Miopia Infantil em Ascensão: Oftalmologistas Lançam Guia para Reduzir Impacto do Uso de Telas

Dinael Monteiro
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© COB/Divulgação

Em resposta ao preocupante avanço da miopia entre crianças e adolescentes, que tem sido associado diretamente ao uso excessivo de telas e à insuficiente exposição à luz natural, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) uniram forças para lançar uma iniciativa crucial. O objetivo é alertar e munir famílias e profissionais de saúde com ferramentas para mitigar este problema crescente, que afeta a saúde visual das futuras gerações. O resultado é a cartilha educativa “Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos”, apresentada publicamente na última sexta-feira.

A Cartilha: Um Guia Prático Contra a Miopia Pediátrica

O lançamento do material didático ocorreu durante o prestigiado 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), sediado em Salvador. Destinada a um público amplo que engloba pacientes, seus familiares, profissionais das áreas de saúde e educação, além de organizações correlatas, a cartilha será distribuída estrategicamente para Secretarias de Saúde e Educação em todo o território nacional. A iniciativa visa fornecer à população um conjunto de medidas simples e viáveis, facilmente incorporáveis à rotina diária, para enfrentar e prevenir a progressão da miopia na infância e adolescência.

O Papel Crucial da Luz Natural e Atividades ao Ar Livre

A principal recomendação do guia é que crianças e adolescentes dediquem, no mínimo, duas horas diárias a atividades ao ar livre. Isso inclui uma variedade de práticas, desde brincadeiras espontâneas e caminhadas até a prática estruturada de esportes e o simples contato com a natureza. Segundo especialistas do CBO, a exposição regular à luz natural age como um fator protetor fundamental contra o desenvolvimento e a progressão da miopia. Este tempo gasto fora de ambientes fechados, defendem os oftalmologistas, é essencial para reduzir as horas em que os olhos ficam fixos, a curta distância, em superfícies digitais, como celulares e computadores, diminuindo a tensão visual e promovendo uma visão mais saudável.

Limites de Tempo de Tela e Orientações Adicionais para a Saúde Ocular

A cartilha também estabelece limites de tempo de tela específicos para diferentes faixas etárias, baseados na vulnerabilidade do sistema visual em desenvolvimento. Para menores de 2 anos, o ideal é não ter tempo de tela algum. Crianças entre 2 e 5 anos devem limitar o uso a uma hora por dia. Aqueles entre 5 e 10 anos não devem exceder duas horas diárias, e para adolescentes de 10 a 18 anos, o limite recomendado é de até três horas por dia. Além desses limites, o documento enfatiza a importância de fazer pausas regulares durante qualquer atividade de perto, manter uma distância adequada dos dispositivos eletrônicos e sempre utilizar proteção solar ao ar livre, reforçando a abordagem multifacetada para a proteção da visão juvenil.

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Projeto Pequenos Olhares: Diagnóstico e Tratamento na Prática

Coincidindo com o lançamento da cartilha, o 5º Projeto Pequenos Olhares CBO foi realizado em Salvador, prestando atendimento oftalmológico a cerca de mil crianças e adolescentes durante o congresso. Esta iniciativa social, que contou com a dedicação de médicos voluntários, ofereceu nos dias do evento consultas e exames de diagnóstico ocular. Mais do que isso, proporcionou a distribuição gratuita de óculos de correção para os jovens que necessitavam, demonstrando um compromisso prático e direto com a saúde visual infantil e complementando as diretrizes preventivas da nova cartilha.

A ação conjunta da SBOP e do CBO, através da cartilha e de projetos como o Pequenos Olhares, representa um esforço abrangente para combater a crescente epidemia de miopia entre os jovens. Ao educar a população sobre os riscos do excesso de telas e os benefícios indispensáveis do tempo ao ar livre, as entidades buscam proteger a visão das futuras gerações e promover um estilo de vida mais saudável para os olhos.

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