A participação de todos os cidadãos é um pilar fundamental da democracia. Para assegurar que o exercício do voto seja um processo ágil, confortável e, acima de tudo, seguro, a legislação brasileira estabelece um conjunto robusto de direitos e prerrogativas voltados especificamente para pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. Tais medidas visam garantir a plena inclusão e a efetivação do direito de escolha para esses eleitores, promovendo um ambiente eleitoral mais justo e acessível.
Infraestrutura Acessível e Suporte Dedicado
A Justiça Eleitoral é incumbida de promover a acessibilidade em todos os locais de votação. Isso não se restringe apenas ao prédio onde as urnas estão instaladas, mas se estende ao seu entorno e aos sistemas de transporte que dão acesso. Para garantir a efetividade dessas condições, cada local de votação conta com um coordenador de acessibilidade, cuja função primordial é verificar antecipadamente se as condições de acesso à cabine de votação são adequadas, providenciando correções se necessário, e, no dia do pleito, oferecer orientação e assistência a quem precisar.
Alocação Estratégica e Prazos Essenciais
Com o objetivo de eliminar barreiras arquitetônicas, a Justiça Eleitoral procura alocar eleitores com necessidades especiais em seções localizadas preferencialmente em pavimentos térreos, livres de escadarias ou portas estreitas. Para que essas providências sejam efetivas, é crucial que o eleitor informe sua condição de deficiência ou mobilidade reduzida com antecedência, respeitando prazos estabelecidos – geralmente 90 dias antes do primeiro turno. Comunicações recebidas fora desse prazo são atendidas conforme a disponibilidade. Adicionalmente, o acesso a estacionamentos nos locais de votação é liberado para esses eleitores, e na ausência de estacionamento próprio, vagas próximas são designadas. Eleitores também podem solicitar a transferência para seções que atendam melhor às suas necessidades, contanto que o pedido seja feito até 151 dias antes do pleito.
Prioridade no Atendimento para Mais Agilidade
Para otimizar o fluxo nas seções eleitorais e minimizar o desgaste físico dos eleitores, a organização das filas prevê um sistema de atendimento preferencial. Os eleitores com 80 anos ou mais gozam de superprioridade, antecedendo até mesmo aqueles na faixa etária entre 60 e 79 anos. É importante lembrar que o voto torna-se facultativo a partir dos 70 anos de idade, mas o direito ao atendimento preferencial permanece inalterado, visando conforto e agilidade no processo.
As Categorias Beneficiadas
Além dos idosos, diversos outros grupos são contemplados com o atendimento prioritário, seguindo a ordem de chegada à fila para os que não se enquadram na superprioridade. Entre eles estão: candidatas e candidatos; juízas e juízes eleitorais e seus auxiliares; servidoras e servidores da Justiça Eleitoral; promotoras e promotores eleitorais e seus auxiliares; forças de segurança pública em serviço (militares, policiais, bombeiros, agentes de trânsito); pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; doentes; indivíduos com transtorno do espectro autista; pessoas obesas; gestantes e lactantes; eleitores com crianças de colo; e aqueles que acompanham outro eleitor integrante de um grupo prioritário. Doadores de sangue, com apresentação de comprovante dos últimos 120 dias, também têm direito à prioridade, sendo atendidos após os demais integrantes dos grupos prioritários.
Auxílio Personalizado na Hora de Votar
Eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida têm o direito de serem auxiliados por uma pessoa de confiança dentro da cabine de votação. Esse acompanhante pode, inclusive, digitar os números na urna eletrônica, sempre seguindo a orientação do eleitor. Esse apoio não requer cadastro prévio ou autorização judicial, dependendo apenas da avaliação e consentimento dos mesários no momento do pleito. Da mesma forma, pessoas com deficiência visual podem estar acompanhadas de seus cães-guia. Para eleitores com 60 anos ou mais, a permissão de acompanhamento é concedida se houver comprovada dificuldade de locomoção, flexibilidade, coordenação ou percepção, caracterizando uma necessidade similar aos outros grupos prioritários. Em todos os casos, a decisão final sobre a imprescindibilidade do auxílio e a autorização para o acompanhante entrar na cabine é do presidente da mesa receptora, com a ressalva de que o acompanhante não pode estar a serviço da Justiça Eleitoral.
O conjunto dessas garantias reflete o compromisso da Justiça Eleitoral em promover uma eleição verdadeiramente inclusiva, removendo barreiras e assegurando que todos os cidadãos, independentemente de sua idade ou condição física, possam exercer seu direito fundamental ao voto com autonomia e dignidade. Essas medidas são cruciais para fortalecer o processo democrático e garantir a representatividade de toda a sociedade brasileira.

