O comércio brasileiro registrou um avanço de 0,5% na transição de fevereiro para março, marcando a terceira alta consecutiva e elevando o setor a um patamar histórico. Esse desempenho notável, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Mensal de Comércio, reflete em grande parte a influência da desvalorização do dólar frente ao real, que favoreceu as importações e, consequentemente, as vendas de produtos estrangeiros no mercado nacional.
Expansão Consistente e Indicadores Favoráveis
Além do crescimento mensal, o panorama geral do comércio demonstra solidez. Na comparação com março do ano anterior, o setor expandiu-se em 4%. O acumulado dos últimos 12 meses também reflete essa trajetória positiva, com uma elevação de 1,8%. Conforme apontado pelo analista da pesquisa, Cristiano Santos, o setor vem mantendo uma tendência de alta desde outubro do ano anterior, consolidando um período de recuperação e dinamismo no varejo, mesmo com a pequena retração pontual observada em dezembro.
Dólar Mais Baixo Alimenta Vendas de Tecnologia e Importados
A análise detalhada das atividades revela que, dos oito grupos pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram crescimento no mês. O destaque ficou com o segmento de <b>Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação</b>, que registrou uma expressiva alta de 5,7%. Essa performance está diretamente ligada à cotação do dólar, que em março apresentava uma média de R$ 5,23, significativamente menor que os R$ 5,75 observados no mesmo período do ano anterior.
A valorização do real tornou os produtos importados mais acessíveis, levando as empresas a aproveitarem para renovar seus estoques. "As empresas aproveitam para compor estoque com a redução do dólar e, depois, em momentos oportunos, fazem promoções. O mês de março foi importante por causa dessas promoções. Equipamentos de informática têm essa característica de ligação com o dólar", explica Cristiano Santos. Essa dinâmica impulsionou as vendas e contribuiu para o recorde geral do comércio.
Dinamismo em Setores Chave e Desafios da Inflação
Outro setor que demonstrou forte desempenho foi o de <b>Combustíveis e lubrificantes</b>, com um crescimento de 2,9%. Curiosamente, esse avanço ocorreu mesmo diante de um aumento nos preços dos combustíveis, influenciado por fatores geopolíticos. A resiliência da demanda, no entanto, garantiu que as receitas da atividade crescessem 11,4% no mês. Outros grupos com resultados positivos incluem <b>Outros artigos de uso pessoal e doméstico</b> (2,9%), <b>Livros, jornais, revistas e papelaria</b> (0,7%) e <b>Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria</b> (0,1%).
Em contraste, o setor de <b>Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo</b>, que representa mais da metade do volume do comércio, registrou um recuo de 1,4% em março. O analista atribui essa queda à pressão da inflação, que desestimulou o consumo nesse segmento. No entanto, é importante contextualizar que, apesar do resultado negativo em março, a atividade havia demonstrado crescimento em meses anteriores, como janeiro (0,3%) e fevereiro (1,4%), indicando que o recuo pontual não configura uma trajetória de regressão duradoura.
O Cenário do Comércio Varejista Ampliado
Ampliando a análise para o comércio varejista que inclui atividades de atacado – como veículos, motos, partes e peças; material de construção; e produtos alimentícios, bebidas e fumo – o indicador geral também apresentou crescimento. Houve uma alta de 0,3% na passagem de fevereiro para março, e uma expansão de 0,2% no acumulado dos últimos 12 meses. Esse panorama robusto reforça a percepção de um setor em recuperação e adaptação às condições econômicas, com diferentes segmentos contribuindo para a dinâmica geral do comércio brasileiro.


