Em um pronunciamento de significativa ressonância geopolítica, o líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, lançou um apelo global aos países islâmicos. A convocação é para que estas nações se unam a Teerã na busca por uma reconfiguração da ordem regional, que, em sua visão, deveria ser livre da presença militar dos Estados Unidos e da existência do Estado de Israel. A declaração surge em um momento estratégico, aproveitando o alcance massivo da peregrinação anual a Meca, o Hajj, que mobiliza milhões de muçulmanos de todo o mundo.
Convocação Durante o Hajj: Um Apelo à Unidade Islâmica
A mensagem de Sayyid Mojtaba Khamenei, divulgada em carta durante o segundo dia do Hajj — a jornada sagrada a Meca —, foi direcionada à vasta comunidade islâmica global, a Ummah Islâmica. O evento, que anualmente reúne mais de 1,5 milhão de fiéis na Arábia Saudita, serviu como plataforma para o líder iraniano expressar um convite sincero à amizade e à cooperação entre todos os países e governos islâmicos. Ele enfatizou que a região e a Ummah possuem capacidades e interesses comuns que são cruciais para moldar uma nova arquitetura global e regional, impulsionando o avanço coletivo da comunidade islâmica. Khamenei incentivou os peregrinos iranianos a disseminar a percepção de uma 'vitória' iraniana contra a 'guerra de agressão' empreendida pelos EUA e Israel.
O Fim da Influência Americana e a Questão de Israel
Um dos pilares da visão de Khamenei é o fim iminente da hegemonia americana na região. Segundo ele, os Estados Unidos estão em um declínio irreversível, perdendo seu antigo status e a capacidade de manter refúgios seguros ou bases militares para suas operações. O líder persa assegurou que 'o tempo não retrocederá' e que a região não abrigará mais instalações militares norte-americanas, indicando uma mudança de paradigma no equilíbrio de poder regional. Quanto a Israel, Mojtaba Khamenei foi igualmente enfático, declarando que o 'regime sionista abalado' e o 'tumor cancerígeno de Israel' estariam se aproximando dos estágios finais de sua existência, ecoando uma profecia feita por seu pai dez anos antes, de que Israel não sobreviveria por mais 25 anos.
Visão de um Estado Palestino Unificado
Divergindo do consenso internacional que propõe uma solução de dois Estados – um palestino e outro israelense –, o Irã, através de seu líder supremo, defende a criação de um Estado único. Essa proposta iraniana prevê o retorno da diáspora palestina, onde árabes e judeus coexistiriam sob uma mesma soberania. Tal posicionamento contrasta diretamente com a postura de Israel, que rejeita veementemente a ideia de um Estado palestino independente.
O Eixo da Resistência e a Nova Civilização Islâmica
Khamenei também enalteceu a Revolução Islâmica de 1979, que depôs a dinastia Pahlavi apoiada pelos EUA, e a resiliência iraniana diante de 47 anos de cerco econômico e incessantes ataques políticos, propagandísticos e econômicos. Ele destacou a importância do chamado Eixo da Resistência – uma aliança que engloba grupos e nações como Líbano, Palestina, Iraque, Síria, Iêmen, Afeganistão e Paquistão, além de regiões da África. Para o aiatolá, essa coalizão é vital para proteger a Ummah Islâmica contra agressores sionistas, frustrar a agenda do Daesh (ISIS), deflagrar a 'Inundação de Al-Aqsa' e precipitar o colapso final do regime sionista. O líder supremo reiterou que cada muçulmano tem um papel fundamental na concretização do futuro da 'Nova Civilização Islâmica', que redefinirá a ordem de poder na região.
A Ascensão do Líder Supremo e a Estrutura de Poder Iraniana
Mojtaba Khamenei ascendeu ao cargo de líder supremo, segundo a notícia, após o assassinato de seu pai, Ali Khamenei, que ocupava a posição há 36 anos, em meio ao início da guerra contra Israel e os EUA. No Irã, o líder supremo é uma figura central na estrutura de poder da República Islâmica. Ele é eleito pela Assembleia dos Especialistas, composta por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a Constituição iraniana permite que a Assembleia destitua o líder. Ele atua como uma espécie de Poder Moderador, com as Forças Armadas diretamente sob seu comando, e não do Executivo. Além do líder supremo, a estrutura de poder inclui o Conselho dos Guardiões, um órgão de 12 membros que fiscaliza se as leis aprovadas pelo Parlamento estão em conformidade com os princípios morais e religiosos do Islã.
A contundente convocação de Sayyid Mojtaba Khamenei durante o Hajj sinaliza uma intensificação na retórica iraniana em prol de uma remodelação radical do Oriente Médio. Ao apelar para a união da Ummah Islâmica e ao delinear uma visão de uma região livre da influência ocidental e de Israel, o Irã busca galvanizar apoio para uma 'Nova Civilização Islâmica'. As implicações dessa articulação são vastas, prometendo moldar as dinâmicas geopolíticas e as relações internacionais na região para os próximos anos, à medida que Teerã procura consolidar seu papel como um ator chave na definição do futuro regional.


