar o Congresso, elegendo 130 deputados e 60 senadores para um mandato de cinco anos. Este ciclo eleitoral marca um retorno significativo ao sistema bicameral, com a reabertura do Senado após 33 anos. Curiosamente, essa medida foi restabelecida em 2024, apesar de ter sido rejeitada pela população em um plebiscito realizado em 2018, evidenciando as oscilações institucionais do país.

Essa eleição ocorre sob a sombra de recentes turbulências, como a destituição e prisão do ex-presidente Pedro Castillo em 2021, após sua tentativa de dissolver o Parlamento. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu o cargo, enfrentando violentos protestos que, segundo a Anistia Internacional, resultaram na morte de 49 pessoas, sublinhando a fragilidade da governabilidade e a polarização política.

A Complexa Corrida Presidencial e a Liderança de Keiko Fujimori

A elevada quantidade de 35 postulantes à presidência, sendo que um 36º candidato faleceu em um acidente durante a campanha, ilustra a fragmentação do cenário político peruano. Neste contexto, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), emerge como a principal figura nas pesquisas, com cerca de 15% das intenções de voto, sendo a candidata mais provável a avançar para o segundo turno, previsto para 7 de junho.

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Apesar de sua liderança inicial, Fujimori carrega um histórico de derrotas em três pleitos presidenciais anteriores (2011, 2016 e 2021), sempre no segundo turno. A alta rejeição a seu nome sugere um teto eleitoral que ela tem dificuldade em superar. A identidade de seu provável adversário no segundo turno permanece uma grande incógnita, dada a proximidade técnica dos demais candidatos nas pesquisas, com nenhum outro nome despontando claramente como favorito.

O Eixo Geopolítico: China, EUA e o Futuro do Comércio Peruano

Além das questões internas, a eleição peruana também possui ramificações significativas na disputa comercial global entre China e Estados Unidos na América Latina. Gustavo Menon, professor de Integração da América Latina da USP e da UCB, destaca que este pleito é crucial para as correntes políticas de direita que buscam conter o avanço chinês no fluxo comercial da região.

O Peru assume um papel estratégico nesse tabuleiro geopolítico, impulsionado pelo porto de Chancay, que tem fortalecido as conexões comerciais do país andino com os mercados asiáticos e do Pacífico. Menon aponta para sinais de Keiko Fujimori indicando uma maior aproximação com os EUA, alinhando-se à política de Washington de reafirmar sua “histórica influência” na América Latina, inclusive por meio de acordos militares, em contrapartida à crescente presença chinesa.

Perfis dos Candidatos e a Fragmentação da Direita e Esquerda

No espectro da direita, além de Fujimori, despontam figuras como Rafael López Aliaga, conhecido como “Porky”. Ex-prefeito de Lima, Aliaga é frequentemente comparado a Donald Trump ou Javier Milei, combinando um discurso ultraconservador com uma defesa radical do livre mercado. Outro nome relevante nesse campo é o humorista Carlos Álvarez, que também figura entre os mais votados.

O campo da esquerda apresenta um cenário ainda mais pulverizado, com diversos candidatos pontuando em torno de 5% das intenções de voto. Entre eles, destacam-se o deputado Roberto Sánchez, ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo de Pedro Castillo e que conta com seu apoio, e Vladimir Cerrón, líder do partido Peru Livre, que elegeu Castillo, mas que rompeu com o ex-presidente no início de seu mandato.

Outros nomes importantes nesse segmento incluem Ricardo Belmont, que foi prefeito de Lima entre 1990 e 1995, e o economista Alfonso López-Chau, ex-diretor do Banco Central entre 2006 e 2012. A proximidade numérica entre todos esses candidatos, inseridos dentro da margem de erro das pesquisas, acentua a imprevisibilidade do resultado, conforme avaliado pelo professor Gustavo Menon, que alerta para o risco de a fragmentação política comprometer a governabilidade do futuro presidente, tornando incerta a composição do segundo turno.

Conclusão: Um Mandato Desafiador à Vista

A eleição deste domingo no Peru não é apenas uma disputa por cargos, mas um referendo sobre a capacidade do país de superar sua prolongada crise política. A fragmentação partidária, a incerteza quanto ao segundo turno e os desafios de governabilidade em um Congresso possivelmente dividido indicam que o próximo presidente enfrentará um mandato extremamente complexo. A nação aguarda com expectativa os resultados, ciente de que o caminho à frente exigirá liderança robusta e consensos para navegar as águas turbulentas da política interna e das pressões geopolíticas externas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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