O cenário está montado para uma das finais mais aguardadas da Copa Libertadores da América, onde o Palmeiras buscará seu quarto título continental contra um velho conhecido: o Estudiantes de La Plata. Marcada para 28 de novembro no icônico Estádio Centenário, em Montevidéu, a decisão transcende a busca pela glória atual, configurando-se como uma eletrizante revanche de um confronto histórico que moldou a trajetória de ambos os clubes há 58 anos. Além do troféu, a partida carrega o peso de definir qual nação – Brasil ou Argentina – isolará sua hegemonia no ranking de conquistas do torneio.
O Eco de 1968: Uma Revanche no Palco do Bi
A memória da final de 1968 ressurge com força para o Alviverde. Naquela ocasião, o Estudiantes, então em ascensão, conquistava o primeiro de seus quatro títulos continentais ao superar um Palmeiras que fazia sua estreia em decisões da Libertadores. A derrota marcou profundamente o clube paulista, que agora, no mesmo Estádio Centenário – palco de sua memorável vitória em 2021 contra o Flamengo –, tem a oportunidade de reescrever a história e alcançar o tão almejado tetracampeonato. A capital uruguaia, portanto, não é apenas um local, mas um símbolo de triunfos passados e uma chance de redenção para o Verdão.
A Surpreendente Eliminação Rubro-Negra
A expectativa geral para esta edição da Libertadores apontava para uma final brasileira, especialmente para um terceiro encontro entre Palmeiras e Flamengo, o que seria um feito inédito na história do torneio. No entanto, o rubro-negro carioca não conseguiu cumprir sua parte no roteiro. Diante de um Maracanã lotado com cerca de 70 mil torcedores, o Flamengo empatou sem gols com o Estudiantes no tempo normal, replicando o placar da partida de ida em La Plata, mesmo tendo atuado com um homem a mais por quase todo o segundo tempo. A definição veio nos pênaltis, onde a equipe argentina, liderada pelo goleiro Fernando Muslera, brilhou. Muslera, com defesas cruciais sobre as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, garantiu a vitória por 3 a 2, silenciando a torcida e abrindo caminho para o Estudiantes.
O Caminho Palmeirense à Decisão
A trajetória do Palmeiras até a final foi igualmente dramática e exigiu superação. Na semifinal contra o Fluminense, o Verdão demonstrou resiliência. Após vencer a partida de ida no Maracanã por 2 a 1, a equipe alviverde sofreu uma derrota de 1 a 0 em casa, no Nubank Parque, levando a decisão para a marca da cal. Nos pênaltis, o goleiro Carlos Miguel se tornou o herói da noite ao defender a cobrança de Nonato, assegurando a vitória por 5 a 3 e a oitava presença do Palmeiras em uma final de Libertadores, mostrando a força e a capacidade de superação do elenco comandado por Abel Ferreira.
O Domínio Brasileiro e a Exceção de 2024
Desde 2019, o futebol brasileiro tem mantido uma presença ininterrupta nas finais da Copa Libertadores, consolidando uma era de domínio continental. Nesta sequência, a decisão de 2024 será apenas a terceira vez, em seis edições, que a final não será inteiramente disputada por clubes do Brasil. Exemplos desse protagonismo recente incluem o Flamengo, que levantou a taça contra o River Plate em 2019, e o Fluminense, que superou o Boca Juniors em 2023. A presença do Estudiantes neste ano quebra o padrão recente de finais exclusivamente brasileiras, mas não diminui a força dos clubes do país no cenário sul-americano.
A Disputa Histórica Pela Coroa Continental
Além do título do ano, a final de Montevidéu possui um significado ainda maior: ela irá desempatar a rivalidade histórica entre Brasil e Argentina pelo maior número de títulos da Libertadores. Atualmente, ambos os países acumulam 25 conquistas cada, uma paridade que o Brasil nunca conseguiu quebrar para se isolar no topo. A história mostra uma disputa acirrada: em 1963, o Brasil, com o bicampeonato do Santos, alcançou o Uruguai (Peñarol) em dois títulos. Dois anos depois, a Argentina, com as conquistas do Independiente, juntou-se a essa disputa. O Uruguai retomou a liderança em 1965, seguido pela Argentina que se igualou em 1967 (Racing) e se isolou em 1968 com o título do Estudiantes. Agora, em 2024, após décadas de perseguição, o Brasil tem a chance de, finalmente, desfrutar da liderança isolada, um feito que seria inédito em sua rica história no torneio.
A final da Libertadores de 2024 promete ser um espetáculo de emoções e simbolismos. Para o Palmeiras, é a chance de conquistar o tetracampeonato e, ao mesmo tempo, vingar uma derrota histórica que remonta a 1968. Para o Estudiantes, é a oportunidade de reafirmar sua tradição copeira e frustrar as ambições brasileiras. Mas, acima de tudo, o confronto entre o Alviverde e o Pincharrata decidirá não apenas o campeão do ano, mas também o rumo da supremacia sul-americana no histórico ranking de títulos, garantindo que esta final seja lembrada por muito tempo como um marco no futebol do continente.

