FAO Premia Pescadoras Brasileiras como ‘Heroínas’: Destaque para Liderança e Sustentabilidade

Dinael Monteiro
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© FAO/Divulgação

Duas notáveis pescadoras brasileiras foram agraciadas em Roma pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), recebendo o prestigioso título de 'Heroínas da FAO nos Sistemas Agroalimentares e no Desenvolvimento Rural'. Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, e Joana Rodrigues Mousinho foram as escolhidas para representar o Brasil entre as 100 mulheres homenageadas globalmente. A premiação ressalta a importância vital de suas trajetórias na garantia da segurança alimentar, na promoção da inclusão social, na sustentabilidade ambiental e no fortalecimento das comunidades rurais.

Reconhecimento Global da FAO

A iniciativa da FAO, intitulada '100 Mulheres Heroínas', visa a celebrar mulheres que, através de suas vidas e trabalhos, demonstram um compromisso excepcional com a melhoria dos sistemas agroalimentares e o desenvolvimento rural. As homenageadas são selecionadas por suas contribuições significativas para a segurança alimentar, a geração de renda, a resiliência comunitária e a sustentabilidade ambiental. Este reconhecimento internacional não apenas valida os esforços individuais de Luena e Joana, mas também lança luz sobre o papel insubstituível das mulheres na pesca artesanal e na salvaguarda dos recursos naturais.

Luena Pataxó: Voz Indígena e Liderança Comunitária

Com 44 anos, Luena Pataxó possui uma conexão ininterrupta com o mar e a pesca, uma herança de sua infância ajudando os pais no preparo de peixes e mariscos. Após uma fase como pescadora e, posteriormente, marisqueira para catar camarões, sua jornada a levou à liderança. Ela preside o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia e foi a força motriz por trás da criação do Grupo de Trabalho Indígena Nacional, instituído por meio do Plano Nacional da Pesca Artesanal. Sua voz ressoa como um elo essencial entre a produção de alimentos e a preservação das águas, defendendo a pesca artesanal como pilar da alimentação saudável no Brasil e representando com orgulho pescadores, marisqueiros e todo o povo Pataxó.

Joana Mousinho: Pioneirismo e Legado na Pesca Artesanal

Aos 70 anos, a pernambucana Joana Rodrigues Mousinho é outra figura emblemática homenageada pela FAO. Sua carreira de mais de seis décadas na pesca artesanal no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma (PE), é marcada por conquistas pioneiras. Joana foi a primeira mulher a presidir uma colônia de pescadores no Brasil e uma das pioneiras no país a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), um marco para a formalização e reconhecimento da mulher pescadora. Ela também desempenhou um papel fundamental na fundação da Articulação Nacional das Pescadoras, um movimento essencial que impulsionou a visibilidade e a defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras do setor, sendo seu legado reconhecido em 2024 com o Prêmio Mulheres das Águas do Ministério da Pesca e Aquicultura.

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O Impacto Transformador das Heroínas

As histórias de Luena Pataxó e Joana Mousinho transcendem o reconhecimento individual; elas simbolizam a força, a resiliência e a capacidade transformadora das mulheres no cenário agroalimentar global. Suas ações não apenas asseguram o sustento de suas famílias e comunidades, mas também inspiram a luta por direitos, a valorização da cultura local e a proteção dos ecossistemas aquáticos. Ao homenageá-las, a FAO não apenas celebra suas conquistas, mas também amplifica a mensagem de que o futuro da alimentação e da sustentabilidade passa, inevitavelmente, pelas mãos e pela sabedoria das mulheres que dedicam suas vidas à terra e, neste caso, às águas.

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