A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, enfrenta um cenário crítico após as intensas chuvas que assolaram a Zona da Mata mineira. A prefeita Margarida Salomão revelou, em entrevista, que uma proporção alarmante da população – um em cada quatro habitantes – reside em áreas classificadas como de risco. Essa constatação sublinha a urgência de intervenções estruturais em todo o município para mitigar a ocorrência de futuras catástrofes, que já ceifaram dezenas de vidas na região.
A Extensão do Perigo: Viver nas Encostas
A realidade de Juiz de Fora, assim como de outras cidades serranas como Petrópolis (RJ) e Angra dos Reis (RJ), é marcada pela ocupação de encostas, transformando-as em moradias. A prefeita Margarida Salomão enfatiza que o risco não se restringe a populações de baixa renda; mesmo setores mais abastados da classe média e alta estão vulneráveis, construindo em locais perigosos. Um trágico exemplo recente foi o desmoronamento de uma residência de alto padrão edificada em encosta, resultando em uma fatalidade, ilustrando a abrangência da problemática.
As Chuvas e o Rastro de Destruição
Desde a última segunda-feira, as fortes precipitações na região da Zona da Mata mineira desencadearam uma série de deslizamentos e enchentes, deixando um saldo devastador. O balanço total aponta para 64 mortes confirmadas: 58 vítimas em Juiz de Fora e seis no município vizinho de Ubá. Especialistas têm apontado a negligência com as mudanças climáticas como um fator agravante para a intensidade desses temporais, ressaltando que tais tragédias servem como um 'chamado da natureza' para a conscientização e a ação imediata.
O Desafio Humano do Reassentamento
Convencer moradores a deixarem suas casas, muitas vezes fruto de uma vida inteira de esforço e poupança, representa um dos maiores obstáculos nas ações de prevenção e reparação. A prefeita descreve esse processo como 'monstruoso', exigindo extrema paciência, empatia e capacidade de acolhimento das autoridades. Atualmente, mais de 500 pessoas buscam refúgio nos abrigos municipais, e cerca de 5 mil estão desalojadas, buscando amparo em casas de familiares ou amigos.
Para aqueles que não puderem retornar às suas residências, a prefeitura de Juiz de Fora planeja integrá-los a um programa de moradia, oferecendo inicialmente aluguel social até que uma solução habitacional definitiva seja viabilizada.
Respostas e Apoio Governamental
Em resposta à calamidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou sua visita e sobrevoo à região afetada, incluindo Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, municípios mais atingidos. A agenda presidencial inclui uma reunião com lideranças locais na prefeitura de Juiz de Fora, com o objetivo de oferecer suporte à população e anunciar a liberação de recursos para a reconstrução das cidades.
A Defesa Civil Nacional já reconheceu o estado de calamidade pública nos três municípios mencionados, e o governo federal liberou mais de R$ 3 milhões para ações de atendimento emergencial e recuperação. Adicionalmente, a partir desta sexta-feira, os moradores das áreas afetadas estão aptos a solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com um limite de R$ 6.220 por beneficiário, como medida de alívio financeiro.
Olhar para o Futuro: Reconstrução e Prevenção Contínua
Embora o foco imediato seja a reparação e o atendimento emergencial, a prefeitura de Juiz de Fora já direciona seus esforços para o planejamento de intervenções de longo prazo. O objetivo é transformar a cidade em um 'espaço de convivência e segurança', por meio de ações estruturais que garantam a proteção dos habitantes.
Ainda assim, o alerta permanece: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém um aviso de perigo para chuvas intensas na Zona da Mata, válido até as 23h59 desta sexta-feira, com previsão de altos volumes de precipitação e ventos fortes. As preocupações com cortes de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos e descargas elétricas persistem, reforçando a necessidade de vigilância constante e resiliência por parte da população e das autoridades.


