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Juros do Cartão de Crédito Disparam e Pressionam Orçamento das Famílias em Fevereiro

Dinael Monteiro
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© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

O custo do crédito para as famílias brasileiras registrou um aumento significativo em fevereiro, conforme revelam as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). Os dados apontam para uma elevação generalizada nas taxas, com o cartão de crédito rotativo se destacando como o principal vetor de pressão sobre o orçamento doméstico, atingindo patamares alarmantes e exacerbando o endividamento.

A Escalada dos Juros para Pessoas Físicas

A taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas alcançou 62% ao ano em fevereiro, representando um acréscimo de 1 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior e um salto de 5,4 p.p. em 12 meses. Dentro desse cenário, o cartão de crédito rotativo exibiu o avanço mais expressivo, registrando um aumento de 11,4 p.p. no mês e atingindo a impressionante marca de 435,9% ao ano, consolidando-se como uma das modalidades de crédito mais caras do mercado.

É crucial entender que o crédito rotativo, utilizado quando o consumidor paga um valor inferior ao total da fatura, funciona como um empréstimo de curto prazo, de até 30 dias, sobre o qual incidem juros elevados. Embora tenha havido um recuo de 16,7 p.p. em 12 meses para esta modalidade, as taxas mensais continuam a subir, evidenciando que a limitação de cobrança de juros em vigor desde janeiro de 2024, que visa reduzir o endividamento, não impacta diretamente a taxa de juros previamente pactuada na contratação. Após o período de 30 dias no rotativo, a dívida é usualmente parcelada pelas instituições financeiras, e nesse segmento de cartão parcelado, os juros também subiram 5,3 p.p. no mês e 16,9 p.p. em 12 meses, chegando a 200,2% ao ano.

Panorama para Empresas e o Crédito Direcionado

Em contraste com o cenário das famílias, as operações de crédito livre para pessoas jurídicas apresentaram um recuo de 0,1 p.p. nas taxas médias mensais para novas contratações, embora tenha havido um aumento de 1,1 p.p. no acumulado de 12 meses, fixando-se em 24,9% ao ano. Um ponto positivo para as empresas foi a redução de 3,1 p.p. na taxa média de juros das operações de capital de giro com prazo de até 365 dias, que caiu para 22,5% ao ano.

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Além do crédito livre, onde os bancos têm autonomia para definir as taxas, existe o crédito direcionado, cujas regras são estabelecidas pelo governo e que se destina principalmente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito. Para pessoas físicas, a taxa dessa modalidade ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com uma leve redução mensal e aumento em 12 meses. Já para as empresas, o crédito direcionado atingiu 13,2% ao ano, após altas no mês e no período de 12 meses. Considerando a totalidade dos recursos, livres e direcionados, para famílias e empresas, a taxa média de juros das concessões elevou-se para 33% ao ano em fevereiro.

A Influência da Selic e o Cenário Macroeconômico

A ascensão dos juros bancários está intrinsecamente ligada ao ciclo da taxa básica de juros da economia, a Selic, principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. Após um período prolongado de elevações e manutenção em patamares elevados, a Selic foi recentemente reduzida em 0,25 p.p. pelo Comitê de Política Monetária (Copom), sendo atualmente de 14,75% ao ano. Contudo, incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio, levantam a possibilidade de o BC revisar o atual ciclo de cortes, dependendo da evolução do cenário.

A política de juros altos visa 'esfriar' a demanda da economia, encarecendo o crédito e incentivando a poupança. Com isso, espera-se que o consumo diminua, contribuindo para a desaceleração da inflação. Nesse contexto, o spread bancário – a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, que cobre custos operacionais, riscos de inadimplência e lucros – também registrou alta, crescendo 0,5 p.p. no mês e 2,8 p.p. em 12 meses.

Volume de Crédito e o Endividamento Geral

O volume total de concessões de crédito alcançou R$ 602,3 bilhões em fevereiro. Apesar de um ligeiro recuo de 0,5% nas séries sazonalmente ajustadas, puxado por uma redução nas operações com pessoas jurídicas, as concessões para as famílias registraram uma expansão de 0,3% no mês. Em um horizonte de 12 meses, o crescimento nominal das concessões foi de 8,2%, com aumentos semelhantes tanto para empresas quanto para pessoas físicas.

Consequentemente, o estoque total de empréstimos concedidos pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,145 trilhões em fevereiro, um aumento de 0,4% em relação a janeiro. Este crescimento reflete a contínua dependência do crédito na economia, ao mesmo tempo em que as taxas mais elevadas para os consumidores, especialmente no rotativo do cartão, acendem um alerta para o potencial agravamento do endividamento familiar.

Conclusão

O panorama do crédito em fevereiro de 2024 delineia um cenário desafiador para as famílias brasileiras, que seguem enfrentando o peso de juros exorbitantes, notadamente no cartão de crédito rotativo. Embora medidas regulatórias busquem mitigar o endividamento, o custo efetivo do dinheiro ainda pressiona os orçamentos. A dinâmica da Selic, influenciada por fatores internos e externos, continuará a ser um termômetro fundamental para a evolução dessas taxas nos próximos meses, determinando o fôlego financeiro de milhões de brasileiros e a capacidade de investimento das empresas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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