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Desigualdade de Gênero Compromete Segurança Hídrica Global, Alerta Relatório da ONU

Dinael Monteiro
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© José Cruz/Agência Brasil

A segurança hídrica mundial continua a ser fragilizada por profundas desigualdades de gênero, conforme revelado pelo recente Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. Divulgado na quinta-feira (19) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em nome da ONU-Água, o estudo destaca como mulheres e meninas são desproporcionalmente impactadas pela falta de acesso à água potável, apesar de desempenharem um papel central em sua coleta e gestão doméstica. Paradoxalmente, elas permanecem à margem das posições de liderança e governança no setor hídrico.

O Custo Humano e Social da Coleta de Água

O relatório da ONU aponta uma realidade alarmante: em mais de 70% dos domicílios rurais que não dispõem de serviços hídricos, a responsabilidade pela coleta de água recai sobre mulheres e meninas. Essa carga não remunerada impõe um esforço físico extenuante e acarreta a perda de oportunidades cruciais. Diariamente, elas dedicam um total estimado de 250 milhões de horas à tarefa de buscar água, tempo que poderia ser empregado na educação, no lazer ou em atividades geradoras de renda. A vulnerabilidade é acentuada em idades mais jovens, com meninas menores de 15 anos tendo 7% mais chances de buscar água do que meninos da mesma faixa etária (4%).

Além do impacto direto na força de trabalho e no desenvolvimento pessoal, a falta de acesso seguro à água e a instalações sanitárias adequadas expõe essas populações a riscos elevados de saúde. A precariedade sanitária, especialmente em favelas urbanas e áreas rurais, afeta severamente a dignidade e o bem-estar de mulheres e meninas. A ausência de banheiros e de água para higiene menstrual, por exemplo, gera vergonha e absenteísmo escolar: entre 2016 e 2022, cerca de 10 milhões de adolescentes (15–19 anos) em 41 países perderam aulas, trabalho ou atividades sociais devido a dificuldades com a higiene durante o ciclo menstrual.

Exclusão na Governança e Barreiras Estruturais

Apesar de seu papel insubstituível na provisão de água para consumo doméstico, agricultura e conservação de ecossistemas, as mulheres continuam sistematicamente sub-representadas em todos os níveis da governança hídrica, desde o financiamento até a tomada de decisões. Esta exclusão limita a eficácia das políticas e a sustentabilidade da gestão dos recursos. A situação é agravada por desigualdades de gênero na posse de terras e propriedades, já que os direitos à água frequentemente estão vinculados aos direitos sobre a terra. Legislações discriminatórias neste quesito colocam as mulheres em desvantagem social e econômica, afetando diretamente sua capacidade de acesso à água para usos produtivos, como a agricultura. Em algumas nações, homens detêm o dobro de terras em comparação às mulheres, reforçando um ciclo de desempoderamento.

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Apelos por Participação e Reconhecimento

Líderes globais reforçam a urgência de uma mudança de paradigma. Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, enfatizou que a participação feminina na gestão e governança hídrica é um pilar fundamental para o progresso e o desenvolvimento sustentável. Ele salientou: “Devemos intensificar os esforços a fim de proteger o acesso de mulheres e meninas à água. Este não é apenas um direito básico, pois quando as mulheres têm acesso igual à água, todos se beneficiam.”.

Corroborando essa visão, Alvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e presidente da ONU-Água, destacou a necessidade premente de reconhecer plenamente o papel central que mulheres e meninas desempenham na busca por soluções relacionadas à água. “Precisamos de mulheres e homens que administrem a água lado a lado, como um bem comum que fornece benefícios a toda a sociedade”, afirmou Lario.

Recomendações para uma Gestão Hídrica Inclusiva

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, divulgado anualmente no contexto do Dia Mundial da Água (celebrado no próximo domingo, 22), não apenas expõe as lacunas, mas também oferece um roteiro de ações para promover avanços significativos. As principais recomendações incluem:

Eliminar Barreiras Sistêmicas

É crucial desmantelar barreiras legais, institucionais e financeiras que impedem o acesso equitativo de mulheres à água, à terra e aos serviços essenciais. A revisão de leis e regulamentos discriminatórios é um passo inicial indispensável.

Aprimorar a Coleta de Dados

Investir em dados hídrico-ambientais desagregados por sexo é fundamental para revelar a extensão real das desigualdades existentes e, assim, orientar a formulação de políticas mais eficazes e direcionadas.

Valorizar o Trabalho Não Remunerado

O trabalho não remunerado associado à água, predominantemente realizado por mulheres, deve ser devidamente valorizado e integrado nos processos de planejamento, precificação e decisões de investimento. Isso reconhece a contribuição econômica e social que hoje é invisibilizada.

Fortalecer a Capacidade Feminina

É imperativo fortalecer a liderança e a capacidade técnica das mulheres, com foco especial nas áreas científicas e técnicas da governança hídrica. Isso garante que as vozes e conhecimentos femininos sejam incorporados nas soluções para os desafios hídricos globais.

A mensagem do relatório é clara: garantir a segurança hídrica para os 2,1 bilhões de pessoas que ainda não contam com água potável gerenciada de forma segura, especialmente mulheres e meninas, exige uma abordagem inclusiva e equitativa. A plena participação e o empoderamento feminino no setor hídrico não são apenas uma questão de justiça social, mas um imperativo para alcançar um futuro hídrico sustentável para todos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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