Milhares de mulheres negras de todo o Brasil convergiram para Brasília nesta terça-feira, em uma demonstração de força e união na luta por seus direitos fundamentais. A marcha, que tomou a Esplanada dos Ministérios, visa destacar as demandas específicas dessa parcela significativa da população brasileira.
A ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes, ressaltou a representatividade das mulheres negras, que compõem 28% da população do país. “A nossa luta é pela reparação, é pela igualdade racial, é pela igualdade de gênero”, afirmou a ministra, estimando que cerca de 10 milhões de meninas e mulheres compartilham essa luta em todo o território nacional. Ela expressou o desejo de que a marcha inspire ações em todo o Brasil e no mundo.
Apesar do tempo chuvoso, a mobilização teve início ao meio-dia, com participantes como Lindalva Barbosa, servidora pública aposentada vinda de Salvador, Bahia. Ativista há quatro décadas, Lindalva enfatizou que a luta das mulheres negras por liberdade, justiça, saúde e pelo direito à vida é secular. “Eu vim marchar por reparação e bem viver para as mulheres negras e para todo o Brasil. Porque, quando as mulheres negras se movimentam, toda a sociedade se movimenta”, declarou, citando a influência de Angela Davis, renomada filósofa e escritora.
Participantes destacaram que a marcha revigora e fortalece os movimentos em defesa dos direitos da população negra. Ana Benedita Costa, educadora e coordenadora de uma escola de frevo de Recife, Pernambuco, compartilhou seu propósito: “Eu vim à marcha principalmente para nos fortalecer, mas acima de tudo para colher essa energia dessas mulheres. E para aprender também. Eu ando em marcha não só por mim, mas por todas nós”. Ela enfatizou a importância de valorizar e reconhecer a contribuição do povo negro para a cultura e a sociedade.
Ednamar Almeida, ialoxairá de Foz do Iguaçu, Paraná, destacou a luta contra a intolerância religiosa como sua principal motivação para participar da marcha. “Nós, mulheres de terreiro e mulheres negras, sentimos na pele a perseguição, a injustiça, a intolerância, o racismo, tanto nas nossas comunidades quanto no nosso dia a dia”, relatou.
Hellen Gabrielle Cunha Gomes da Silva, mulher trans residente em Brasília, uniu-se à marcha para dar visibilidade a causas cruciais para a sociedade. “Eu vim à marcha para compartilhar com a democracia, porque acho que a população tem um papel crucial nisso. Nossa população não se interessa tanto pela política e eu acho que, se nós fôssemos mais ativos nesse campo, a nossa situação seria bem melhor no país, com um todo”, explicou.
A marcha ocorre em um momento significativo, durante o mês em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro. O evento marca uma década desde a primeira Marcha das Mulheres Negras, em 2015, quando mais de 100 mil mulheres se reuniram em Brasília para protestar contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica, o feminicídio e buscar o bem-viver.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


