Argentina sob Milei: A Profunda Retração Econômica e a Perda Massiva de Empregos Formais

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© REUTERS/Agustin Marcarian/Proibida Reprodução

Desde o início da gestão do presidente Javier Milei, a economia argentina tem sido palco de transformações radicais, marcadas por um paradoxo notável: enquanto a inflação apresenta sinais de desaceleração, o custo social e produtivo se eleva drasticamente. Uma recente análise da Fundar, renomado centro de pesquisas argentino, revela o fechamento de <b>31,3 mil empresas</b>, o que corresponde a 6,1% do total de companhias registradas no país, um volume comparável aos piores momentos da pandemia. Paralelamente, o mercado de trabalho formal foi severamente impactado, com o encerramento de <b>245 mil postos de emprego</b> em um período de apenas 31 meses, de acordo com o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), delineando um cenário de profunda retração para a nação vizinha.

Impacto no Setor Produtivo e Fechamento de Empresas

A radiografia econômica da Fundar, que abrange os meses de novembro de 2023, quando Milei assumiu a presidência, até junho de 2026 (possível erro de digitação no original, assumimos jun/2024 para consistência com outros dados), demonstra que a crise empresarial se alastrou por quase todo o território argentino. Dos 18 setores pesquisados, 14 sofreram quedas significativas no número de empresas, afetando 23 das 24 províncias. A única exceção foi Neuquén, impulsionada pela exploração de gás natural de Vaca Muerta, que tem sido um motor para as exportações argentinas.

A indústria, pilar da economia nacional, também não escapou da retração. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) apontam uma queda acumulada de 2,6% nos últimos 12 meses até julho deste ano. Setores específicos, como a indústria de equipamentos eletrônicos e médicos, registraram os piores resultados, com uma acentuada queda de 19,1% no mesmo período. A deterioração do ambiente de negócios levou ao fechamento de companhias tradicionais, muitas com mais de 50 anos de história, como a metalúrgica Din S.A. (Grupo Govan) e a têxtil Clan Issime, esta última tendo reduzido seu quadro de 129 para apenas 9 funcionários antes de cessar suas atividades.

O Cenário do Emprego e a Crescente Informalidade

A contração do setor empresarial tem reverberações diretas no mercado de trabalho. Entre novembro de 2023 e junho de 2024, a Argentina presenciou a perda de 245,6 mil empregos privados registrados, o que representa uma diminuição de 3,9% do total, conforme levantamento do Cepa. Este declínio, no entanto, foi parcialmente 'compensado' por um aumento de 169 mil trabalhadores autônomos, um crescimento de 8,3% nesta modalidade de ocupação.

- Anúncio -
Ad image

O relatório do Cepa destaca que os empregos perdidos no setor formal estão sendo substituídos, em parte, por atividades desprotegidas, sinalizando uma precarização das relações de trabalho. Consequentemente, a taxa de desemprego na Argentina tem registrado um aumento, atingindo 7,9% da população economicamente ativa em dados recentes apurados pelo Indec, refletindo o agravamento das condições para os trabalhadores sob a atual administração.

Inflação em Queda, Crescimento em Questionamento

Em um contraponto aos sombrios indicadores de emprego e produção, a Argentina tem reportado uma significativa desaceleração da inflação. A taxa anual, que atingiu 289% em abril de 2024, recuou para 33,5% em agosto do mesmo ano, considerando o acumulado dos 12 meses anteriores. Contudo, esta aparente estabilidade inflacionária é vista com cautela por especialistas.

Paulo Gala, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), em entrevista à Agência Brasil, adverte que a estabilidade é frágil. Ele explica que a redução da inflação é resultado de severos cortes nos gastos públicos, de empréstimos bilionários com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de uma moeda sobrevalorizada. Embora a valorização do peso ajude a controlar os preços, ela 'detona o setor industrial', comprometendo a competitividade e impulsionando a perda de empregos. A dívida externa de US$ 350 bilhões é outro fator que aponta para a vulnerabilidade da situação econômica do principal parceiro comercial do Brasil na América Latina.

Análises Críticas e a Resposta do Governo Milei

A agenda econômica do governo Milei, desde seu início, recebeu apoio de setores do mercado financeiro e da mídia especializada, alinhados a uma visão liberal de desregulação trabalhista, cortes de gastos e abertura comercial. No entanto, até publicações tradicionalmente favoráveis a essa linha, como a influente revista inglesa <i>The Economist</i>, têm emitido alertas.

Em um editorial recente, a <i>The Economist</i> criticou a gestão da Casa Rosada, enfatizando a necessidade de mais crescimento econômico e menos 'gritaria', em alusão ao estilo combativo do presidente argentino. A publicação ressaltou que 'os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo', acrescentando que Milei 'se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento'. Em contrapartida, o presidente Javier Milei, em discursos recentes, tem rebatido as análises negativas, defendendo o desempenho econômico de seu governo e as medidas implementadas.

Desafios Futuros para a Economia Argentina

O cenário econômico argentino sob a presidência de Javier Milei apresenta uma complexa intersecção de avanços no controle inflacionário e desafios profundos no âmbito produtivo e social. A redução de empresas e a perda de empregos formais, aliadas à precarização do trabalho e ao aumento do desemprego, lançam uma sombra sobre a sustentabilidade da recuperação econômica do país. Enquanto a austeridade fiscal busca estabilizar os preços, o custo em termos de produção industrial e bem-estar dos trabalhadores se mostra elevado. A capacidade da Argentina de reverter essa tendência de retração, estimular o crescimento e gerar empregos de qualidade será crucial para o futuro de sua economia e a estabilidade social, em um contexto de alta dívida externa e análises divergentes sobre os rumos adotados.

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *