A Páscoa se consolida como uma das datas comerciais mais aguardadas no calendário brasileiro, e o chocolate continua sendo o protagonista indiscutível. Apesar de uma parcela significativa dos consumidores considerar os preços dos ovos de Páscoa injustos em comparação com barras de chocolate de peso equivalente, um levantamento recente do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, revela uma impressionante intenção de compra: <b>90% dos brasileiros pretendem adquirir produtos relacionados à data neste ano</b>.
Este percentual representa cerca de 148 milhões de pessoas, superando em quatro pontos percentuais o índice de 2023, que registrava 86% de intenção de compra. A pesquisa, que entrevistou 1.557 brasileiros maiores de 18 anos em todo o país, entre 25 de fevereiro e 13 de março, sublinha a resiliência do desejo de consumo de chocolate, mesmo em um cenário de preços considerados elevados por 69% dos entrevistados.
A Resiliência do Consumidor Frente aos Preços
Apesar da percepção generalizada de que os ovos de Páscoa possuem um valor desproporcional em relação ao seu conteúdo, o apetite por chocolate permanece robusto. Este paradoxo aponta para a forte conexão emocional e cultural que a data estabelece com os consumidores. A intenção de compra é notavelmente influenciada pelo perfil do consumidor: 95% das classes AB, 88% da classe C e 80% das classes DE planejam comprar.
A presença de crianças no lar também impulsiona o consumo, com 93% dos pais e responsáveis demonstrando intenção de compra, em contraste com 82% entre aqueles sem filhos. Os propósitos de compra são variados: 69% dos que pretendem comprar chocolates o farão para presentear, enquanto 67% adquirirão produtos para consumo próprio em geral, e 63% especificamente ovos para si.
Fatores Decisivos na Escolha e a Ascensão dos Artesanais
A decisão de compra não se baseia apenas na intenção, mas também em critérios específicos. O preço emerge como o principal fator para 61% dos consumidores, seguido de perto pela qualidade dos ingredientes (53%). Outros elementos importantes incluem o tamanho do produto (44%), a reputação da marca (43%) e a variedade de sabores oferecidos (40%). Aspectos como a embalagem (29%), o conteúdo temático – como brindes e personagens (27%) – e a disponibilidade de opções para dietas especiais (12%) também são considerados.
Um dado revelador do estudo é a crescente preferência por produtos artesanais: 68% dos entrevistados afirmam optar por chocolates feitos por pequenos produtores. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destaca que, embora as marcas tradicionais ainda dominem em volume, os chocolates artesanais ganham um espaço considerável na decisão do consumidor. “Há uma busca crescente por produtos mais personalizados, com identidade e propósito. Esse movimento não só amplia as opções para o consumidor, como também fortalece o microempreendedor brasileiro”, afirma Meirelles.
A Evolução dos Formatos: Ovos e Alternativas
Tradicionalmente, os ovos de Páscoa são o formato preferencial, especialmente quando o presente é destinado a crianças, sendo mencionados por 68% dos compradores nessa situação, contra 56% que citam chocolates em formatos tradicionais. Para presentear adultos, a preferência pelos ovos cai ligeiramente para 66%, enquanto os formatos tradicionais são escolhidos por 63%. Curiosamente, quando questionados sobre o que gostariam de ganhar, tanto ovos quanto chocolates em formatos tradicionais alcançam 72% da preferência, indicando uma diversificação no paladar adulto.
Renato Meirelles explica que, embora o chocolate permaneça central na celebração, o formato do ovo não é o único motor do consumo na data. “Esse significado permanece mais forte quando o presente é para crianças, onde o ritual ainda faz diferença”, analisa. Ele acrescenta que, “entre adultos, outros formatos ganham relevância. Em um cenário de preços elevados, o consumidor brasileiro começa a separar o gesto de presentear do produto em si, abrindo espaço para novas formas de consumo”, o que impulsiona a busca por alternativas de custo-benefício ou com apelo diferenciado.
Páscoa: Geradora de Renda e Celebração Familiar
Além de impulsionar o comércio, a Páscoa também se revela uma importante fonte de renda. O levantamento aponta que 22% dos brasileiros, o equivalente a 36 milhões de pessoas, pretendem produzir ou vender chocolates na data. Esse percentual é ainda maior entre jovens de 18 a 29 anos (29%) e nas classes DE (33%), representando um crescimento notável em relação aos 19% registrados em 2023, e sinaliza um aquecimento do empreendedorismo e das oportunidades de geração de renda associadas à celebração.
A simbologia da Páscoa transcende o consumo. Para 82% dos brasileiros (135 milhões de pessoas), a data é um momento essencial para estar com a família. Cerca de 77% afirmam participar de almoços ou encontros especiais, sendo que 52% se reúnem exclusivamente com familiares e 42% com familiares e amigos. O ato de presentear pessoas queridas também é fundamental para 76% dos entrevistados. A dimensão da celebração se estende a outras compras, com 54% dos consumidores planejando adquirir alimentos para o almoço ou jantar de Páscoa (como peixes e sobremesas), 38% buscando bebidas, 32% produtos infantis ou brinquedos temáticos, e 28% itens de decoração, evidenciando o impacto abrangente da data na economia e no comportamento social.
Em suma, a Páscoa no Brasil se reafirma como um período de profundo significado cultural e econômico. Apesar dos desafios econômicos e da percepção de preços, o desejo por chocolate e a tradição de celebrar em família permanecem inabaláveis. O crescimento do empreendedorismo local e a diversificação nas preferências de consumo moldam um mercado vibrante e adaptável, onde a busca por qualidade, personalização e o gesto de presentear continuam a impulsionar as escolhas dos brasileiros.


