Nesta terça-feira (24), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizará o pagamento do sexto lote do seguro-defeso, injetando R$ 179,7 milhões na economia. Este montante se destina a 110.904 pescadores artesanais que cumprem os requisitos atualizados do programa, reforçando o compromisso governamental com a proteção ambiental e o sustento das comunidades pesqueiras.
Entenda o Seguro-Defeso e Seu Propósito
O seguro-defeso é uma medida essencial que garante uma renda fixa durante o período de paralisação da pesca, conhecido como defeso. Essa interrupção programada, que pode se estender por até cinco meses, é crucial para a preservação das espécies aquáticas, permitindo que completem seu ciclo reprodutivo sem interferência. Durante essa fase de proibição da atividade pesqueira, os beneficiários recebem um valor de R$ 1.621, oferecendo segurança financeira aos trabalhadores do setor.
Critérios de Elegibilidade e Abrangência Regional
Para ter direito ao benefício, o pescador deve atender a uma série de critérios rigorosos. É fundamental que a pesca seja sua única fonte de renda, não receba qualquer benefício previdenciário contínuo e resida em um dos municípios impactados pelo defeso. Além disso, a comprovação da atividade pesqueira é feita por meio do Relatório do Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), sendo indispensável possuir registro de pesca regular e inscrição ativa no Cadastro Único (CadÚnico). Atualmente, o programa abrange estados importantes para a pesca artesanal, como Bahia, Maranhão, Piauí, Pará e Amazonas.
Modernização e Combate a Irregularidades
Em um esforço para otimizar a gestão e mitigar fraudes, as exigências para o recebimento do seguro-defeso passaram por uma reformulação significativa em novembro do ano passado. Essa atualização teve como objetivo primordial reduzir pagamentos indevidos e garantir que o auxílio chegue a quem realmente necessita. Como parte dessas mudanças, a administração do programa foi reestruturada, não sendo mais gerida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora o índice de benefícios fraudulentos seja relativamente baixo em comparação com o pico de mais de 2 milhões de cadastros que o programa já alcançou, as consequências de tais irregularidades são consideráveis, justificando as novas diretrizes.
Balanço Atual e Perspectivas
Até o momento, o MTE já alocou um total de R$ 616,3 milhões para o pagamento do seguro-defeso. No período mais recente de análise de requerimentos, foram contabilizadas 1.198.473 solicitações. Os estados com maior número de pedidos refletem a vitalidade da pesca em suas regiões, com o Pará liderando (351.502), seguido por Maranhão (336.803), Amazonas (106.632), Bahia (81.765) e Piauí (63.025). O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou o empenho da pasta: “O MTE tem trabalhado para garantir o pagamento de todos os pedidos de seguro-defeso que passaram por análise criteriosa, assegurando o direito de quem realmente vive da pesca.”
A continuidade e aprimoramento do seguro-defeso demonstram o compromisso do governo em equilibrar a sustentabilidade ambiental com o apoio social às comunidades que dependem diretamente dos recursos hídricos. As recentes liberações de pagamentos e a modernização do programa reforçam a busca por eficiência e justiça social para os pescadores artesanais do país.


