O ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, não compareceu à reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta quarta-feira (8). Esta é a terceira ocasião em que a comissão, empenhada em apurar a atuação e expansão de facções criminosas no Brasil, tenta sem sucesso ouvir o economista que esteve à frente do BC entre 2019 e 2024. A ausência de Campos Neto levanta questões sobre os limites da prerrogativa parlamentar e a busca por informações técnicas essenciais para as investigações.
A Terceira Ausência e o Impasse Jurídico
A mais recente ausência de Roberto Campos Neto ocorreu após seus advogados informarem ao colegiado que a obrigatoriedade de sua presença, na condição de testemunha qualificada, violaria uma decisão prévia do Supremo Tribunal Federal (STF). Campos Neto foi convocado pela CPI justamente por possuir conhecimento técnico considerado relevante para os trabalhos da comissão. A justificativa legal apresentada por sua defesa coloca a CPI diante de um impasse, uma vez que a convocação, por sua natureza, exige a presença do convocado.
Cronologia de Convocação e Recusas
A tentativa desta quarta-feira (8) marca o terceiro esforço da CPI para obter o depoimento do ex-presidente do Banco Central. O processo começou em 3 de março, quando o ministro André Mendonça, do STF, converteu a convocação inicial em convite, tornando a participação facultativa. Mesmo após essa decisão judicial, a comissão insistiu, reenviando um convite para a reunião de 31 de março. Diante da nova recusa do economista, o colegiado aprovou, na mesma data, uma nova convocação com caráter obrigatório para a sessão desta quarta-feira, demonstrando a persistência do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e dos demais membros em obter suas contribuições.
O Mandato da CPI e a Urgência por Respostas
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado foi estabelecida com o objetivo primordial de investigar a estrutura, o modus operandi e a expansão das organizações criminosas no Brasil. O senador Contarato reiterou a relevância do depoimento de Campos Neto, sublinhando que sua expertise técnica poderia fornecer subsídios cruciais para o entendimento dos mecanismos financeiros e econômicos utilizados pelas facções. Com o prazo final dos trabalhos da CPI, fixado em 14 de maio pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e sem possibilidade de prorrogação, a comissão agora avalia rapidamente quais medidas legais serão tomadas frente à ausência. Curiosamente, na mesma sessão, os parlamentares ouviram o depoimento do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O cenário atual da CPI reflete uma corrida contra o tempo para angariar todas as informações necessárias antes do encerramento de seus trabalhos. A ausência de Roberto Campos Neto, em meio ao iminente prazo final e à recusa de prorrogação, representa um desafio significativo para a comissão, que busca consolidar suas conclusões sobre o avanço do crime organizado no país.


