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EUA Ameaça Ação Unilateral na América Latina em Combate a Cartéis, Reafirmando Doutrina Monroe

Dinael Monteiro
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© U.S. Southern Command/Divulgação

Os Estados Unidos sinalizaram uma postura mais assertiva em relação à América Latina, com o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, participando de uma conferência focada no combate a cartéis. Durante o evento, que reuniu representantes de dezesseis nações latino-americanas, Washington reiterou seu compromisso com a cooperação regional, mas também proferiu uma explícita ameaça de “agir sozinho, se necessário”, uma declaração que levanta sérias preocupações sobre a soberania dos países da região e remete a antigas políticas intervencionistas.

A Revitalização da Doutrina Monroe: O 'Corolário Trump'

A política externa norte-americana para o hemisfério ocidental foi delineada sob a égide do que tem sido chamado de 'Corolário Trump à Doutrina Monroe'. Incluída na Estratégia de Segurança Nacional, anunciada em dezembro, essa diretriz reafirma a doutrina original de 1823 e sublinha a 'proeminência' de Washington sobre as Américas. Segundo Pete Hegseth, a intenção é garantir “acesso irrestrito a áreas estratégicas e ao comércio” para o desenvolvimento das nações parceiras, enquanto se impede que “potências externas ameacem nossa paz e independência em nossa região comum”. Este posicionamento sinaliza uma busca por hegemonia regional e uma restrição à autonomia diplomática dos países latino-americanos.

O Dilema: Cooperação Proposta versus Ameaça Unilateral

A Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, liderada por Hegseth, ocorreu em Doral, na Flórida, na sede do Comando Sul dos EUA – setor das Forças Armadas responsável por monitorar a América Latina e o Caribe. Embora o secretário tenha enfatizado a preferência por uma abordagem conjunta, a ameaça de ação unilateral gerou um clima de apreensão. Entre os dezesseis participantes estavam Argentina, Guiana, Bolívia, Equador, Paraguai, Chile, Peru, Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Panamá e Trinidad e Tobago. A Argentina, por exemplo, confirmou a assinatura de acordos bilaterais que visam adaptar marcos jurídicos nacionais, em um movimento que sugere um alinhamento mais estreito com as diretrizes de Washington.

Combate aos Cartéis: Justificativa para Intervenção?

O combate aos cartéis de drogas foi apresentado como a principal justificativa para a iniciativa norte-americana. No entanto, especialistas como Ronaldo Carmona, professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra e pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), veem essa abordagem com ceticismo. Carmona classifica a retórica de Hegseth como uma “ameaça gravíssima”, argumentando que sob o governo Trump, tais ameaças frequentemente se materializam, citando exemplos na Venezuela e no Irã. O pesquisador sugere que os EUA estariam buscando “latino-americanizar” a questão das drogas, transformando-a em um pretexto para intervenções abertas, ao invés de focar na proteção de suas próprias fronteiras. Ele exemplifica com o caso venezuelano, onde a pauta do combate às drogas foi, em certo momento, secundarizada pela agenda do comércio petroleiro.

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Soberania Regional em Debate: As Reações de México e Brasil

A postura dos EUA gerou preocupação em importantes economias da América Latina, que defendem uma cooperação que respeite plenamente a soberania nacional. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, já salientou que o combate ao narcotráfico com Washington deve ser pautado pela “coordenação e sem subordinação, como iguais”. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu o combate ao narcotráfico na agenda de discussões com o governo norte-americano, mas o país mantém uma clara distinção entre as atividades policiais, voltadas ao combate ao crime organizado, e as atividades de Defesa, intrinsecamente ligadas à soberania territorial. Essa diferenciação brasileira contrasta com a tentativa dos EUA de militarizar a questão do combate às drogas, o que, para especialistas, representa um “constrangimento à soberania inaceitável” e busca vincular os países da região aos desígnios estratégicos de Washington, limitando suas relações com outros polos de poder global.

O cenário delineado pela recente conferência e pelas declarações do Secretário de Defesa norte-americano reflete uma renovada tensão entre a busca por influência e segurança por parte dos Estados Unidos e o anseio por autonomia e respeito à soberania por parte das nações latino-americanas. A balança entre a cooperação proposta e a ameaça de unilateralismo define um novo capítulo nas relações hemisféricas, exigindo cautela e uma firme defesa dos princípios de autodeterminação na região.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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