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Inflação Brasileira Desacelera em Abril para 0,67%, Pressionada por Alimentos e Combustíveis

Dinael Monteiro
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© Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,67% em abril, marcando uma desaceleração em relação ao mês anterior, quando havia alcançado 0,88%. Apesar da menor intensidade, os preços de alimentos continuaram a ser um dos principais motores de alta, conforme dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal também veio abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava um índice de 0,69%.

Cenário Anual e o Alinhamento com a Meta Governamental

No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,39%, mantendo-se dentro da margem de tolerância da meta estabelecida pelo governo, que é de 3% com um desvio de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, até 4,5%. Esse patamar representa uma leve elevação em comparação ao acumulado de um ano encerrado em março, que foi de 4,14%. Para contextualizar, em abril do ano passado, a inflação mensal havia sido de 0,43%, com um acumulado anual de 5,53%, indicando um arrefecimento no ritmo anual comparado ao período anterior.

O Peso Predominante dos Alimentos na Cesta do Consumidor

O grupo 'Alimentação e bebidas' exerceu a maior pressão sobre o IPCA de abril, contribuindo com 0,29 ponto percentual e registrando um aumento de 1,34%. O analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, destacou que este grupo foi responsável por notáveis 43% da inflação do mês. O custo da alimentação consumida em casa teve uma variação de 1,64%, enquanto a alimentação fora do domicílio subiu 0,59%. As altas são atribuídas a uma combinação de fatores, incluindo a oferta de produtos e os custos logísticos.

Entre os itens alimentícios que mais influenciaram o índice, o leite longa vida se destacou com um aumento expressivo de 13,66%, refletindo a sazonalidade do clima mais seco que reduz a disponibilidade de pasto e eleva a necessidade de ração para os animais, impactando os custos de produção. Além do leite, outros produtos como cenoura (26,63%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%) também registraram variações significativas, somando-se ao impacto geral.

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Combustíveis e o Efeito da Geopolítica Global

Embora o grupo 'Transportes' tenha apresentado uma variação de apenas 0,06% em abril, os combustíveis, que compõem uma parcela relevante, registraram um aumento de 1,80%. A gasolina, por exemplo, encareceu 1,86% no mês, após um aumento ainda maior em março (4,59%). O óleo diesel subiu 4,46%, e o etanol, 0,62%. Essas elevações são largamente explicadas pela turbulência no Oriente Médio, uma região estratégica para a produção e escoamento de petróleo bruto, commodity negociada em nível global. O Brasil, mesmo sendo produtor, sente os impactos do cenário internacional, especialmente por importar cerca de 30% do diesel consumido, o que o torna vulnerável às flutuações de preços.

Em resposta à escalada de preços impulsionada pelo conflito, o governo tem implementado medidas como isenções de tributos federais e subvenções para empresas, buscando atenuar o repasse dos aumentos aos consumidores.

Tendências Divergentes: Alívio em GNV e Passagens Aéreas

Em contraste com a tendência geral de alta nos combustíveis, o gás natural veicular (GNV) apresentou uma queda de 1,24% em abril. Segundo Fernando Gonçalves, essa particularidade se deve à menor dependência de importações e à flexibilidade na definição de preços pelos comerciantes locais, que podem ajustar o valor em um cenário de concorrência com outros combustíveis mais caros. Outro fator de alívio para a inflação foi a expressiva redução de 14,45% nas passagens aéreas, resultando em um impacto negativo de 0,11 ponto percentual no IPCA, sendo o subitem que mais contribuiu para frear o índice. Essa queda, contudo, é atribuída à defasagem na coleta de dados, que capta os preços com 60 dias de antecedência (fevereiro), não refletindo ainda o aumento do querosene de aviação (QAV) influenciado pelo conflito no Irã, iniciado em 28 de fevereiro.

Amplitude da Pressão Inflacionária e Outros Destaques

O índice de difusão, que mede a disseminação da inflação entre os produtos e serviços pesquisados, registrou 65% em abril, uma ligeira queda em relação aos 67% observados em março. Isso indica que, embora o ritmo geral tenha desacelerado, a inflação ainda está presente em uma ampla gama dos 377 subitens monitorados pelo IBGE. Além dos grupos de Alimentação e Transportes, outros setores também contribuíram para o índice, como 'Saúde e cuidados pessoais', que subiu 1,16% com impacto de 0,16 p.p., e 'Habitação', que aumentou 0,63% com impacto de 0,10 p.p., evidenciando a pluralidade das pressões sobre os preços no período.

Produtos de Destaque Além dos Alimentos e Combustíveis

Dentro do panorama geral, itens como produtos farmacêuticos (1,77%) e artigos de higiene pessoal (1,57%) também tiveram um impacto considerável, cada um contribuindo com 0,06 p.p. para o IPCA. O gás de botijão registrou alta de 3,74% e a energia elétrica residencial subiu 0,72%, somando-se às pressões sobre o orçamento familiar.

Conclusão

A inflação de abril, ao desacelerar para 0,67%, trouxe um respiro em relação aos meses anteriores, mas o cenário ainda aponta para desafios persistentes. A pressão exercida por alimentos e bebidas continua sendo um fator crucial, refletindo questões sazonais e logísticas. Soma-se a isso o impacto dos combustíveis, fortemente influenciado por conjunturas geopolíticas globais, que mantém um alerta ligado sobre o custo da energia. Apesar de o acumulado de 12 meses permanecer dentro da meta governamental, a dinâmica de preços exige atenção contínua, uma vez que diversas categorias de produtos e serviços seguem apresentando variações, influenciando diretamente o poder de compra dos brasileiros.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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