Rede JP Lança 2ª Edição de Formação em Cibersegurança para Mulheres Negras, Indígenas e Quilombolas na América Latina

Dinael Monteiro
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© Divulgação: Rede JP

A Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone) abriu as inscrições para sua aguardada segunda edição. A iniciativa, promovida pela Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP), oferece uma formação abrangente e gratuita em cibersegurança, acompanhamento psicossocial e orientação jurídica. O programa tem como objetivo principal proteger, capacitar e articular mulheres negras, indígenas e quilombolas de toda a América Latina que enfrentam violência digital, com o prazo final para candidaturas estabelecido para 5 de agosto. Interessadas podem se inscrever gratuitamente por meio de um formulário online.

Expansão do Alcance e Fortalecimento da Resiliência Digital

A Repcone 2026 transcende a esfera do jornalismo, direcionando-se a um público mais amplo de mulheres em posições de liderança comunitária, institucional ou organizacional, tanto no Brasil quanto na América Latina, que estão expostas a riscos de segurança digital e violência online devido à sua atuação pública. Marcelle Chagas, coordenadora geral e idealizadora da Rede JP, destaca a importância de ampliar o alcance da iniciativa. Segundo ela, "a expectativa é garantir que a oportunidade de participação chegue a comunicadoras e lideranças negras de diferentes regiões e territórios, fortalecendo uma rede cada vez mais diversa e conectada".

A formação visa fortalecer a capacidade de proteção, resposta e resiliência dessas mulheres que atuam em visibilidade pública. O programa combate ameaças digitais, violência online e campanhas de desinformação, com o objetivo final de promover segurança, cuidado e apoio transnacional em todo o continente latino-americano. Chagas observa que "o ambiente digital tem se tornado um espaço cada vez mais complexo e, muitas vezes, mais nocivo para mulheres negras que ocupam espaços públicos, seja na comunicação, na defesa de direitos ou na liderança comunitária", sublinhando a urgência de iniciativas como a Repcone.

Estrutura Programática e Inovação em Apoio Tecnológico

A formação da Repcone é estruturada em quatro frentes de atuação integradas, projetadas para oferecer um suporte completo às participantes. O programa inclui aulas virtuais focadas em segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e estratégias de enfrentamento à desinformação. Paralelamente, as participantes recebem proteção e cuidado através de apoio psicossocial e orientação jurídica especializada. Um pilar fundamental é a resposta rápida, que oferece protocolos de atuação diante de ataques coordenados, assédio online e campanhas de desinformação, complementada por uma robusta infraestrutura tecnológica.

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A grade de aulas virtuais prevê quatro encontros online via plataforma Zoom, abordando temas cruciais com acessibilidade garantida em Libras e tradução para português e espanhol. Além do aprendizado online, as 30 selecionadas terão a oportunidade de participar de oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru, com a colaboração de organizações parceiras locais. Um diferencial importante é o apoio financeiro para que as participantes possam replicar o conhecimento adquirido em suas comunidades, por meio de ações comunitárias e campanhas de conscientização. A edição deste ano também integra a inteligência artificial voltada à proteção de mulheres em ambientes digitais, marcando o lançamento do "Latinas IA", uma ferramenta desenvolvida pela Rede JP para dar apoio e oferecer recursos tecnológicos.

Critérios de Seleção e Contexto das Inscrições

O processo seletivo da Repcone prioriza mulheres que atuam em contextos de invisibilidade estrutural e de maior risco em razão de sua atuação pública. Serão selecionadas 30 mulheres de toda a América Latina, buscando refletir a diversidade de perfis, territórios, identidades e formas de atuação pública na região. A prioridade de seleção é dada a mulheres negras (pretas e pardas), mulheres indígenas e mulheres pertencentes a povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, ribeirinhas, caiçaras e de terreiro, sejam elas comunicadoras ou lideranças em associações, coletivos, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

As candidatas selecionadas serão notificadas por e-mail e WhatsApp. O período de inscrições coincide com as celebrações do Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, cujo ponto alto é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho, conferindo um simbolismo especial à abertura desta segunda edição da Repcone.

Um Compromisso com a Cibersegurança e o Fortalecimento da Rede

A segunda edição da Repcone reafirma o compromisso da Rede de Jornalistas Pretos em criar um ambiente digital mais seguro e equitativo para mulheres negras, indígenas e quilombolas na América Latina. Ao integrar formação em segurança digital com apoio psicossocial, orientação jurídica e o uso estratégico da inteligência artificial, a iniciativa não apenas capacita individualmente, mas também fortalece coletivamente uma rede vital de lideranças e comunicadoras. Este esforço colaborativo é fundamental para enfrentar a crescente complexidade das ameaças digitais e garantir que essas vozes essenciais possam continuar a atuar publicamente com segurança e resiliência, construindo um futuro mais justo e conectado.

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