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Crise Migratória Global: Quase 8 Mil Mortes Registradas em 2025, Com Subnotificação Preocupante, Alerta OIM

Dinael Monteiro
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© Reuters/Jose Luis Gonzalez/Proibida reprodução

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgou um relatório alarmante indicando que pelo menos 7.667 pessoas morreram ou desapareceram em rotas migratórias perigosas ao redor do mundo no ano de 2025. Contudo, a organização adverte que este número é significativamente subestimado, uma vez que cortes severos no financiamento internacional têm comprometido o acesso humanitário e a capacidade de rastrear adequadamente as mortes.

A OIM destaca que a diminuição das vias legais para a migração empurra um número crescente de indivíduos vulneráveis para as mãos de contrabandistas, à medida que países como os Estados Unidos e nações europeias intensificam a fiscalização e investem pesadamente em medidas de dissuasão. A diretora-geral da organização, Amy Pope, classificou a perda contínua de vidas como uma 'falha global' que não pode ser normalizada, enfatizando a urgência de expandir rotas seguras e regulares.

Paradoxo das Estatísticas: Menos Registros, Não Menos Tragédias

Embora o número oficial de mortes registradas em rotas migratórias tenha diminuído para 7.667 em 2025, em comparação com quase 9.200 em 2024 – o que pode sugerir uma queda nas tentativas de viagens irregulares perigosas, especialmente nas Américas – a OIM ressalta que essa redução é enganosa. Na realidade, o declínio reflete uma severa limitação no acesso à informação e uma acentuada falta de financiamento, que dificultaram os esforços cruciais para monitorar e registrar as mortes.

A organização, sediada em Genebra, é uma das várias entidades humanitárias duramente atingidas por cortes substanciais de financiamento, particularmente dos Estados Unidos. Tais restrições orçamentárias forçaram a OIM a reduzir ou mesmo encerrar programas vitais, impactando gravemente a assistência a migrantes e a capacidade de documentar a verdadeira extensão das perdas humanas em trânsito.

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As Rotas Mais Letais: Um Panorama da Desesperança

As rotas marítimas continuam a figurar entre as mais letais para os migrantes. O Mediterrâneo registrou a morte ou o desaparecimento de pelo menos 2.108 pessoas em 2025, enquanto a perigosa rota atlântica em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, ceifou a vida de 1.047 indivíduos. Essas travessias oceânicas são marcadas por condições extremas e embarcações precárias, frequentemente superlotadas e sem condições mínimas de segurança.

Longe do mar, outras regiões também testemunharam tragédias em massa. A Ásia contabilizou cerca de 3.000 mortes de migrantes, com mais da metade das vítimas sendo de nacionalidade afegã, fugindo de conflitos e da instabilidade política. No Chifre da África, a rota do Iêmen para os Estados do Golfo se mostrou particularmente mortal, com 922 óbitos registrados, um aumento acentuado em relação ao ano anterior. Quase todas essas vítimas eram etíopes, muitos dos quais pereceram em três naufrágios de grande porte, destacando os riscos extremos enfrentados por aqueles que buscam uma vida melhor.

O Apelo Urgente da OIM por Vias Legais e Proteção

A diretora-geral da OIM, Amy Pope, reiterou que as mortes nas rotas migratórias não são um destino inevitável. Segundo ela, quando as vias seguras e regulamentadas estão inacessíveis, as pessoas são compelidas a empreender jornadas perigosas e a cair nas mãos de redes de contrabando e tráfico humano, expondo-se a riscos inimagináveis. A organização enfatiza que a solução passa por uma mudança de paradigma nas políticas migratórias globais.

A OIM clama por uma ação imediata e coordenada da comunidade internacional para expandir significativamente as rotas migratórias seguras e regulares. O objetivo é garantir que pessoas em necessidade de proteção, independentemente do seu status migratório, possam ter acesso a caminhos dignos e seguros, desmantelando a lógica que alimenta as redes criminosas e prevenindo a perda de mais vidas em travessias desumanas.

Conclusão: Um Desafio Humanitário Urgente

O relatório da OIM sobre as quase 8 mil mortes em rotas migratórias em 2025 não é apenas uma estatística, mas um sombrio lembrete de uma crise humanitária global em curso. A subnotificação de óbitos, impulsionada por cortes de financiamento, adiciona uma camada de urgência a este cenário, indicando que a verdadeira dimensão da tragédia é ainda maior do que os números oficiais sugerem.

A incapacidade de oferecer alternativas seguras e a persistência em políticas de dissuasão apenas exacerbam o sofrimento humano. A chamada da OIM por rotas legais e proteção não é apenas um apelo à compaixão, mas um imperativo para a comunidade internacional enfrentar a complexidade da migração com uma abordagem que priorize a dignidade e a vida humana acima de tudo, transformando uma 'falha global' em uma oportunidade de solidariedade e responsabilidade compartilhada.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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