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Caso Henry Borel: Advogado da Defesa de Dr. Jairinho Retorna ao Júri Após Sofrer Infarto

Dinael Monteiro
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© Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento do Caso Henry Borel, que apura a morte do menino de quatro anos em março de 2021, ganhou um novo e dramático capítulo. O advogado Fabiano Tadeu Lopes, responsável pela defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, anunciou que retornará ao 2º Tribunal do Júri ainda esta semana, apenas quatro dias após ter sofrido um infarto. A decisão, confirmada por seu colega de defesa, Rodrigo Faucz, reacende o debate sobre os desdobramentos de um dos casos de maior repercussão no país, que já acumula uma série de adiamentos e reviravoltas.

O Retorno Inesperado da Defesa

A saúde do Dr. Fabiano Lopes havia sido o pivô do mais recente pedido de suspensão do júri por parte da defesa de Jairinho. Na última segunda-feira (25), a juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, foi informada que o advogado apresentava apenas 30% de sua capacidade cardiorrespiratória. Contudo, em um gesto que sublinha a complexidade e a pressão do processo, Lopes assinou um termo de responsabilidade, uma espécie de 'auto alta médica', e planeja estar de volta ao tribunal já na quinta-feira (28), acompanhado por uma equipe médica para garantir sua segurança e monitoramento.

O Intrincado Cenário do Julgamento

Dr. Jairinho e sua ex-companheira, Monique Medeiros, figuram como réus na acusação da morte de Henry Borel, ocorrida há mais de três anos. As investigações da Polícia Civil e o Ministério Público apontam que a criança foi vítima de intensas agressões físicas perpetradas por Jairinho, então vereador em seu quinto mandato no Rio de Janeiro, enquanto Monique Medeiros é acusada de omissão dolosa, por não ter agido para proteger o filho. O processo tem sido marcado por intensa cobertura midiática e grande comoção pública, dada a brutalidade do crime e o perfil dos acusados.

Manobras Judiciais e a Retomada do Júri

O atual julgamento, agora em seu terceiro dia, representa uma retomada após uma série de interrupções. Em 23 de março, a defesa de Jairinho chegou a abandonar o júri, alegando falta de acesso a provas, o que causou um adiamento. Mais recentemente, no início desta semana, Jairinho tentou novamente adiar o processo, invocando a hospitalização de Fabiano Lopes, que ele descreveu como o líder e o mais preparado de sua equipe de defesa. Em uma medida extrema, chegou a destituir os demais advogados na tentativa de forçar o adiamento por estar sem defesa constituída.

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A juíza Elizabeth Machado considerou a ação como uma manobra protelatória. Embora estivesse inclinada a deferir o pedido, condicionou o adiamento à transferência de Jairinho para o presídio Bangu 1, conhecido por seu rigor. Diante dessa condição, o réu recuou de sua intenção, reconstituiu sua equipe de advogados, e o julgamento foi prontamente iniciado, demonstrando a firmeza da magistrada em prosseguir com o processo.

Detalhes dos Depoimentos e Provas Chave

O segundo dia de julgamento, na terça-feira (26), estendeu-se até as 2 horas da madrugada de quarta-feira, demandando a remarcação do início da sessão seguinte para as 11h. Durante essa longa sessão, foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, que lideraram a investigação inicial. Damasceno, em seu depoimento, refutou veementemente a versão dos réus de que Henry teria morrido ao cair de uma cama, qualificando-a como uma 'farsa ensaiada'.

O delegado ainda revelou que a recuperação de mensagens do celular da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, foi crucial para a investigação. Essas mensagens confirmaram que Monique Medeiros tinha pleno conhecimento das agressões sofridas por seu filho, estabelecendo um ponto central na tese de acusação de omissão qualificada.

A Dinâmica do Tribunal e as Acusações

Atualmente, Jairinho e Monique possuem equipes de defesa distintas, diferente do início do processo, quando compartilhavam o mesmo advogado. O júri é composto por sete jurados que decidirão o veredito final, após ouvir um total de 27 testemunhas, arroladas tanto pela acusação quanto pela defesa. A expectativa inicial é que o julgamento tenha uma duração aproximada de cinco dias, dada a complexidade do caso e o volume de evidências a serem apresentadas.

Dr. Jairinho é confrontado com acusações de seis crimes graves, incluindo homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, três episódios de tortura contra a criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique Medeiros, por sua vez, enfrenta sete crimes, destacando-se homicídio por omissão qualificado e a própria omissão, que se refere à sua alegada falha em proteger Henry das agressões.

Com o retorno do advogado Fabiano Lopes, o julgamento do Caso Henry Borel avança para momentos decisivos, prometendo novos desdobramentos e a busca por uma resolução para este trágico episódio que chocou o país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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