Ad imageAd image

Chacina do Tapanã: Brasil é Condenado pela Corte Interamericana por Negligência em Violação de Direitos Humanos

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© glukan/Pixabay

O Brasil foi formalmente notificado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) acerca de uma sentença que o responsabiliza pela negligência no caso da Chacina do Tapanã, ocorrida em Belém (PA) no ano de 1994. A decisão, que aponta graves violações de direitos humanos contra três jovens na época, representa um marco significativo na busca por justiça e prestação de contas no país.

A Condenação Internacional e a Responsabilidade do Estado Brasileiro

A sentença da CIDH, emitida por um colegiado de seis magistrados de diversas nacionalidades, apurou a responsabilidade parcial do Estado brasileiro na violação dos direitos à integridade pessoal, à proteção e às garantias judiciais. A Corte constatou que houve um processo falho, agravado pela admissão do uso de estereótipos negativos e discriminatórios contra jovens afrodescendentes, em situação de pobreza e moradores de comunidades periféricas. Além das vítimas diretas, a Corte também reconheceu e condenou o sofrimento impingido a Sheila Rosângela Melo Mendes, mãe de dois dos jovens assassinados, que teve sua dignidade e integridade afetadas pela ineficácia do sistema de justiça.

As Medidas Reparatórias Determinadas pela Corte

Para mitigar os danos e buscar a não repetição de tais eventos, a Corte Interamericana de Direitos Humanos impôs ao Brasil uma série de medidas reparatórias. Entre as determinações, está a realização de um ato público de reconhecimento de responsabilidade por parte do Estado, simbolizando o pedido de desculpas e a assunção dos erros. Adicionalmente, foi estabelecida a criação de um espaço de diálogo interinstitucional no estado do Pará, visando aprofundar a compreensão das causas da impunidade em casos de violência policial e discriminação racial, social e geográfica, propondo soluções concretas. Finalmente, o país deverá desenvolver e implementar um sistema robusto para a coleta de dados e estatísticas detalhadas sobre a investigação e judicialização de ocorrências de violência policial com desfechos letais, buscando transparência e eficácia na apuração.

O Contexto da Chacina do Tapanã: Uma Revisão do Caso

O trágico episódio que culminou na Chacina do Tapanã remonta a 13 de dezembro de 1994, no bairro homônimo em Belém (PA). Na ocasião, uma operação policial, deflagrada após o assassinato de um agente da Polícia Militar, resultou na morte violenta de Max Cley Mendes, de 17 anos, e seu irmão Marciley Roseval Melo Mendes, de 16. Ambos foram algemados, brutalmente agredidos e executados com cinco disparos cada. Luiz Fábio Coutinho da Silva, então com 18 anos, levado ao local para um suposto reconhecimento de suspeitos, também foi vitimado por três tiros. O desdobramento judicial em âmbito nacional foi marcado por extrema morosidade: o processo contra 21 policiais militares, acusados de homicídio qualificado, foi iniciado somente em fevereiro de 1997. Decorridos 12 anos, em 2009, 17 acusados foram submetidos a júri popular, e as sentenças finais só vieram nove anos depois, em agosto de 2018, culminando na absolvição de todos os policiais. O desfecho gerou controvérsia, especialmente após a promotora de justiça responsável declarar que não recorreria da decisão e ainda parabenizar a defesa.

- Anúncio -
Ad image

O Posicionamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Diante da condenação internacional, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil emitiu uma nota, ressaltando o recebimento da sentença e o compromisso em analisá-la detalhadamente para garantir sua execução integral. A pasta enfatizou que a implementação das medidas reparatórias será guiada pela centralidade das vítimas e pelo respeito inabalável à sua dignidade. O ministério vê a decisão da CIDH como uma crucial oportunidade institucional, capaz de impulsionar e fortalecer políticas públicas voltadas para a igualdade racial, aprimorar o sistema de Justiça e consolidar o compromisso do Estado com a não discriminação e a proteção abrangente dos direitos humanos, transformando um capítulo doloroso em um catalisador para avanços sociais e jurídicos.

A condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Chacina do Tapanã reafirma a importância da vigilância internacional sobre a garantia dos direitos humanos e a responsabilização estatal. Este veredito não apenas busca reparação para as vítimas e seus familiares, mas também serve como um lembrete contundente da necessidade de um sistema de justiça eficaz, equitativo e livre de preconceitos, especialmente em contextos de violência policial e vulnerabilidade social. É um chamado para que o Estado brasileiro reforce seu compromisso com a proteção da vida e da dignidade de todos os seus cidadãos, transformando lições do passado em pilares para um futuro mais justo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *