Às vésperas de mais uma celebração carnavalesca, a atenção das autoridades de saúde em diversos estados brasileiros se volta para uma grave ameaça à segurança dos foliões: a contaminação de bebidas alcoólicas por metanol. Este composto, altamente tóxico, tem sido associado a um preocupante número de casos de intoxicação e mortes em todo o país, levando governos estaduais a intensificar medidas preventivas e de fiscalização para o período festivo. O alerta visa proteger a população dos riscos inerentes ao consumo de produtos adulterados, garantindo que a alegria do Carnaval não seja ofuscada por tragédias evitáveis.
Panorama Nacional da Intoxicação por Metanol
Dados do Ministério da Saúde revelam a gravidade do cenário. Em 2025, o Brasil confirmou <b>76 casos</b> de intoxicação por metanol e <b>25 óbitos</b> associados, com 29 ocorrências e 8 mortes adicionais ainda sob investigação. Para o início de 2024, até 3 de fevereiro, já foram registrados sete casos confirmados, com outros 13 sob análise. A ingestão de metanol pode ter consequências devastadoras, incluindo cegueira irreversível, falência renal e, em casos mais graves, a morte, alertando para a necessidade de extrema cautela por parte dos consumidores e rigor na fiscalização dos produtos oferecidos no mercado.
Estados em Alerta Máximo e Suas Ações
Diante da ameaça iminente, diversas secretarias estaduais de saúde ativam planos de contingência e reforçam suas estruturas de vigilância. A mobilização abrange desde a fiscalização rigorosa até campanhas de conscientização, visando coibir a venda e o consumo de bebidas adulteradas.
São Paulo: O Epicentro dos Casos
São Paulo emergiu como o estado mais afetado pela crise do metanol. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) reportou <b>52 casos confirmados</b> de intoxicação, que infelizmente resultaram em <b>12 mortes</b>, com vítimas de diversas cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí, Sorocaba e Mauá, variando entre 23 e 62 anos. Quatro óbitos adicionais permanecem sob investigação em Guariba, São José dos Campos e Cajamar. Diante deste cenário crítico, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado está coordenando esforços intensivos com as Vigilâncias Sanitárias Municipais, focando na inspeção de estabelecimentos e vendedores ambulantes para garantir a origem e procedência das bebidas alcoólicas.
Pernambuco: Campanha de Conscientização e Fiscalização
Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou oito casos de intoxicação e cinco óbitos registrados entre outubro e novembro de 2025. O estado reforça o alerta sobre os perigos de bebidas destiladas de procedência duvidosa, que podem conter metanol. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) anunciou a meta de superar 500 inspeções durante o Carnaval, abrangendo bares, camarotes, restaurantes e o comércio ambulante, com foco no armazenamento e venda segura de alimentos e bebidas.
Bahia: Reforço de Estoques e Vigilância Municipal
A Bahia registrou nove casos de intoxicação por metanol, com três mortes confirmadas em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. Em resposta, a Secretaria da Saúde (Sesab), em colaboração com o Ministério da Saúde, garantiu o reforço dos estoques do antídoto específico para tratamento de intoxicação por metanol. Além disso, a Sesab tem ativamente incentivado os municípios a intensificar a fiscalização sobre a venda e distribuição de bebidas destiladas, visando coibir a comercialização de produtos adulterados.
Outros Estados: Paraná e Mato Grosso
Outros estados também foram impactados pela ameaça do metanol. O Paraná, que encerrou sua Sala de Situação sobre o tema em novembro de 2025, confirmou seis casos e três óbitos. No Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) registrou seis ocorrências e quatro mortes entre novembro e dezembro de 2025. Mesmo sem novos casos confirmados há mais de 30 dias, a SES-MT intensificou as ações de vigilância e fiscalização, mantendo o alerta para a população.
Prevenção e Orientações para os Consumidores
Para mitigar os riscos e garantir um Carnaval seguro, as autoridades de saúde reforçam um conjunto de orientações essenciais à população. A principal delas é adquirir bebidas alcoólicas <b>somente em estabelecimentos regularizados e de fornecedores de confiança</b>. É fundamental verificar a procedência dos produtos, atentando para a presença de rótulo, lacre de segurança e selo fiscal. Deve-se desconfiar de bebidas com preços muito abaixo do mercado e, crucialmente, evitar o consumo de itens de origem desconhecida, bem como misturas prontas vendidas em garrafas PET ou outros recipientes inadequados. Em caso de qualquer sintoma suspeito após o consumo de álcool, como visão turva, dor abdominal, náuseas ou confusão mental, a busca por atendimento médico imediato é imprescindível, informando sobre a bebida consumida.
O Carnaval é um período de festa e alegria, mas a ameaça das bebidas adulteradas exige um nível redobrado de cautela por parte de todos. A colaboração entre as autoridades sanitárias, os comerciantes e a população é fundamental para coibir a circulação de produtos perigosos e proteger a saúde pública. Somente com vigilância constante e escolhas conscientes será possível celebrar a folia com a segurança e a tranquilidade que ela merece.


