Um recente levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela uma significativa mudança no panorama eleitoral brasileiro. A chamada Geração Prateada, composta por eleitores com 60 anos ou mais, experimentou um crescimento cinco vezes superior ao do eleitorado geral nos últimos dezesseis anos. Essa expansão demográfica confere a este grupo um poder de decisão sem precedentes nas próximas disputas eleitorais.
Enquanto o número total de eleitores em todas as faixas etárias cresceu 15% entre 2010 e março de 2024, o contingente de votantes com 60 anos ou mais disparou 74% no mesmo período, passando de 20,8 milhões para 36,2 milhões. Com um prazo final para cadastro de eleitores se aproximando em maio, esses números ainda podem aumentar, solidificando a Geração Prateada como um pilar estratégico em cenários polarizados, conforme observado nas eleições de 2022. Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a participação desse grupo pode ser verdadeiramente decisiva, embora não exclusivamente determinante, para os resultados.
O Crescimento Demográfico e a Relevância Eleitoral
A ascensão do eleitorado sênior reflete uma tendência demográfica mais ampla no Brasil: o aumento da longevidade e o envelhecimento populacional. Em apenas três décadas, a parcela da população com 60 anos ou mais no país saltou de 7% para 16%. Paralelamente, os eleitores dessa faixa etária já representam 23,2% do total de votantes aptos, significando que um em cada quatro eleitores brasileiros pertence à Geração Prateada. Tokarski enfatiza que em pleitos acirrados, como a última eleição presidencial, onde a diferença entre os candidatos foi inferior a 2 milhões de votos, um contingente de 36 milhões de eleitores idosos se torna um verdadeiro 'fiel da balança', capaz de influenciar sistemas equilibrados.
Engajamento Político e a Queda na Abstenção Sênior
Contrastando com a tendência geral de aumento da abstenção no Brasil, os eleitores com mais de 60 anos têm demonstrado um crescente engajamento. Nos últimos três pleitos, a taxa de abstenção dessa faixa etária apresentou queda consistente: de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022. Em contrapartida, a abstenção do eleitorado brasileiro em geral subiu de 19,4% para 20,9% no mesmo período. Esse comportamento é ainda mais notável entre os maiores de 70 anos, que, apesar de não terem a obrigatoriedade do voto, viram sua taxa de abstenção diminuir de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022. Marcelo Tokarski interpreta essa participação ativa como um voto de convicção ou forte identificação política, posicionando este grupo, ao lado dos jovens eleitores de 16 a 18 anos, como alvo primordial para as estratégias de campanha dos candidatos.
A Geração Prateada e sua Representatividade nas Candidaturas
O impacto da Geração Prateada não se limita apenas ao ato de votar; ela também se manifesta na esfera da representação política. O número de candidatos com 60 anos ou mais tem crescido anualmente no Brasil, tanto em eleições gerais quanto municipais. Dados do TSE mostram que, nas últimas eleições municipais (2024), mais de 70 mil brasileiros com idade sênior se candidataram, totalizando 15% de todas as candidaturas, o maior montante registrado desde o início da série histórica em 1998. Este recorde é precedido pelo pleito geral de 2022, que também atingiu uma marca inédita com 4.873 candidatos 60+, equivalendo a 17% do total. Esse aumento na participação como candidatos solidifica a crescente relevância e o desejo de influência direta dessa parcela da população na formulação das políticas públicas e na governança do país.
Conclusão: Um Novo Paradigma Eleitoral
O panorama eleitoral brasileiro está sendo redefinido pela Geração Prateada, um segmento demográfico que não apenas cresce exponencialmente, mas também se mostra cada vez mais engajado e ativo, tanto nas urnas quanto nas candidaturas. A sua crescente proporção no eleitorado, aliada à diminuição de suas taxas de abstenção e ao aumento de sua representatividade, posiciona-a como uma força incontornável e estratégica para qualquer disputa política. Candidatos e partidos que compreenderem e souberem dialogar com as aspirações e preocupações dos eleitores 60+ estarão um passo à frente na busca por apoio, moldando, assim, o futuro da democracia brasileira.


