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Inhotim Celebra Duas Décadas Com Obras Que Revisitam História e Paisagem

Dinael Monteiro
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© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Instituto Inhotim, reconhecido como o maior museu a céu aberto da América Latina e um polo cultural vital em Brumadinho, Minas Gerais, iniciou neste sábado (25) as celebrações de seu 20º aniversário. O marco foi comemorado com a inauguração de três obras significativas: <mark>Contraplano</mark>, da artista Lais Myrrha; <mark>Dupla Cura</mark>, de Dalton Paula; e <mark>Tororama</mark>, de Davi de Jesus Nascimento. Essas novas adições prometem enriquecer ainda mais o acervo que já conjuga arte de renome internacional com uma exuberante flora.

Conectando Arte, Natureza e Educação na Narrativa de Inhotim

Segundo Júlia Rebouças, diretora artística do instituto, as novas instalações e exposições ressoam com a vocação primordial de Inhotim: a articulação entre arte, natureza e educação. Ela enfatiza que cada obra, à sua maneira, propõe uma reflexão profunda sobre o território que as abriga, a interação do visitante com o espaço e questões contemporâneas cruciais. A diretora salienta que os trabalhos também revisitam capítulos frequentemente obscurecidos da história recente, dialogando intrinsecamente com o vasto acervo construído ao longo dos vinte anos de existência do instituto. Para Rebouças, cada nova peça é uma ideia que se soma ao "enorme texto" que compõe a narrativa em constante evolução de Inhotim.

"Contraplano": Um Espelho da Paisagem Minerada em Inhotim

Localizada em um dos pontos mais elevados de Inhotim, a escultura monumental <mark>Contraplano</mark>, de Lais Myrrha, estabelece um diálogo visual com o icônico edifício projetado por Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Construída com lâminas de concreto armado e colunas de aço inoxidável, materiais emblemáticos da arquitetura moderna, a obra se projeta sobre os jardins do museu, a mata circundante e, notavelmente, sobre fragmentos das cavas de mineração nas regiões vizinhas.

O título da obra sugere um espelhamento dessa paisagem modificada pela intervenção mineradora. Lais Myrrha, artista mineira, revela sua intenção de provocar uma reflexão sobre a complexa relação entre arquitetura, paisagem, tempo, natureza, a presença das montanhas e os efeitos da mineração. Ela convida o público a ponderar sobre como as tecnologias modernas moldaram as formas de construção e como a topografia, incluindo as cavas de mineração, se manifesta no desenho de sua obra, deixando a interpretação final ao repertório de cada visitante.

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A instalação já impacta o público, como observado pela psicóloga Paola Prates, que, em sua quarta visita ao Inhotim, expressou sua admiração pela obra. Para ela, a localização estratégica de <mark>Contraplano</mark> cria um diálogo direto com a mineração, gerando uma experiência dual: enquanto a obra oferece conforto e frescor no ambiente do museu, ela simultaneamente evoca a memória e o impacto das atividades mineradoras na região.

"Dupla Cura": A Profundidade da Memória e da Ancestralidade Afro-Brasileira

Na Galeria Mata, uma das edificações pioneiras de Inhotim, o artista brasiliense Dalton Paula apresenta a exposição de longa duração <mark>Dupla Cura</mark>. A mostra é o mais abrangente conjunto de suas obras já exibido no Brasil, compreendendo cerca de 120 peças, entre pinturas, fotografias, vídeos e instalações. Estes trabalhos exploram profundamente temas como ancestralidade, memória e a valorização da rica cultura afro-brasileira.

Beatriz Lemos, curadora da exposição, esclarece que o título <mark>Dupla Cura</mark> remete a um pacto espiritual que permeia a mostra, inspirando-se na devoção a São Cosme e São Damião. Ela destaca que o aspecto dual da exposição reside na convicção de que o fortalecimento individual está intrinsecamente ligado ao bem-estar coletivo e comunitário.

Dalton Paula, cujo trabalho se desdobra em Goiânia, compartilha que a reflexão sobre a memória é um dos pilares de sua prática artística. A exposição, ao reunir obras desde 1999 até criações mais recentes, permite ao público acompanhar um aprofundamento contínuo em suas indagações. O artista descreve a mostra como uma espécie de "oráculo" que, ao perscrutar o passado, aponta caminhos e possibilidades para o presente e o futuro, conferindo grande importância à sua exibição para as futuras gerações.

As celebrações do 20º aniversário de Inhotim, com a inauguração dessas três obras, reafirmam o compromisso do instituto em ser um espaço de vanguarda para a arte contemporânea, onde a reflexão crítica e a valorização da diversidade cultural encontram um terreno fértil. As novas adições não apenas expandem o já impressionante acervo, mas também aprofundam o diálogo entre a arte, o ambiente natural e as complexas narrativas históricas e sociais do Brasil, consolidando Inhotim como um epicentro cultural e educacional de relevância inquestionável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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