Ad imageAd image

Brasil Inaugura Memorial da Pandemia e Lança Guia Pós-Covid em Homenagem às Vítimas e à Ciência

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Rio de Janeiro foi palco, nesta terça-feira (7), do lançamento oficial do Memorial da Pandemia, uma iniciativa do Ministério da Saúde que busca eternizar a memória de mais de 700 mil brasileiros que perderam suas vidas para a covid-19. O espaço não apenas presta homenagem às vítimas, mas também reforça o compromisso do país com a ciência e a saúde pública, marcando um momento de reflexão e aprendizado sobre a maior crise sanitária da história recente.

Um Centro de Memória e Resiliência Renovado

A instalação do Memorial da Pandemia encontra-se no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), edifício que acaba de ser reaberto ao público após um extenso período de quase quatro anos de obras. As reformas, que representaram um investimento de aproximadamente R$ 15 milhões, revitalizaram o espaço para que pudesse abrigar, com a devida solenidade, esta importante homenagem.

Duas instalações visuais se destacam no memorial. Uma delas é composta por pilastras equipadas com letreiros digitais, que exibem os nomes das vítimas da doença, acompanhados de suas idades e cidades de origem. A outra, concebida em alumínio naval, forma um conjunto de quatro silhuetas humanas unidas pelas mãos, simbolizando a solidariedade e a força coletiva da sociedade brasileira diante da adversidade pandêmica.

A Homenagem Ganha Formato Digital e Itinerante

Paralelamente à inauguração física, foi lançado o Memorial Digital da Pandemia, um portal online fruto de uma colaboração entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). Esta plataforma virtual garante que a memória das vítimas e as lições aprendidas durante a crise sanitária estejam acessíveis a um público ainda maior.

- Anúncio -
Ad image

Para expandir o alcance dessa importante recordação, o acervo do memorial dará origem a uma exposição itinerante. Esta mostra percorrerá seis capitais brasileiras, iniciando sua jornada em Brasília e culminando no Rio de Janeiro, entre maio de 2024 e janeiro de 2027, levando a mensagem de memória e conscientização para diversas regiões do país.

O Brado por Responsabilidade Pública e a Defesa da Ciência

Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância de aprender com o passado. Ele relembrou que o Brasil enfrentou não apenas uma crise sanitária, mas também uma crise de responsabilidade pública, destacando que o negacionismo teve um custo altíssimo em vidas. Padilha reiterou que a ciência comprovou que muitas mortes poderiam ter sido evitadas com a adoção de medidas baseadas em evidências, o incentivo à vacinação e a proteção efetiva da população. Ele concluiu que preservar essa memória é crucial para que o país não repita erros passados, consolidando a defesa da ciência e da vida como princípios inegociáveis na gestão da saúde pública.

Complementando as iniciativas de memória, está agendada para junho, no próprio CCMS, a exposição “Vida Reinventada”. Com curadoria da ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, a mostra propõe uma leitura multifacetada das respostas sociais à pandemia, tecendo um diálogo entre memória, ciência, arte e a busca por justiça.

Novo Guia Nacional para o Manejo de Condições Pós-Covid

Outra iniciativa fundamental lançada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, é o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Este documento visa oferecer orientações claras e padronizadas para a identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da doença, conhecidas como 'pós-covid'.

O novo guia substitui normativas anteriores, estabelecendo-se como a referência única para o SUS. Ele detalha as manifestações clínicas que podem surgir a partir de quatro semanas após a infecção, abrangendo até mesmo casos leves ou assintomáticos. O documento aborda ainda as diversas complicações que podem afetar sistemas como o cardiovascular, respiratório, neurológico e a saúde mental, apresentando protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais específicos para a Rede de Atenção à Saúde, com atenção especial às populações mais vulneráveis.

A Luta por Memória e Justiça ecoa da Sociedade Civil

As iniciativas anunciadas nesta terça-feira foram amplamente celebradas por instituições da sociedade civil, como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico). Paola Falceta, assistente social e uma das fundadoras da Avico, que perdeu a mãe para a covid-19, ressalta que tanto o memorial quanto o guia de manejo das condições pós-covid são demandas históricas de sua associação e de outras entidades, que tiveram seu pleito iniciado ainda no governo anterior e levadas adiante no diálogo com a gestão atual.

Paola enfatiza que, embora a dor seja intensa para muitos afetados pela doença, a reflexão sobre o ocorrido é indispensável. Para ela, trata-se de uma questão de memória, justiça e verdade, uma luta contínua para que a condução irresponsável de emergências de saúde pública por parte do Estado jamais se repita. As ações de hoje reforçam o compromisso de não esquecer e de construir um futuro mais resiliente e pautado na ciência para o Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *