Ad imageAd image

Brasil e ONU-Habitat Lideram Compartilhamento de Soluções Urbanas Sustentáveis com o Sul Global

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Nilton Sousa/prefeitura de salvador

O Brasil, em parceria estratégica com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), está consolidando sua posição como um hub de inovação urbana, apresentando uma série de projetos bem-sucedidos que servem de inspiração e modelo para outros países em desenvolvimento, conhecidos como Sul Global. Essa iniciativa visa transformar desafios urbanos comuns em oportunidades de cooperação, destacando abordagens participativas, soluções baseadas na natureza e programas de empoderamento social que já demonstram resultados significativos em solo brasileiro.

Ilha de Maré: Planejamento Participativo e Desenvolvimento Quilombola

Um dos projetos selecionados para essa vitrine global é o “Planos de Bairro” implementado na Ilha de Maré, um bairro insular em Salvador, Bahia. A iniciativa, liderada pela Prefeitura local, teve como foco o desenvolvimento sustentável de 12 comunidades, incluindo seis reconhecidas como quilombolas, beneficiando aproximadamente 4 mil moradores. O diferencial do projeto reside em sua metodologia de integração, que reuniu líderes comunitários, o poder público, universidades e organizações locais em um processo colaborativo de diagnóstico e planejamento. Esse modelo participativo buscou não apenas enfrentar as desigualdades sociais, mas também valorizar a intrínseca relação dos moradores com o meio ambiente.

A pescadora quilombola Marizélia Lopes, residente da Ilha de Maré, ilustra essa conexão profunda: “A gente não enxerga a natureza só como um espaço de exploração, a gente tem uma relação, a gente não consegue desassociar o que é natureza da gente, da vida da gente. Então a gente é a natureza, né?”, enfatiza, sublinhando a importância de projetos que respeitem e fortaleçam os laços culturais e econômicos com o ecossistema local.

Recife: Jardins Filtrantes como Solução Baseada na Natureza

Outro exemplo notável vem de Recife, Pernambuco, com a implementação dos Jardins Filtrantes no Parque do Caiara. Desenvolvido pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries), em colaboração com a Prefeitura do Recife, este projeto inovador é uma demonstração de como a infraestrutura verde pode oferecer soluções eficazes para desafios ambientais urbanos. Em uma área de aproximadamente 7 mil metros quadrados, foram plantadas 7,5 mil plantas aquáticas nativas na foz do Riacho do Cavouco, criando um sistema natural que filtra a água antes que ela alcance o Rio Capibaribe.

- Anúncio -
Ad image

Além do impacto ambiental direto na qualidade da água, a intervenção trouxe benefícios significativos para a comunidade local. Gabriela Machado, moradora da região, compartilha o entusiasmo: “O Jardim do Caiara, inaugurado e renovado, é um espaço que posso curtir do lado da minha casa, um lugar da minha região, que traz valor para minha região.” Isso evidencia como soluções baseadas na natureza podem revitalizar espaços públicos e melhorar a qualidade de vida urbana.

Simetria Urbana: O Programa que Catalisa Boas Práticas

A seleção desses e de outros 14 projetos que compõem a iniciativa é fruto do Programa Simetria Urbana, lançado em 2023. Essa parceria estratégica entre o governo brasileiro, representado pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e o ONU-Habitat, tem como objetivo identificar, sistematizar e disseminar práticas urbanas exitosas. A chamada pública para inscrição de iniciativas foi abrangente, permitindo a participação de governos locais, instituições públicas, organizações da sociedade civil e comunidades.

Os projetos selecionados estão alinhados com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 11 da Agenda 2030 da ONU, que se concentra em tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. As áreas de intervenção abrangem um espectro amplo de temas, incluindo habitação digna, juventude, mobilidade urbana, planejamento participativo e a crucial pauta da igualdade de gênero.

Marias na Construção: Empoderamento Feminino e Geração de Renda

Em linha com o ODS 11 e o foco em igualdade de gênero, o programa “Marias na Construção”, também da Prefeitura de Salvador, é um exemplo potente de inovação social. A iniciativa visa qualificar e gerar renda para mulheres em situação de violência doméstica ou familiar, bem como outras vulnerabilidades sociais, oferecendo cursos na área da construção civil. Em apenas dois anos, mais de 600 mulheres foram capacitadas, abrindo novas perspectivas de autonomia e independência econômica.

Janaína dos Santos, uma das alunas do programa, reflete sobre o impacto em sua vida: “Já terminei um curso agora e vou começar outros dois. Aprendi muita coisa. Quero crescer na área. Futuramente, quero fazer um curso técnico, se assim Deus me permitir, fazer uma faculdade e ser uma grande mulher na construção”, projeta, demonstrando o poder transformador da qualificação profissional e do apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Brasil como Modelo de Cooperação Sul-Sul

A parceria entre o Brasil e o ONU-Habitat transcende a simples identificação de bons exemplos; ela visa estabelecer um modelo de cooperação Sul-Sul. A meta é que desafios urbanos semelhantes enfrentados por países em desenvolvimento possam ser superados através da exportação de soluções comprovadamente eficazes em território brasileiro. Para Laura Lacastagneratte de Figueiredo, arquiteta urbanista e analista de programas do ONU-Habitat, a publicação “Simetria Urbana” é fundamental nesse processo.

“Ao sistematizar soluções que já apresentaram resultados, amplia o potencial dessas experiências”, afirma Laura. Essa iniciativa não apenas valoriza as inovações brasileiras, mas as transforma em ferramentas concretas de intercâmbio de conhecimento e cooperação, fortalecendo a capacidade de resiliência e sustentabilidade urbana em escala global, especialmente no Sul Global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *