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Bloco do Amor: Uma Década de Carnaval Inclusivo e Transformador em Brasília

Dinael Monteiro
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© Valter Campanato/Agência Brasil

O carnaval, em sua essência, carrega o potencial revolucionário de celebrar a diversidade e promover a aceitação. Em Brasília, há mais de uma década, o Bloco do Amor se estabeleceu como um vibrante epicentro dessa transformação, conquistando um espaço cada vez maior e reunindo dezenas de milhares de foliões em um festejo marcado pelo respeito, afeto coletivo e a livre expressão. Longe de ser apenas uma festa, o bloco se consolidou como um manifesto político-poético que ressoa a importância das diferenças na capital do país.

Um Legado de Diversidade e Afeto na Capital

Nascido da intenção de ocupar o coração de Brasília com mensagens de respeito e pluralidade, o Bloco do Amor foi fundado com a missão clara de ser um território para manifestações político-poéticas que celebram a diversidade e o afeto. Ao longo de seus mais de dez anos de existência, a agremiação floresceu, tornando-se uma das celebrações mais emblemáticas e calorosas do carnaval brasiliense. Em edições recentes, o público chegou a quase 70 mil pessoas, espalhando um mar de brilho e alegria nos arredores da Biblioteca e do Museu Nacional, consolidando sua posição como um dos maiores e mais significativos eventos carnavalescos da cidade.

A Folia Respeitosa: Sonhar como Ato de Resistência

Em sua mais recente edição, o Bloco do Amor adotou o lema <b>"Sonhar como Ato de Existência"</b>, uma proposta que eleva o sonho e a alegria a ferramentas poderosas de resistência e transformação social. Essa filosofia permeia todo o evento, criando um ambiente onde a folia se manifesta de forma respeitosa e inclusiva. Atrai uma comunidade extremamente plural, especialmente o público LGBTQIAPN+, que encontra no bloco um santuário livre de preconceitos.

A coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena, destaca que a diversidade se reflete inclusive na variedade musical que embala os foliões. O repertório é uma fusão envolvente, transitando do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e o forró, garantindo que todos os ritmos e gostos encontrem seu lugar na celebração. Essa edição, assim como outros grandes eventos da folia brasiliense, foi parte da Plataforma Monumental, uma estrutura criada para acolher diversas manifestações ao longo de vários dias.

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Transformação Social Através da Celebração

Letícia Helena, que também é produtora cultural, cantora, figurinista e formada em Artes Cênicas pela UnB, revela que o Bloco do Amor emergiu de uma <b>"necessidade premente de discutir o amor em Brasília"</b>, buscando trazer mais representatividade e refletir o que a cidade almeja e expressa. A primeira edição do bloco nasceu de um trabalho voluntário na Via S2 do Plano Piloto, um local frequentado por profissionais do sexo, onde a discussão sobre o amor e o respeito se mostrou vital. Com o crescimento exponencial, o bloco mudou-se para a área externa do Museu Nacional, um espaço mais amplo para acolher seu público.

O impacto do Bloco do Amor vai além da festa. Com uma década de folia cultivada com respeito, a organização utiliza a comunicação para disseminar mensagens sobre aceitação e convivência na diversidade. Letícia Helena celebra as melhorias perceptíveis ao longo dos anos, destacando dados da Secretaria de Segurança Pública que indicam uma redução significativa nos casos de assédio. Em 2024, a festa atingiu um marco notável: <b>zero registros de violência e assédio contra mulheres</b>, um feito atribuído ao trabalho meticuloso de preparação da equipe, que inclui protocolos de ação para as mais diversas situações.

Vozes da Folia: Histórias de Aceitação e Pertencimento

A poucos metros do palco, onde dançarinos expressavam a energia dos ritmos eletrônicos e outros gêneros que fogem do tradicional, casais como Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, testemunham a essência do Bloco do Amor. Para eles, é o <b>"bloco dos corações"</b>. Fernando descreve o ambiente como um espaço de arte, repleto de artistas e, crucialmente, um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que se tornaram parte de suas vidas.

Ana Flávia complementa, enfatizando que o Bloco do Amor é não apenas musical, mas também seguro e livre de preconceitos, reverberando a energia de pessoas que se apropriam de seus próprios corpos, onde todos são acolhidos. Ela reitera a natureza revolucionária do carnaval quando este incorpora respeito e aceitação ao pensamento coletivo, observando que a juventude contemporânea já compreende a importância de um ambiente tranquilo e respeitoso, onde a nudez pode ser celebrada sem assédios ou julgamentos. Jovens como Clarisse Pontes, 22, que vivenciava seu primeiro carnaval em Brasília, buscam no Bloco do Amor exatamente essa liberdade de amar e curtir sem preocupações.

Um Futuro de Celebração e Impacto

O Bloco do Amor se firma, assim, como muito mais do que um evento carnavalesco em Brasília. Ele é um movimento cultural e social que, ano após ano, reafirma o poder do afeto, da diversidade e do respeito como pilares para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Sua história, marcada por crescimento e um compromisso inabalável com a segurança e a aceitação, pavimenta o caminho para futuras celebrações onde a alegria e a liberdade caminham de mãos dadas com a consciência social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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