Juiz de Fora, em Minas Gerais, enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história. A prefeitura da cidade declarou estado de calamidade pública na última segunda-feira (23), após um volume de chuvas sem precedentes que resultou em uma série de desastres e, tragicamente, na morte de 14 pessoas. O município registrou um fevereiro com 584 milímetros de precipitação acumulada, um índice que não apenas superou o dobro do esperado para o mês, mas também o consagrou como o período mais chuvoso já documentado.
A situação é de alerta máximo, com a administração municipal e órgãos de segurança mobilizados para atender às inúmeras ocorrências e mitigar os impactos da catástrofe que transformou a rotina da população e desafia a infraestrutura local.
Recorde Histórico de Chuvas e as Consequências Diretas
O volume extraordinário de 584 milímetros de chuva, atestado pela prefeita Margarida Salomão em suas redes sociais, desencadeou uma série de eventos catastróficos. Além de superar todas as expectativas pluviométricas para fevereiro, essa intensidade resultou na perda de 14 vidas, confirmadas após os temporais do dia 23. A prefeita detalhou que o município registrou ao menos 20 soterramentos, com foco principal na região sudeste da cidade, evidenciando a vulnerabilidade do terreno e a força da natureza.
A declaração de calamidade pública é uma resposta direta à magnitude dos transtornos, que vão desde os fatais soterramentos até o colapso de infraestruturas essenciais, isolando comunidades inteiras e exigindo uma ação emergencial coordenada em larga escala.
Mobilização de Emergência e Impactos na Infraestrutura
Diante da adversidade, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Defesa Civil estão empenhados em uma corrida contra o tempo para salvar vidas e prestar socorro. A mobilização envolve a totalidade dos recursos disponíveis, atuando em cenários de risco iminente. Um dos acontecimentos mais emblemáticos foi o transbordamento do Rio Paraibuna, um fato igualmente histórico que agravou a crise, transformando ruas em rios e colocando inúmeras propriedades em risco.
A corporação dos bombeiros foi acionada para mais de 40 chamadas emergenciais em poucas horas, abordando ocorrências de inundações generalizadas, deslizamentos de terra, riscos estruturais em encostas e nas proximidades do rio. Vias foram bloqueadas, moradores ficaram ilhados e casas foram diretamente atingidas, demonstrando a ampla extensão dos danos e a complexidade das operações de resgate e assistência.
Paralisação de Serviços e Alerta à População
A intensidade das chuvas e seus desdobramentos levaram à paralisação de importantes serviços públicos. Todas as creches e escolas da rede municipal tiveram suas aulas suspensas por tempo indeterminado, visando garantir a segurança de alunos e educadores. Para os funcionários da prefeitura, foi instituído o regime de teletrabalho, minimizando a circulação de pessoas e o risco em deslocamentos.
A recomendação oficial para a população é de máxima cautela: evitar sair de casa e abster-se de deslocamentos desnecessários. O objetivo é proteger os cidadãos de novos incidentes, liberar as vias para as equipes de emergência e assegurar que as operações de socorro e recuperação possam prosseguir sem intercorrências adicionais. A cidade permanece em estado de vigilância, aguardando a diminuição dos riscos e a estabilização da situação.
Caminhos para a Recuperação
Juiz de Fora agora se volta para as árduas tarefas de recuperação e reconstrução. A declaração de calamidade pública permite à cidade acessar recursos e apoio em esferas estaduais e federais, cruciais para a superação dos extensos danos materiais e para o suporte às famílias afetadas. A solidariedade e a colaboração de todos serão fundamentais para que o município possa se reerguer diante do cenário desolador, honrando a memória das vítimas e trabalhando incansavelmente pela segurança e bem-estar de seus habitantes.


