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Crise Humanitária em Caracas: Familiares de Presos Políticos Intensificam Greve de Fome

Dinael Monteiro
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© Reuters/Gaby Oraa/Proibida reprodução

Em um ato desesperado de protesto e resistência, um grupo de familiares de presos políticos venezuelanos, composto majoritariamente por mulheres, entrou em seu quarto dia de greve de fome nos arredores de uma unidade policial em Caracas. A manifestação extrema, que busca a imediata libertação dos detidos, sublinha a crescente tensão social e a urgência de respostas por parte das autoridades venezuelanas, em um cenário de intensos debates sobre direitos humanos e anistia no país.

A Escalada do Protesto e Seus Custos Humanos

O movimento de protesto teve início no sábado (14), às 6h, com dez mulheres que se posicionaram nas imediações da Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana. Ao completar 96 horas de jejum, a gravidade da situação se tornou evidente quando uma das grevistas desmaiou na segunda-feira, necessitando de transporte de táxi para um hospital devido à ausência de ambulâncias. Essa ocorrência, relatada por Diego Casanova, membro do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, destaca o risco iminente à saúde dos participantes e a precariedade do suporte no local.

Paralelamente à greve externa, os próprios presos políticos na Zona 7 iniciaram um jejum ainda mais prolongado, que ultrapassava 120 horas na mesma data. A Organização Não Governamental (ONG) responsável pelo acompanhamento denunciou que, sem justificativa, as autoridades policiais impediram a entrada de soro e suprimentos médicos vitais para os detidos, intensificando a preocupação com a vida e a integridade tanto das mulheres quanto dos prisioneiros. Nas redes sociais, a ONG alertou que a "indiferença e a falta de respostas do Estado continuam a colocar em grave risco a vida" dos envolvidos.

Descumprimento de Promessas e o Vácuo da Anistia

A greve de fome é uma resposta direta ao que os manifestantes consideram um descumprimento de promessas por parte do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Em 6 de fevereiro, Rodríguez havia assegurado a libertação de "todos" os presos políticos com a aprovação de uma lei de anistia, processo que ele estimava ser concluído "o mais tardar" até a sexta-feira seguinte. A ausência de uma libertação generalizada após o prazo estabelecido alimentou a desilusão e impulsionou a adoção dessa medida drástica, visando forçar o cumprimento das negociações.

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Embora 17 detidos tenham sido liberados da Zona 7 no sábado, conforme informado pelo próprio Jorge Rodríguez, esse número é visto como insuficiente diante da expectativa gerada e da amplitude das promessas. O contexto atual de discussões sobre uma anistia e um "novo momento político" na Venezuela, focado na busca de soluções para a polarização, contrasta com a realidade das ruas, onde a espera por justiça e liberdade motiva atos de sacrifício pessoal e pressiona por ações concretas.

O Clamor Silencioso por Direitos Fundamentais

No local do protesto, a determinação das manifestantes é visível. Um pequeno painel exibe o tempo decorrido da greve, enquanto uma faixa proeminente proclama "Liberdade para todos", sintetizando a demanda central que ecoa por todo o país. Mulheres com idades entre 23 e 46 anos permanecem em seus colchões, simbolizando a persistência e a resiliência diante da adversidade. O protesto não é apenas um ato de desespero, mas também um lembrete contundente dos desafios contínuos aos direitos humanos na Venezuela e da necessidade urgente de mecanismos eficazes para a libertação de presos políticos.

A visibilidade da greve de fome, impulsionada por organizações de direitos humanos e familiares, busca não apenas pressionar o governo venezuelano, mas também chamar a atenção da comunidade internacional para a situação dos detidos e de suas famílias. A inação das autoridades, conforme reiterado pela ONG, continua a agravar a situação, colocando em xeque não apenas a vida das grevistas, mas os princípios de justiça e direitos humanos fundamentais.

Apelo Final por Respostas e Soluções Humanitárias

A greve de fome em Caracas não é apenas um protesto isolado, mas um doloroso reflexo da crise humanitária e política que persiste na Venezuela. A luta dessas mulheres, em solidariedade com seus familiares detidos, representa um apelo contundente à comunidade nacional e internacional por atenção e ação imediata. Enquanto a vida dos grevistas se fragiliza a cada hora, a pressão sobre o governo venezuelano para cumprir suas promessas e garantir a liberdade dos presos políticos se intensifica, exigindo uma resposta urgente e humanitária que ponha fim a essa situação de extremo sacrifício.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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