Ecoturismo em Unidades de Conservação: Recorde de Visitação Injeta R$ 20 Bilhões no PIB Brasileiro e Gera Milhares de Empregos

Dinael Monteiro
Divulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e efetuar uma compra. Recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradecemos seu apoio!
© Vitor Marigo/ ICMBio

O setor de Unidades de Conservação (UCs) federais no Brasil demonstrou um potencial econômico robusto em 2025, ao movimentar impressionantes R$ 40,7 bilhões em vendas e contribuir com R$ 20,3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além do significativo impacto financeiro, o turismo nessas áreas protegidas sustentou mais de 332,5 mil postos de trabalho em todo o país, consolidando-se como um pilar de desenvolvimento econômico sustentável. Estes dados são frutos de um estudo detalhado conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Recorde Histórico de Visitação Impulsiona a Economia

O ano passado marcou um recorde histórico para as 175 unidades de conservação federais abertas à visitação, que juntas registraram 28,5 milhões de visitas. Este é o maior número desde o início da série histórica em 2000, evidenciando o crescente interesse da população em experiências de natureza. Os parques nacionais foram os grandes protagonistas desse fluxo, atraindo 13,6 milhões de visitantes, superando os 12,5 milhões contabilizados no ano anterior.

Segundo o ICMBio, o notável crescimento é atribuído a uma combinação de fatores estratégicos. Entre eles, destacam-se a melhoria contínua no monitoramento da visitação, investimentos substanciais em infraestrutura e serviços oferecidos aos turistas, a inclusão de novas áreas no sistema de conservação, e uma valorização acentuada dos ambientes naturais no período pós-pandemia, quando a busca por espaços abertos e contato com a natureza se intensificou.

Conservação como Investimento: Retorno Econômico Exponencial

Os números do estudo do ICMBio reforçam que a conservação ambiental vai muito além da proteção ecológica, gerando benefícios econômicos tangíveis. Para cada R$ 1 investido no Instituto Chico Mendes, são gerados R$ 16 em valor agregado ao PIB nacional e R$ 2,30 em arrecadação tributária. A atividade turística dentro das unidades de conservação, por exemplo, gerou quase R$ 3 bilhões em impostos, um valor que supera o dobro do orçamento total do próprio órgão gestor.

- Anúncio -
Ad image

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, enfatizou o potencial econômico das áreas protegidas. Ele ressaltou que, desde 2023, o governo federal expandiu e criou 20 novas unidades de conservação, abrangendo uma área de mais de 1,7 milhão de hectares. “As Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e do controle do desmatamento, mas contribuem expressivamente para o desenvolvimento da nossa economia em bases sustentáveis. O cuidado com essas áreas protegidas, portanto, é essencial”, afirmou o ministro.

Mauro Pires, presidente do ICMBio, corroborou essa visão, destacando o papel estratégico do turismo de natureza no desenvolvimento regional. Para ele, os resultados expressivos em visitação, geração de emprego, renda e arrecadação fiscal “reforçam que investir em conservação da natureza e na vivência das pessoas nas áreas naturais gera benefícios econômicos, saúde e qualidade de vida”.

Destinos de Destaque: Os Gigantes do Ecoturismo Brasileiro

O ranking das unidades de conservação mais procuradas por turistas é liderado pelo Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, que recebeu mais de 4,9 milhões de visitantes em 2025. Este icônico parque, lar do Cristo Redentor, oferece uma gama de atrações, incluindo a Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Vista Chinesa, o Pico da Tijuca, e extensas trilhas como a Transcarioca.

Na segunda posição, o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, registrou 2,2 milhões de visitas. Famoso pelas deslumbrantes Cataratas do Iguaçu, o parque diversificou sua oferta turística com atividades inovadoras, como cicloturismo, astroturismo, passeios de barco e experiências noturnas para contemplação da lua cheia, ampliando o leque de experiências para seus visitantes.

Com 1,3 milhão de visitantes, o Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará, garantiu a terceira colocação. O destino é um paraíso natural, com atrações como a Pedra Furada, a Árvore da Preguiça e os manguezais do Rio Guriú, sendo também um renomado centro para esportes aquáticos como o kitesurf. Fora da categoria de parques nacionais, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, liderou com 9,05 milhões de visitas, enquanto o Monumento Natural do Rio São Francisco, abrangendo Bahia e Sergipe, foi incorporado ao levantamento pela primeira vez, atraindo 1,17 milhão de visitantes.

Metodologia e os Desafios da Gestão Sustentável

O estudo do ICMBio utilizou o modelo internacional Tourism Economic Model for Protected Areas (TEMPA), uma metodologia reconhecida pela Unesco e pelo Banco Mundial para mensurar o impacto econômico do turismo em áreas protegidas. Este rigor científico garante a confiabilidade dos dados apresentados.

Além do turismo convencional, as unidades de conservação atraem visitantes com interesses diversos, como educação ambiental, pesquisa científica, observação de aves e vida silvestre, escaladas, trilhas e experiências enriquecedoras junto a comunidades tradicionais. Contudo, o crescente número de visitantes também traz consigo desafios de gestão. O ICMBio alerta para a necessidade de equilibrar o uso público com a conservação ambiental, aprimorar a infraestrutura, fortalecer ações de educação ambiental e refinar o monitoramento dos impactos sobre os ecossistemas, garantindo que o desenvolvimento econômico seja verdadeiramente sustentável.

Em suma, o cenário de visitação recorde nas Unidades de Conservação federais do Brasil não apenas sublinha a beleza e a importância ecológica desses patrimônios naturais, mas também reafirma seu papel crucial como motores econômicos. Ao gerar empregos, renda e arrecadação fiscal, as UCs demonstram que investir em conservação é investir no futuro do país, promovendo um desenvolvimento que harmoniza prosperidade econômica com a salvaguarda de ecossistemas vitais e a qualidade de vida da população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar este arquivo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *