O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em colaboração com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), lançou uma campanha abrangente para engajar adolescentes de 16 e 17 anos no processo democrático brasileiro. A iniciativa visa incentivar a emissão do título de eleitor, um passo crucial para a participação cívica e para garantir que as demandas juvenis sejam representadas nas próximas eleições de 2026.
A Urgência da Participação Jovem na Democracia
O voto, embora facultativo para esta faixa etária, é uma ferramenta poderosa para a cidadania. A especialista em Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef, Gabriela Mora, enfatiza que a obtenção do título eleitoral é o pontapé inicial para que as pautas adolescentes sejam efetivamente consideradas no pleito de outubro. Ela ressalta que os próprios jovens são os melhores agentes de mobilização, capazes de inspirar seus pares sobre a relevância de exercer um direito democrático fundamental. Além dos jovens de 16 e 17 anos, a campanha também se estende aos adolescentes de 15 anos que completarão 16 até o primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026.
É importante lembrar que, no Brasil, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para cidadãos a partir dos 18 anos. Contudo, são facultativos para pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e, crucialmente, para os jovens de 16 e 17 anos. Estrangeiros e brasileiros em serviço militar obrigatório estão impedidos de se alistar e votar.
O Cenário Atual da Adesão e as Metas da Campanha
Apesar de o Brasil contar com aproximadamente 5,8 milhões de adolescentes aptos a votar nesta faixa etária, os dados mais recentes do TSE (fevereiro de 2026), citados pelo Unicef, revelam um desafio significativo. Até o momento, apenas cerca de 1,8 milhão de jovens haviam realizado o cadastro eleitoral, o que significa que somente dois em cada dez adolescentes elegíveis estão registrados para participar das eleições. Esta baixa adesão sublinha a importância da campanha conjunta Unicef-TSE para reverter esse quadro e ampliar a representatividade juvenil.
Estratégias Inovadoras para a Mobilização Digital e Comunitária
Para alcançar o maior número possível de jovens, a iniciativa será amplamente divulgada durante todo o mês de abril por meio das redes sociais e outros canais de comunicação, utilizando uma linguagem e formatos atrativos para a geração digital. O Unicef planeja ir além, lançando uma gincana digital inovadora que premiará grupos de adolescentes que se destacarem na mobilização de mais jovens para tirarem o título de eleitor em suas respectivas regiões.
Essa gincana envolverá ativamente os Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs), que são articulados pelo fundo das Nações Unidas e estão presentes em mais de 2.300 municípios brasileiros. A ação com os NUCAs busca criar uma rede de engajamento local, utilizando a influência e a capacidade de organização dos próprios adolescentes para disseminar a mensagem e facilitar o acesso ao processo de alistamento eleitoral.
Contrastes Regionais na Participação Eleitoral Juvenil
O levantamento do TSE (fevereiro de 2026), destacado pelo Unicef, também revela disparidades geográficas na mobilização eleitoral dos adolescentes. Estados como Rondônia (40,4%), Tocantins (39,2%) e Piauí (36,7%) apresentam os maiores percentuais de jovens aptos a votar que já se registraram. Em contrapartida, unidades federativas como o Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro registram os menores índices de alistamento eleitoral nessa faixa etária, indicando a necessidade de esforços concentrados nessas regiões para aumentar a participação.
A campanha é um chamado urgente à ação, pois o prazo final para tirar ou regularizar o título de eleitor é 6 de maio. O Unicef e o TSE reforçam a importância de não deixar para a última hora, garantindo que a voz dos adolescentes seja ouvida nas urnas e que eles possam contribuir ativamente para o futuro do país.


