Ad imageAd image

Exposição Pioneira de Caru Brandi Celebra e Visibiliza a Cultura Trans no Rio de Janeiro

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Gabriela Puchineli/Divulgação 

O Rio de Janeiro é palco de um marco cultural significativo com a chegada da exposição individual “Fabulações transviadas de Caru Brandi”. Pela primeira vez na capital fluminense, o artista gaúcho transmasculino não-binário Caru Brandi apresenta seu trabalho, que ele define como um importante vetor de visibilidade para a cultura trans. A mostra, que ocupa o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) no Catete, não apenas abre o calendário 2026 do programa Sala do Artista Popular (SAP), mas também se estabelece como um espaço crucial para o reconhecimento e a celebração da arte produzida por e para a comunidade trans.

Um Marco na Inclusão Artística e Institucional

A estreia de Caru Brandi no Rio de Janeiro representa uma conquista para toda a comunidade trans, sendo a primeira pessoa trans a expor individualmente neste prestigiado centro cultural. O artista expressa sua profunda satisfação com essa “abertura de caminhos”, manifestando a esperança de que a iniciativa do CNFCP/Iphan se transforme em uma política de inclusão permanente, não só para a instituição, mas para outros espaços culturais da cidade. Essa valorização dos 'saberes trans' no contexto do folclore e da cultura popular amplia os horizontes do conhecimento artístico, promovendo um diálogo essencial e até então inédito na esfera pública carioca.

As 'Fabulações Transviadas': Arte que Questiona e Transforma

A exposição “Fabulações transviadas de Caru Brandi” convida o público a mergulhar em um universo visual que explora a transição de gênero de maneira lúdica e, ao mesmo tempo, profundamente crítica. A mostra é composta por cerâmicas e pinturas que integram tanto o acervo pessoal do artista quanto obras criadas especialmente para a Sala do Artista Popular. As peças, que estarão disponíveis para venda, são um convite à reflexão sobre as múltiplas nuances da identidade transmasculina não-binária. O acesso é gratuito, com visitas de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h, no espaço localizado no Catete.

A Trajetória Criativa: Da Tatuagem à Arte-Educação

A jornada artística de Caru Brandi é intrinsecamente ligada à sua própria transição. Inicialmente, sua expressão artística se manifestava através da tatuagem e desenhos mais realistas. Contudo, a partir de 2018, em paralelo ao seu processo de transição de gênero e ao encontro com a comunidade transmasculina e não-binária, sua produção criativa passou por uma transformação radical, migrando para uma abordagem mais ficcional. Formado em Direito em 2021, Caru decidiu seguir sua verdadeira vocação, identificando na arte um caminho de coragem e conexão com sua identidade. Atualmente, ele aprofunda seus estudos em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atua como arte-educador na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, desde 2024, consolidando sua profissionalização e engajamento no campo artístico.

- Anúncio -
Ad image

Diálogo e Coletividade: Performances e o Legado Ballroom

Para enriquecer a experiência da mostra, a programação de abertura incluiu uma série de atividades interativas. O público pôde participar da oficina “Imaginários do barro”, conduzida pelo próprio Caru Brandi, que ofereceu uma imersão na escultura em cerâmica. Um dos pontos altos foi a performance com os artistas Maru e Kayodê Andrade, que trouxe à tona a potência da cultura ballroom. Essa expressão artística e social, nascida nos anos 70 como forma de resistência das populações LGBTQIA+, negras e latinas nos Estados Unidos, foi celebrada com intervenções, desfiles e dança. Maru, artista e ativista transmasculino não-binário, e Kayodê Andrade, modelo, ator e fundador do Coletivo TransMaromba, exemplificam o espírito de coletividade que Caru busca em sua arte. Para Caru, a presença desses artistas reforça a mensagem de que suas vivências artísticas, embora pessoais, refletem uma comunidade e abordam realidades muitas vezes invisibilizadas.

A exposição de Caru Brandi no CNFCP/Iphan transcende a mera exibição de obras de arte; ela se configura como uma plataforma vital para a educação e a desmistificação. Ao mostrar a diversidade das existências transmasculinas e não-binárias, Caru desafia percepções limitadas e promove um entendimento mais amplo. Sua arte e as atividades que a acompanham são um potente convite para reconhecer, celebrar e dialogar sobre a riqueza da cultura trans, reafirmando que a arte pode ser um poderoso agente de transformação social e um espelho para realidades que anseiam por visibilidade e respeito.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *