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Ano Mais Mortal para Jornalistas: Conflitos e Impunidade Ceifam 129 Vidas em 2025, Com Israel Responsável por Dois Terços

Dinael Monteiro
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© Hatem Khaled/Reuters/proibida reprodução

O ano de 2025 marcou um período alarmante e sem precedentes para a liberdade de imprensa global, com 129 profissionais de comunicação mortos no exercício da profissão. Este número representa o mais alto já documentado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em mais de três décadas de monitoramento. O relatório da organização não-governamental, divulgado nesta quarta-feira, aponta que a vasta maioria dessas mortes ocorreu em zonas de conflito, e que as Forças de Defesa de Israel foram responsáveis por mais de dois terços dos casos, destacando a extrema vulnerabilidade dos repórteres em cenários de guerra e a urgência de proteção.

Escalada da Violência: Um Recorde Sombrio Global

A estatística de 129 jornalistas assassinados em 2025 não é apenas um número, mas um triste marco que ressalta a deterioração das condições de segurança para a imprensa em todo o mundo. Desse total, impressionantes 104 mortes estiveram diretamente ligadas a conflitos armados, evidenciando a crescente letalidade de coberturas em zonas de guerra e o aumento dos combates globais. A concentração da violência é notável: cinco países – Israel, Sudão, México, Rússia e Filipinas – foram palco de 84% de todas as fatalidades, sublinhando a gravidade da situação em regiões específicas, mesmo que a crise em Gaza tenha dominado os números. O aumento de profissionais de imprensa mortos na Ucrânia e no Sudão também contribuiu para esta alta histórica.

Gaza no Epicentro: O Alto Preço da Cobertura Jornalística

A maior parte da tragédia humanitária e profissional de 2025 concentrou-se no conflito entre Israel e o território sitiado de Gaza. O CPJ atribui diretamente 86 das 129 mortes, ou seja, dois terços do total, às Forças de Defesa de Israel. A esmagadora maioria dessas vítimas eram jornalistas palestinos, que arriscavam suas vidas para informar sobre a guerra. O relatório enfatiza que tais atos violam o direito internacional humanitário, que garante a proteção de profissionais de imprensa como civis, proibindo que sejam alvos deliberados e protegendo o acesso à informação durante os combates.

Casos Emblemáticos de Violência em Gaza

Entre os casos mais chocantes citados pela organização, estão os de Hossam Shabat, correspondente de 23 anos da Al Jazeera, morto em março de 2025 em um ataque israelense a seu carro no norte de Gaza. Apesar de Israel o ter acusado de ser um atirador do Hamas sem apresentar provas, Shabat era conhecido por sua cobertura incansável do conflito. Outra vítima foi Anas al-Sharif, também da Al Jazeera, que havia alertado publicamente sobre ameaças à sua vida após difamações infundadas. Ele foi assassinado em agosto de 2025, junto a outros jornalistas, em um ataque a uma tenda de imprensa próxima ao Hospital Al-Shifa, ilustrando a perigosa realidade enfrentada pelos repórteres no terreno e a persistência dos ataques direcionados.

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Além dos Conflitos: Impunidade e Regimes Hostis

Embora os conflitos armados sejam um fator preponderante, o CPJ destaca que a impunidade generalizada é um dos principais motores por trás do aumento global de assassinatos de jornalistas. A organização denuncia a falta de investigações transparentes e a inação dos líderes governamentais em proteger a imprensa e responsabilizar os agressores. Esta cultura de impunidade cria um ambiente permissivo para ataques, mesmo em países não diretamente envolvidos em guerras. O relatório também aponta para a fragilidade do estado de direito, a atuação de facções criminosas e a presença de líderes políticos corruptos como elementos que propiciam a violência contra jornalistas em nações como Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Índia, México, Nepal, Peru, Filipinas, Paquistão e Arábia Saudita, onde, em alguns casos, as mortes de profissionais de imprensa tornaram-se alarmantemente comuns ao longo da última década, com pelo menos um jornalista morto anualmente em México e Índia nos últimos 10 anos, e em Bangladesh, Colômbia e por Israel nos últimos cinco.

Novas Ameaças: A Ascensão dos Ataques por Drones

Uma preocupante tendência observada em 2025 foi o drástico aumento de ataques a jornalistas utilizando drones. O número de óbitos resultantes de tais incidentes saltou de apenas duas mortes em 2023 para 39 no ano passado. A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 2022, tem sido um catalisador para essa nova forma de agressão. Em 2025, a Rússia intensificou o uso de drones para atacar civis, incluindo jornalistas, na Ucrânia, sendo responsável pela morte dos quatro profissionais de imprensa que pereceram no país naquele ano. Este dado sublinha a evolução das táticas de combate e o perigo crescente que elas representam para a cobertura jornalística, transformando o espaço aéreo em uma nova fronteira de risco.

Um Alerta Global para a Liberdade de Informação

A presidente do CPJ, Jodie Ginsberg, enfatiza que os ataques à imprensa são um indicador crucial de ataques mais amplos às liberdades civis, e que a necessidade de acesso à informação nunca foi tão premente. A morte de jornalistas, muitas vezes silenciados por veicularem notícias, coloca em risco a capacidade da sociedade de se manter informada e de responsabilizar seus governantes. O relatório conclama por uma ação global mais decisiva para prevenir esses assassinatos e garantir a punição dos perpetradores, pois a impunidade não apenas perpetua a violência, mas também mina a fundação da democracia e o direito de todos à verdade. Quando os jornalistas são atacados, a sociedade como um todo é prejudicada, perdendo uma voz essencial para a transparência e a justiça.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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