A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou nesta quarta-feira (13) a análise do recurso apresentado pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê, que busca reverter a suspensão da fabricação, venda e uso de determinados lotes de seus produtos. A decisão, que mantinha os olhos do setor regulatório e da indústria voltados para a reunião, será agora deliberada em um novo encontro da diretoria da agência, marcado para a próxima sexta-feira (15).
Nova Data para Deliberação
Durante a abertura da 8ª Reunião Ordinária, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, comunicou a retirada do recurso da pauta de votação. Esta postergação visa permitir que a empresa finalize a apresentação de um plano de ação robusto, com medidas corretivas às irregularidades apontadas. A expectativa é que, até quinta-feira (14), a Ypê formalize as informações que subsidiarão a decisão da agência reguladora.
Irregularidades e a Origem da Suspensão
A ação da Anvisa, iniciada em 7 de março, suspendeu inicialmente a fabricação, comercialização e distribuição de lotes específicos de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê, todos com numeração final '1'. A medida foi motivada por uma fiscalização realizada em abril, que revelou um total de 76 irregularidades na unidade fabril de Amparo (SP). A inspeção, conduzida em colaboração com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Municipal de Amparo, apontou 'descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo', incluindo falhas nos sistemas de garantia de qualidade e controle.
Entre os problemas mais graves, foi detectada a presença da bactéria <i>Pseudomonas aeruginosa</i> em mais de 100 lotes dos produtos. Esta bactéria é conhecida por sua resistência a antibióticos e pode representar riscos significativos à saúde, especialmente para pessoas imunocomprometidas, podendo causar desde infecções urinárias até infecções respiratórias em indivíduos com problemas pulmonares crônicos ou em tratamento com cateter.
Diálogo e Plano de Ação da Ypê
Em resposta às exigências da Anvisa, a Química Amparo tem mantido reuniões técnicas com a agência para 'mitigação dos riscos sanitários'. A empresa informou, em nota, estar em colaboração com a Anvisa 'na busca por uma solução definitiva' para a situação. Representantes da Ypê se reuniram recentemente com diretores da agência, incluindo o diretor-presidente Leandro Safatle e o diretor Daniel Pereira, e apresentaram uma atualização de seu plano de ação, detalhando a evolução de seu processo fabril e reafirmando o compromisso com as recomendações regulatórias.
A empresa também forneceu informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia, além de uma análise de risco para o consumidor. A Ypê, que já havia recorrido da decisão inicial de suspensão (o que legalmente liberaria a fabricação e comercialização), solicitou a manutenção voluntária da suspensão dos lotes afetados até que todas as medidas corretivas sejam totalmente implementadas e validadas. A Anvisa confirmou que a fábrica de Amparo intensificou os trabalhos para atender a 239 ações corretivas elencadas pela própria Ypê, baseadas em inspeções que abrangem os anos de 2024 e 2025.
Recomendação de Não Utilização Mantida
Apesar do diálogo e dos esforços da empresa, a Anvisa mantém o alerta aos consumidores. O presidente Safatle reiterou a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos listados na Resolução 1.834/2026, que correspondem aos lotes com numeração final '1', devido à contaminação. Os consumidores são orientados a buscar o serviço de atendimento da Ypê para mais informações e orientações sobre os produtos afetados.
A decisão da Anvisa na próxima sexta-feira será crucial para definir os próximos passos, considerando a colaboração da Ypê e a complexidade das irregularidades sanitárias identificadas, sempre com a prioridade na segurança e saúde pública.


