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Vila Isabel Resgata Dívida Histórica e Homenageia Heitor dos Prazeres no Carnaval 2026

Dinael Monteiro
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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Unidos de Vila Isabel se prepara para uma jornada de reconhecimento e celebração no Carnaval de 2026. A escola do bairro de Noel Rosa assumiu a missão de saldar uma dívida histórica com o samba carioca, dedicando seu enredo ao multifacetado Heitor dos Prazeres. Com o tema “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, a agremiação levará para a Marquês de Sapucaí a rica trajetória de um artista cuja importância para a cultura brasileira ainda não havia sido devidamente exaltada no Grupo Especial.

Heitor dos Prazeres: Um Pilar do Samba e da Arte Brasileira

Heitor dos Prazeres é uma figura monumental, cujo legado transcende as fronteiras da música e da pintura. Ele não apenas compôs e interpretou canções marcantes, mas também foi um pintor com estilo singular, costureiro e cenógrafo. Sua influência se estende à própria estrutura organizacional do carnaval, sendo reconhecido como fundador de cinco escolas de samba emblemáticas do Rio de Janeiro: Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca, Vizinha Faladeira e Deixa Falar. A ausência de uma homenagem integral a um artista de tal envergadura no Grupo Especial, conforme pontuaram os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, representava uma lacuna na história da folia.

A Construção de um Sonho: O Enredo de 2026

Sob a direção criativa dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que chegam à Vila Isabel neste ano, o enredo de 2026 se propõe a mergulhar nos diversos 'sonhos' de Heitor dos Prazeres, como se a própria escola estivesse sonhando junto. A inspiração para a temática surgiu de uma pesquisa aprofundada que a dupla realizou para uma exposição sobre o artista no CCBB RJ em 2023. Nesse processo, eles se depararam com a profunda convicção de Heitor de que 'samba é macumba, e macumba é samba', conceito que permeará toda a narrativa do desfile. A proposta, que encontrou forte sinergia com o pesquisador Vinícius Natal, parceiro anterior dos carnavalescos, foi prontamente abraçada pela escola.

A linha temática do desfile será dividida em setores que representam as diferentes identidades e fases da vida de Heitor. A passarela da Sapucaí verá a evolução do artista, desde o menino Lino, passando pelo Ogã Alabê-Nilu, o Mano Heitor do Cavaco, o afro-rei Pierrot, até o reconhecimento máximo de sua vida, quando foi aclamado como embaixador cultural e representou o Brasil no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar. Essa progressão busca ilustrar a amplitude de sua jornada pessoal e artística.

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Conexões com a Vila e a Espiritualidade de Heitor

A complexidade da vida e da obra de Heitor dos Prazeres apresenta um desafio à equipe, que busca condensar sua vasta produção em um único espetáculo. No entanto, o enredo também ressalta as conexões orgânicas entre o homenageado e a própria Vila Isabel. Martinho da Vila, um dos maiores ícones da escola, gravou 'Pierrô Apaixonado', uma composição de Heitor dos Prazeres em parceria com Noel Rosa, conhecido como o poeta da Vila. Essa ligação musical e poética será um dos elos que unirão o enredo à comunidade, celebrando Heitor como um cronista do cotidiano, tanto em suas pinturas quanto em suas composições.

Um aspecto fundamental que será explorado é a profunda religiosidade de Heitor dos Prazeres. Desde a infância, ele frequentou casas de candomblé, e foi no terreiro de sua madrinha, a lendária Tia Ciata — figura central para o surgimento do samba no Rio e para o fortalecimento da cultura negra —, que Heitor ascendeu à posição de Ogã Alabê-Nilu. Este título, que significa 'chefe dos tambores, aquele que toca e canta', destaca a importância de sua conexão espiritual e musical, que será vividamente retratada na avenida.

O Reposicionamento de um Gênio Além dos Rótulos

Um dos objetivos mais significativos deste enredo é promover uma revisão crítica e um reposicionamento da obra de Heitor dos Prazeres na história da arte brasileira. Os carnavalescos apontam que, por muito tempo, a produção artística de Heitor foi categorizada por rótulos como 'pintura naif' ou 'primitiva', termos que, segundo eles, são inadequados e desvalorizam sua genialidade. A Unidos de Vila Isabel busca elevar Heitor ao patamar de um grande pintor moderno, um legítimo representante da modernidade carioca e um pilar do projeto modernista brasileiro, que tem o samba como um de seus carros-chefes. Essa valorização póstuma visa corrigir uma injustiça histórica, concedendo ao artista o reconhecimento pleno por sua contribuição inovadora e multifacetada à cultura nacional.

Ao saldar essa 'dívida' com o carnaval e com a cultura, a Vila Isabel não apenas presta uma merecida homenagem a Heitor dos Prazeres, mas também convida o público a redescobrir a extraordinária complexidade de um artista cuja vida e obra são intrínsecas à identidade do samba e da arte nacional, reconfirmando seu lugar incontestável entre os grandes nomes do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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