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Indústria Brasileira Trava em 2025: Faturamento Estagnado Após Desaceleração Econômica

Dinael Monteiro
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© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

O setor industrial brasileiro encerrou o ano de 2025 em um cenário de estagnação, com o faturamento da indústria de transformação registrando uma variação marginal de apenas 0,1% em relação ao ano anterior. Os dados, compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em seus Indicadores Industriais, revelam uma desaceleração acentuada da atividade econômica, especialmente sentida no segundo semestre.

Desempenho Frágil Após Início Promissor

Apesar do resultado anual praticamente nulo, a trajetória do faturamento industrial em 2025 foi marcada por dois momentos distintos. O primeiro semestre apresentou um panorama positivo, acumulando uma alta de 5,7% frente ao mesmo período de 2024. Contudo, essa dinâmica foi revertida por uma sequência de resultados negativos na segunda metade do ano, culminando em uma retração de 1,2% em dezembro. Essa queda no último mês representou a quarta em um intervalo de apenas seis meses, dissipando o ímpeto inicial.

A estagnação observada em 2025 contrasta fortemente com o vigor demonstrado em 2024, quando o faturamento industrial registrou um avanço de 6,2%, consolidando-se como o maior crescimento em 14 anos. A incapacidade de sustentar esse ritmo positivo indica os desafios enfrentados pelo setor recentemente.

Indicadores de Atividade Apontam Perda de Fôlego

Outros indicadores cruciais para a análise da saúde industrial também corroboram a percepção de perda de fôlego. As horas trabalhadas na produção, por exemplo, tiveram uma queda de 1% em dezembro comparado a novembro, somando o quarto recuo em seis meses. Ainda que o indicador tenha fechado 2025 com uma alta anual de 0,8%, esse crescimento foi impulsionado primordialmente pelo desempenho favorável do primeiro semestre.

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Similarmente, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 0,4 ponto percentual em dezembro, atingindo 76,8%. A média anual da UCI em 2025 ficou 1,2 ponto percentual abaixo da registrada em 2024, evidenciando uma menor utilização dos recursos produtivos da indústria ao longo do ano.

Juros Elevados e Concorrência Externa Freiam o Setor

A Confederação Nacional da Indústria aponta os elevados patamares das taxas de juros como o principal catalisador do enfraquecimento industrial. Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, destacou que o encarecimento do crédito impacta diretamente tanto os empresários, que enfrentam dificuldades para investir e expandir, quanto os consumidores, que reduzem seu poder de compra. Esse cenário é agravado pela crescente entrada de produtos importados, notadamente bens de consumo, que disputam e conquistam parcela significativa do mercado interno.

Impacto no Mercado de Trabalho e Renda

O mercado de trabalho industrial também sentiu os efeitos da desaceleração. O emprego no setor registrou uma queda de 0,2% em dezembro em relação a novembro, marcando o quarto recuo mensal consecutivo. Apesar dessa sequência negativa na reta final do ano, o emprego industrial conseguiu fechar 2025 com um crescimento anual de 1,6% em comparação com o ano anterior, refletindo a força da primeira metade do período.

Contudo, a massa salarial real e o rendimento médio real apresentaram declínios mais acentuados. A massa salarial real registrou sua quinta queda em seis meses em dezembro (-0,3%), acumulando uma redução de 2,1% ao longo de todo o ano. O rendimento médio real, por sua vez, mostrou-se praticamente estável em dezembro (+0,2%), mas encerrou 2025 com uma significativa queda de 3,6% em relação a 2024, indicando uma perda real no poder aquisitivo dos trabalhadores da indústria.

Perspectivas Desafiadoras para a Indústria

O balanço de 2025, conforme os Indicadores Industriais da CNI, pinta um quadro de grande desafio para a indústria de transformação brasileira. A interrupção de um período de forte crescimento e a subsequente estagnação do faturamento, aliadas à deterioração de indicadores de atividade e do mercado de trabalho, sublinham a necessidade de políticas que mitiguem os efeitos dos juros altos e da concorrência externa. O setor encerra o ano pressionado, buscando formas de reverter o cenário de baixo dinamismo e retomar um caminho de expansão mais robusto.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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