Arte, Movimento e Resiliência: O Desafio ao Capacitismo no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Dinael Monteiro
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© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Nesta segunda-feira, 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o holofote se volta para a resiliência e a capacidade criativa de indivíduos que, por meio da arte e do movimento, desafiam o capacitismo e reafirmam seus direitos de cidadania. Histórias como as do fotógrafo Luciano Ambrósio e da estilista Juliana Santos emergem como poderosos testemunhos da força em superar barreiras, tanto as impostas pelo ambiente quanto as preconceituosas da sociedade, utilizando suas expressões artísticas como veículos de inclusão e protesto.

A Arte de Ver Além: A Lente Sensível de Luciano Ambrósio

Luciano Ambrósio, fotógrafo mineiro de 57 anos residente em Ceilândia (DF), personifica a capacidade de transcender desafios. Tendo perdido a visão aos 24 anos, ele encontrou na fotografia, há uma década, uma nova forma de interpretar e registrar o mundo. Sua técnica é singular: com o auxílio de um software de voz e um aplicativo de celular que descreve a imagem diante da câmera, Luciano mapeia seus arredores através do tato, do som e da percepção do ambiente, decidindo o momento exato do clique com base nessas informações.

Ele se prepara para lançar seu primeiro livro, 'Meu Olhar', uma obra independente de 120 páginas que combina suas fotografias com cem poesias. Luciano, que se mudou para Brasília em 2002 para estudar Biblioteconomia e atuar como assessor no Senado, descobriu sua paixão pela fotografia durante uma oficina inclusiva. Lá, a instrução para 'buscar aquela imagem do cotidiano que ninguém presta atenção' ressoou profundamente, levando-o a capturar a beleza em detalhes como uma folha seca, uma pedrinha, os reflexos da luz e da chuva, ou a dança das pessoas, pedindo que usem guizos para que possa localizá-las e imortalizá-las em suas imagens.

Desafios do Capacitismo e a Força do Convivio

Apesar de ter vivido a maior parte de sua vida sem a visão, Luciano Ambrósio afirma que a memória da beleza visual permanece vívida em sua mente, alimentando sua constante criação. Sua esposa, a cerimonialista Edna Teodoro, 54 anos, testemunha diariamente sua inesgotável capacidade criativa e animação, descrevendo o convívio como um grande aprendizado. Contudo, ela também lamenta episódios frequentes de capacitismo, como quando, em um lanche no shopping, uma atendente se dirigiu a ela para saber o pedido de Luciano, subestimando sua capacidade de comunicação direta.

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Este tipo de experiência, infelizmente comum, ressalta a importância de datas como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que visa enfatizar a visibilidade e os direitos de cidadania. O capacitismo não se manifesta apenas em interações cotidianas, mas também em condições estruturais. Dados recentes do IBGE, por exemplo, revelam que pessoas com deficiência enfrentam piores condições de moradia e têm uma renda que equivale a apenas 70% do rendimento de pessoas sem deficiência, evidenciando as profundas desigualdades a serem combatidas.

Moda como Manifesto: A Luta de Juliana Santos por Justiça

De Goiás, mas radicada em São Paulo, a estilista Juliana Santos, 40 anos, também utiliza sua arte como forma de expressão e combate. Com 12 anos de carreira e mais de 2.300 vestidos produzidos, ela se viu obrigada a entrar com uma ação judicial para buscar reparação por uma série de ataques virtuais que sofreu. Esses comentários, que visavam diretamente sua condição de pessoa com deficiência, impactaram severamente sua atividade profissional, resultando em cancelamentos de contratos e uma drástica queda na produção.

Os números de sua produção ilustram o dano: de 678 vestidos em 2024 (ano em que a perseguição começou), a projeção para 2025 caiu para apenas 68 dos 127 inicialmente previstos, com apenas 28 contratos fechados para 2026. Juliana exige 'paz novamente' e uma resposta das autoridades, afirmando que sua arte é seu sustento e o de seus filhos. Ela também relata que um inquérito por calúnia, perseguição e stalking está em andamento há mais de um ano sem desfecho. Como parte de sua luta, a estilista apresentará, nesta segunda-feira, um vestido que serve como manifesto contra o capacitismo nas redes.

Vozes que Rompem o Silêncio e Inspiram Transformação

As histórias de Luciano Ambrósio e Juliana Santos são mais do que relatos individuais de superação; são exemplos contundentes de como a arte e a persistência podem desafiar o capacitismo e promover a inclusão. Em um dia dedicado à luta e à conscientização, suas trajetórias sublinham a importância de reconhecer e valorizar a diversidade de talentos e perspectivas. Ao transformarem suas vivências em manifestações artísticas, eles não apenas realizam seus sonhos e sustentam suas famílias, mas também pavimentam o caminho para uma sociedade mais justa e equitativa, onde o preconceito cede lugar ao respeito e à plena visibilidade dos direitos e potenciais de cada pessoa.

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