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Incidente no IEA-R1: Superaquecimento em Reator de Pesquisa Atrasa Produção de Radioisótopos no Ipen

Dinael Monteiro
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© Acervo IPEN/CNEN

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus Butantã da Universidade de São Paulo, enfrentou um incidente na última segunda-feira (23) com seu reator de pesquisa IEA-R1. O superaquecimento de componentes dos painéis de controle resultou na paralisação das atividades, com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) confirmando que a retomada das pesquisas e da produção de radioisótopos, vitais para a medicina e a agricultura, será atrasada. Apesar do ocorrido ter gerado fumaça e danos localizados, as autoridades competentes asseguraram que não houve risco de comprometimento da segurança nuclear ou vazamento de radiação.

Detalhes do Incidente e Resposta Imediata

Na tarde do dia 23, o superaquecimento dos painéis de controle levou à evacuação do edifício que abriga o reator IEA-R1. O incidente provocou fumaça e danificou parte da infraestrutura de controle, afetando diretamente a capacidade de retomar a produção de radioisótopos. A resposta foi rápida e coordenada: além da brigada de incêndio do Ipen, o Corpo de Bombeiros, equipes do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foram prontamente acionados para realizar as primeiras vistorias e garantir a segurança do local.

Investigação e Avaliação de Segurança

A Cnen informou que, até o momento, as causas do superaquecimento não foram totalmente diagnosticadas, mas confirmou que dois painéis de controle foram comprometidos. Para monitorar a qualidade do ar, a Cetesb foi acionada, e uma bomba foi emprestada para a remoção completa do ar do local, garantindo um ambiente seguro para os trabalhos internos. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) também conduziu vistorias nos dias 24 e 25, atestando que o incêndio foi de natureza localizada, afetando principalmente um conjunto de racks, cabeamento, uma seção do teto e uma cadeira, sem qualquer risco radiológico associado ao evento. É fundamental destacar que o reator IEA-R1 encontrava-se desligado no momento da ocorrência. Contudo, o Ipen/Cnen ressaltou que sistemas críticos, como os de refrigeração dos circuitos primário e secundário, e os de aquisição de dados operacionais, permaneceram energizados para assegurar as condições adequadas de segurança. Uma empresa especializada já foi contratada para elaborar o laudo técnico e o orçamento para a substituição dos painéis danificados, e os módulos de controle afetados passarão por uma avaliação técnica sob a supervisão e aprovação da ANSN, que também recomendou uma limpeza industrial especializada e acompanhará a reforma.

O Reator IEA-R1: Pioneirismo e Relevância Nacional

Com 68 anos de operação, o IEA-R1 é um reator de pesquisa que opera com um núcleo de urânio e possui 12 estações dedicadas a diversas aplicações. Ele é fundamental para a produção de elementos radioativos empregados na medicina nuclear – como o Tecnécio-99m, derivado do Molibdênio-99 – e na agricultura, além de ser um pilar para o desenvolvimento de pesquisas científicas e a formação de pessoal especializado. O reator já estava em processo de readequação desde o início de novembro do ano anterior, após a detecção de alterações em elementos refletores de grafite durante medições em um duto de irradiação. A equipe responsável pela operação optou pela suspensão imediata das atividades como uma medida prudencial, visando evitar a progressão de danos a componentes do núcleo, mesmo antes do incidente de superaquecimento.

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O Cenário da Pesquisa Nuclear no Brasil

O Brasil possui quatro reatores nucleares de pesquisa, todos sob a gestão da Cnen, com o IEA-R1 sendo o maior, possuindo uma potência licenciada de 5 MW. Essas infraestruturas são indispensáveis para a soberania tecnológica do país, atuando na produção de radioisótopos para diagnósticos e terapias médicas, no fornecimento de fontes radioativas para aplicações industriais, no avanço da pesquisa científica e na qualificação de profissionais da área. Em um movimento estratégico para expandir essa capacidade, um novo e mais moderno reator, com 30 MW de potência, está sendo construído em Iperó, também em São Paulo, com previsão de entrega até 2029. Este futuro empreendimento, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), garantirá a autossuficiência brasileira na produção do Molibdênio-99, além de possibilitar a nacionalização de outros radioisótopos e contribuir para o desenvolvimento de combustíveis nucleares e novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares.

Apesar do recente incidente no IEA-R1, que acarretará atrasos na produção e pesquisa, as ações rápidas das equipes de segurança e a ausência de riscos nucleares demonstram a robustez dos protocolos. O ocorrido reforça a importância dos investimentos contínuos em segurança, manutenção e expansão da infraestrutura nuclear de pesquisa no Brasil, um setor estratégico para a saúde, o avano científico e a independência tecnológica do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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