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Europa em Alerta: Aquecimento Global Amplia o Risco de Vírus Chikungunya

Dinael Monteiro
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© Reuters/Tom Nicholson/proibida a reprodução

Um estudo científico recente lança um alerta significativo sobre o futuro da saúde pública na Europa, indicando que o aumento das temperaturas globais está projetado para impulsionar a incidência de infecções pelo vírus Chikungunya. Transmitida por mosquitos, a doença, conhecida por suas dores articulares debilitantes, pode em breve transcender suas fronteiras tropicais habituais, expandindo-se por grande parte do continente europeu e outras 29 nações, transformando um problema regional em uma ameaça global iminente.

A Ascensão do Chikungunya no Continente Europeu

Historicamente prevalente em regiões de clima quente, onde milhões de casos são registrados anualmente, o vírus Chikungunya é veiculado principalmente por mosquitos do gênero Aedes, como o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, espécies que prosperam e se reproduzem em ambientes de altas temperaturas. A pesquisa, publicada no Journal of Royal Society Interface e destacada pelo jornal britânico The Guardian, identifica especificamente a Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal como os países da Europa Meridional sob maior risco de surtos epidêmicos.

Embora a doença ainda não tenha o mesmo impacto nas nações mais ao norte da Europa, o autor principal do estudo, Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), adverte que é “apenas uma questão de tempo” para que essa realidade se altere, e o vírus alcance progressivamente essas regiões. Esta projeção ganha contornos mais nítidos ao considerar os episódios recentes de Chikungunya em países como França e Itália, que registraram centenas de casos no ano passado após um período de baixa incidência em toda a Europa, um claro indício da vulnerabilidade crescente do continente.

Novos Limiares Térmicos Redefinem o Risco

As conclusões do estudo baseiam-se em uma análise detalhada do impacto da temperatura no tempo de incubação do vírus no mosquito Aedes albopictus. Os cientistas determinaram que a temperatura mínima que permite a infecção e transmissão do vírus é de apenas 2,5 graus Celsius, um patamar significativamente inferior aos 16°C a 18°C estimados por pesquisas anteriores. Além disso, a temperatura máxima favorável à transmissão foi identificada entre 13°C e 14°C.

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Esses novos dados são cruciais, pois indicam que o risco de surtos de Chikungunya poderá abranger uma área geográfica muito maior e se estender por períodos mais prolongados do que o previamente antecipado. A reavaliação desses limiares térmicos sugere que regiões consideradas seguras até então podem se tornar vulneráveis à circulação do vírus à medida que as temperaturas médias globais continuam a subir.

A Doença e Suas Formas de Transmissão

A infecção pelo vírus Chikungunya é caracterizada por dores articulares intensas e debilitantes, que podem persistir por vários anos, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora raros, casos de transmissão em crianças e idosos podem ser fatal. A doença, cujo nome significa “aquele que se curva” na língua Makonde, foi detectada pela primeira vez em 1952, no Planalto Makonde, na Tanzânia.

A principal via de contaminação é através da picada de mosquitos infectados, o vírus não é transmitido diretamente de pessoa para pessoa. Contudo, há registros documentados de outras formas de transmissão, como de mãe para filho durante a gravidez e no período perinatal, e também por meio de transfusões de sangue contaminado, conforme artigo do médico Saraiva da Cunha para o Hospital da Luz. Essa complexidade nas vias de transmissão exige uma vigilância ainda mais atenta.

O Aquecimento Global Como Fator Determinante

Historicamente, os invernos rigorosos da Europa funcionavam como uma barreira natural para a proliferação dos mosquitos Aedes. No entanto, o aquecimento global tem alterado dramaticamente essa realidade. Os cientistas observam que, no sul da Europa, os mosquitos já estão ativos durante todo o ano, e as projeções indicam que, nos próximos anos, a situação tende a se agravar, resultando em surtos de infecções cada vez mais intensos e frequentes.

Em entrevista ao The Guardian, Sandeep Tegar expressou profunda preocupação com a taxa de aquecimento na Europa, que, segundo ele, é “aproximadamente o dobro” da média global. Considerando a sensibilidade do vírus a baixos limites de temperatura, as novas estimativas são alarmantes e sublinham a urgência de ação. A Dra. Diana Rojas Alvarez, líder da equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) para vírus transmitidos por picadas de insetos, reforça a gravidade da doença, mencionando que até 40% das pessoas afetadas podem sofrer de artrite ou dores agudas mesmo cinco anos após a contaminação.

Apelo à Vigilância e Estratégias de Prevenção

Diante desse cenário preocupante, a Dra. Alvarez ressalta que, embora o clima exerça um impacto colossal na propagação do Chikungunya, a Europa tem a responsabilidade de “controlar esses mosquitos para que não se espalhem ainda mais”. Ela enfatiza a necessidade de educar a população sobre práticas essenciais de prevenção, como a eliminação de focos de água parada – locais ideais para a reprodução dos mosquitos – e o uso de roupas compridas e claras, além de repelentes.

Adicionalmente, a representante da OMS faz um apelo contundente às autoridades de saúde para que invistam na criação e fortalecimento de sistemas de vigilância robustos para a doença. Nesse contexto, Sandeep Tegar assegura que a pesquisa de sua equipe oferece as ferramentas e informações necessárias para que as autoridades locais possam identificar quando e onde agir de forma mais eficaz, transformando o conhecimento científico em ações concretas de saúde pública.

A ameaça do Chikungunya na Europa é um lembrete contundente dos complexos desafios que as mudanças climáticas impõem à saúde global. Com o aumento das temperaturas e a redefinição dos limites de transmissão, a colaboração entre a ciência, as autoridades de saúde e a população será fundamental para mitigar os riscos e proteger a saúde dos cidadãos europeus frente a esta crescente vulnerabilidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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