O coração da capital paulista pulsou em ritmo de festa neste domingo de carnaval, com o circuito de blocos da República oferecendo uma experiência vibrante e diversificada. Longe da agitação dos megablocos, a região central se transformou em um palco de celebração familiar, onde a tradição encontrou a alegria contagiante de ritmos nordestinos, como o axé e o forró, marcando uma tarde de folia acessível e cheia de energia.
A Festa Pulsante no Coração da Cidade
Em meio à efervescência carnavalesca, o circuito da República destacou-se pela fluidez e pela atmosfera convidativa. Blocos como o ‘Domingo Ela Não Vai’ e o ‘Explode Coração’ atraíram uma multidão animada que, apesar do grande número, desfrutou de boa mobilidade e facilidade de acesso. A estudante de jornalismo Luma Gregória, que cresceu imersa no carnaval como membro da ala mirim da Tom Maior, expressou seu entusiasmo: “Está gostoso, para brincar com família e amigos. Alegre, tranquilo e com mais espaço do que em outros circuitos”. Luma, acompanhada por parentes e amigos, planejava seguir a folia embalada pelo axé, ritmo que, para ela, personifica a essência do carnaval.
Tradição e Novidade: O Axé que Anima e as Escolhas dos Foliões
A paixão de Luma pela folia se estende além do domingo. Com planos de desfrutar as marchinhas da Charanga do França na segunda e explorar outros bloquinhos de rua na terça, ela tem uma convicção: evitar os megablocos. Sua experiência no pré-carnaval na Consolação foi desfavorável, com aglomerações excessivas que dificultaram a movimentação. Enquanto isso, o circuito da República vibrava com a performance do Bloco Afro Tô na Rua. Com duas baterias, percussão no atabaque, guitarra, baixo, teclado e as vozes de Lia, Paula e Marcos, o grupo enfrentou o sol forte da tarde na Avenida São Luiz com a Consolação, mantendo o axé vivo e convidando os foliões a dançar, culminando em uma dispersão natural que aproveitou os estabelecimentos locais, normalmente fechados aos domingos.
Perspectivas Geracionais e a Busca pela Essência Carnavalesca
Próximo à Biblioteca Mário de Andrade, a Agência Brasil encontrou as irmãs Estela e Josy Madeira, observadoras atentas da evolução do carnaval paulistano. Estela, bibliotecária e ex-funcionária da Mário de Andrade, estava em seu terceiro bloco do fim de semana, com mais folia planejada. Ambas acompanham a festa há mais de uma década, desde antes da popularização dos blocos de rua. Elas notaram que os megablocos, embora imponentes, parecem esvaziar os circuitos mais tradicionais do centro, que ainda assim permanecem maiores do que na época em que o carnaval se concentrava na Tiradentes. Josy compartilhou a diversidade de suas escolhas: “Ontem fomos no Bollywood, com indianos, e no Perdi Tudo na Augusta. Amanhã ainda não decidimos, mas acho que vamos para o Bixiga.” Uma grata surpresa os aguardaria no Bixiga, onde o tradicional bloco Esfarrapado, que desfila desde 1947, celebra a partir das 10h com os sambas da Vai-Vai.
O Forró Invade a Tarde e Celebra a Cultura Nordestina
No meio da tarde, por volta das 15h, o público que retornava à República foi surpreendido pela animação do Bloco SP Forró, que iniciava seu desfile. Liderando a festa, Juarez e Ana, vestidos como Lampião e Maria Bonita, puxavam o bloco organizado pelo amigo e produtor cultural Zé da Lua. O casal, que se apresenta durante o ano com o Trio da Lua, irradiava paixão pela cultura nordestina. Ana Freire, paraibana radicada em São Paulo e professora de música, expressou seu amor pela folia e pela sua arte. Juarez Martins dos Anjos, arte-educador, escultor e baiano residente em São Paulo desde 1973, complementava a energia do bloco, que, em seu sexto ano de apresentações no carnaval, seguia animado, adicionando um toque de forró autêntico à diversidade musical do centro paulistano.
Assim, o centro de São Paulo se consolidou como um ponto de encontro para diferentes expressões do carnaval. Da cadência envolvente do axé à energia contagiante do forró, passando pela valorização de blocos tradicionais e a busca por experiências mais íntimas, a folia na República e seus arredores ofereceu uma amostra rica e multifacetada do espírito carnavalesco. Com opções para todos os gostos e idades, o coração da metrópole pulsou em festa, reafirmando sua vocação como um espaço de celebração cultural acessível e memorável.


