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Brasil e Índia Fortalecem Laços em Resposta ao Protecionismo Global

Dinael Monteiro
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© Ricardo Stuckert/PR

Em um movimento estratégico para ampliar sua influência no cenário global e combater o recrudescimento do protecionismo comercial, o Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concretizou uma série de oito acordos de cooperação com a Índia. A visita oficial, ocorrida em Nova Deli, culminou em uma declaração de Lula que ressaltou o dia como "muito promissor para a Índia e para o Brasil", sublinhando a assinatura dos acordos como uma clara resposta ao unilateralismo comercial e um passo fundamental rumo à resiliência econômica através da diversificação e conectividade.

Expansão da Parceria Estratégica: Acordos Multifacetados

O conjunto de oito instrumentos firmados entre os dois países demonstra a profundidade e a abrangência da cooperação bilateral. Deste total, seis foram formalizados como memorandos de entendimento, documentos que servem para alinhar intenções e objetivos mútuos antes da celebração de contratos definitivos, pavimentando o caminho para futuras colaborações mais estreitas. Esses acordos abrangem áreas de vital importância estratégica para o desenvolvimento e a soberania de ambas as nações.

Cooperação em Setores-Chave para o Futuro

Entre os acordos mais destacados, figura a cooperação no campo de terras raras e minerais críticos, essenciais para a transição energética e tecnológica global. Outras áreas de colaboração incluem o setor de mineração, visando fortalecer a cadeia de suprimentos do aço, e iniciativas para o fomento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), reconhecendo seu papel crucial na geração de emprego e renda. A parceria também se estende à esfera digital, com uma Declaração Conjunta sobre Parceria Digital para o Futuro, e à propriedade intelectual, com o acesso à Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional (TKDL). A saúde e o setor postal também foram contemplados, com memorandos que visam harmonizar padrões e otimizar serviços, além de um acordo sobre o uso de certificados eletrônicos de origem para facilitar o comércio.

Diversificação e Multilateralismo como Princípios Norteadores

Em seu discurso de encerramento no Encontro Empresarial Brasil-Índia, realizado em Nova Deli com a participação de mais de 300 empresas brasileiras, o presidente Lula enfatizou a filosofia por trás da intensificação dessas parcerias. Ele afirmou que, no cenário geopolítico atual, "a conectividade e a diversificação comercial viraram um sinônimo de resiliência diante do recrudescimento do protecionismo e do unilateralismo comercial". Essa visão já havia sido antecipada em suas discussões com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reforçando a defesa do multilateralismo como pilar da política externa brasileira.

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Lula salientou a identidade compartilhada entre Brasil e Índia, descrevendo-os como "países mega-diversos e polos da indústria cultural", além de "defensores do multilateralismo e da paz". Essa convergência de valores e interesses fundamenta a busca por uma governança global mais representativa, conforme defendido pelo presidente, que também abordou a necessidade de a ONU ter maior representatividade e de a inteligência artificial (IA) ser regulada por uma instituição multilateral.

Ambições Econômicas e o Futuro do Comércio Bilateral

As relações comerciais entre Brasil e Índia têm demonstrado um crescimento notável, alcançando um volume recorde de US$ 15 bilhões em comércio bilateral no último ciclo, um aumento de 25,5% em relação ao período anterior. Essa trajetória ascendente levou os dois países a estabelecerem a ambiciosa meta de atingir US$ 20 bilhões em comércio até 2030, um indicativo claro do potencial ainda inexplorado da parceria.

Para o presidente Lula, apesar do crescimento expressivo – de US$ 2,4 bilhões em 2006, quando a parceria estratégica foi celebrada, para os atuais US$ 15 bilhões –, o patamar ainda está aquém da capacidade de duas economias tão robustas. Ele defendeu que a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial Mercosul–Índia, em vigor desde 2009, é uma prioridade. O objetivo é criar um arcabouço mais abrangente e ambicioso que possa, futuramente, evoluir para um acordo de livre comércio, refletindo o crescente interesse recíproco e o tamanho de ambos os mercados.

Conclusão: Consolidando Alianças Estratégicas na Ásia

A visita à Índia faz parte de uma agenda mais ampla do presidente Lula na Ásia, que também incluiu a Coreia do Sul, com o propósito de fortalecer o comércio e estabelecer parcerias estratégicas com importantes economias asiáticas. Essa estratégia reflete o compromisso do Brasil em diversificar suas relações internacionais, consolidar o multilateralismo e promover um modelo de desenvolvimento econômico que privilegie a cooperação e a resiliência em um cenário global em constante transformação. A parceria com a Índia, em particular, emerge como um pilar fundamental para a projeção do Brasil em um mundo multipolar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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